Ed. 28 - Limites (por Victor)

By admin On dezembro 9th, 2009 in Crônica, Victor /

O tema “individualismo” é muito citado, pois retrata bem uma conduta que vem aparecendo em nossa sociedade e, portanto, em nossas relações.

Eu vejo com alguma freqüência, durante minhas consultas, situações assim: as pessoas que não estão a se importar e se fecham; e aquelas que se envolvem profundamente a ponto de perder sua identidade.

Extremos acontecem quando tu não aprendes os limites, e os limites são necessários para manter um equilíbrio, principalmente quando a dança é a dois.

Vou falar desses dois casos que regularmente chegam a mim e depois falaremos dos limites:

 

Veja bem, a postura do individualismo não é simplesmente egoísmo, mas também um mecanismo de defesa. O lema é “Não confies nas outras pessoas”, o que implica em um jogo cansativo de vigilância constante.

É, então, estipulado que não devemos criticar os outros, mas não precisamos aceitá-los. Confuso, não?

Vou explicar-te: A ideia é manter-se calado e simplesmente estipular uma distância. Algo como: “Não quero ofender-te. Então não fiques muito perto”.

Existe a impressão de que todos estão a respeitar a todos. Mas também existe um consenso geral daquilo que deve ser aceito e como deve ser aceito, e daquilo a que tu podes se opor.

Bem, claro que esta camada de falsas considerações dificulta o diálogo.

E ainda mais quando ela é transportada também para um ambiente familiar. É engano pensar que as atitudes e decisões de um reflectem apenas nele mesmo e que não é complexo viver separadamente, muitas vezes a confundir independência com falta de união.

Entendo que a vida hoje seja uma correria onde nem sempre tu poderás participar de cada momento da vida do outro. É claro que tu possuirás uma vida paralela a dos outros membros de tua família, em escola, trabalhos e amigos.

Mas, todos os aspectos da vida devem trabalhar em harmonia e não de forma a se anularem, afinal, todos eles compõe quem tu és.

 

Muitos pais, por exemplo, acham que dando “espaço” aos seus filhos irão lhes fazer bem. Vamos definir espaço. Não questionar, não participar, apenas fará com que os miúdos cresçam sem apoio, sem base. Demonstra uma falta de interesse da parte dos pais, associada pelo jovem, que ainda terá de sobreviver em um mundo realmente individualista.

Vou aproveitar este momento para dar um pequeno conselho:

Tenho pacientes que reclamam de não conseguir comunicar-se com seu filho, a aumentar esta barreira de vidas separadas dentro de uma família. E, às vezes, quando converso com o jovem vejo que o problema dele não é querer isolar os pais.

Na verdade, ele acaba a isolar a si, pois seus pais não sabem comunicar-se com ele. Veja, os pais são bons em dar ordens, impor situações, brigas e “pegar no pé”. Mas, no momento em que este jovem tenta compartilhar algo que ele considera importante, os pais dão pouca atenção. Estes pais não conhecem seus filhos. Por essas, chegam à conclusão de que, se cada um viver sua vida, ficarão em paz. Uma grande decepção, pois seus filhos precisam que façam o oposto. Sejam presentes na vida do outro, isso fará bem!

Este é um exemplo clássico do que acontece quando as pessoas estão tão distantes, mesmo sendo tão próximas, que perdem o senso de unidade.

 

Já o outro caso, onde o envolvimento na vida do outro é tão profundo que se perde o limite, a questão também tem a ver com anulação.

Acontece, e não raro, quando as pessoas estão em relacionamentos, principalmente amorosos, e elas se entregarem totalmente.

E isso, apesar de tentador, também é muito perigoso.

Fazer do outro o centro da sua vida causa sérias conseqüências. Afinal, aquela história de “tornar-se um só”, não é tão romântica quanto parece. Existe a tendência a perder a identidade. Perder a orientação, deixar seus desejos comandarem. E então, depositar em alguém a responsabilidade da tua felicidade é um risco grande.

Não é justo pensar que ao tornar tua vida dependente de uma outra pessoa, ela te deva algo. A tua vida é tua responsabilidade. E isso é algo maravilhoso!

Como disse anteriormente, não se pode anular todos os outros aspectos que estão a formar quem tu és, deve-se sintonizá-los.

Com alguma freqüência recebo pacientes que, após o fim do relacionamento, estão a acreditar que suas vidas acabaram. Ficam terrivelmente deprimidos. Pois, afastaram-se de todos os amigos, família, etc, para viver a vida do outro, com os amigos do outro e a família do outro.

Por essas, quando encontram-se sós, vêem-se completamente sós. Esta perspectiva tem de ser mudada, e então, a pessoa voltará a observar sua vida de forma mais própria.

 

Sempre aconselho sim, e insisto em dizer, que as pessoas devem aprender a aproveitar o tempo sós. O que digo é que, saber estar sozinho não significa ser solitário, mas sim saber apreciar momentos particulares, que não deixam de ser especiais se tu estás confortável contigo. Pode ser até delicioso, por vezes, teres o controle total do teu tempo, fazer o que quiseres a depender apenas da tua vontade… Decidir o que queres, por si só.

 

O equilíbrio é a palavra a ser seguida. Através dele, os limites que irão guiar-te ajudarão a perceber o valor de tudo sem sobrecarregar ou afastar.

Nem a total independência ou o total apego são medidas certas em uma relação.

O que sugiro ‘aqueles que se identificam com estas historias, é que pegues um tempo para conhecer-te e reflictas sobre aquilo que seria teu limite, o que funcionaria e também, tudo aquilo que tu poderias melhorar para não viveres mais as situações citadas.   

Não aconselho nenhum dos casos, o que considero é o individuo, a manter sua individualidade sem deixar de envolver-se.

One Response to “Ed. 28 - Limites (por Victor)”

  1. Jesse Orefice Says: abril 18th, 2010 at 10:13

    A internet deve ser mantida com bom gosto, através de sites como o seu! Parabéns!

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