Ed. 27 - Todo o tempo (por Alicia)

By admin On outubro 18th, 2009 in Alicia, Poema /

Quanto tempo é muito tempo?

Eu me pergunto.

Presumo que tanto faz.

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Afinal, quem escolhe o tempo, escolhe sua prioridade.

A maneira que impetuosamente escolheu viver e aplicar tal bem.

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Mas, ele corre, ele domina, ele é implacável.

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Eu faço parte dele, pois ele não existe sem mim.

Meu tempo acaba quando eu acabo.

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É injusto não conseguir acompanhá-lo

Meu relógio é traiçoeiro

Seus ponteiros trabalham para me provocar.

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Tanto deve ser feito ou dito.

Não sou somente eu que falo

Por via de regra, sabemos que nos concerne viver apenas.

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Ele nos une ou nos separa. Ele determina quando

Está, esteve ou estará

Aqui, neste exato lugar.

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Se o tempo não se importa com minha vontade, como serei sua amiga?

Não deveria declarar-me livre? Criar minha própria contagem?

E trocar segundos por sorrisos, minutos por abraços e horas por historias?

Reflito sobre o tempo, pois ele me lembra do que não posso controlar.

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Não tenho tanta idade.

Porém, já estou atrasada em demasia para alguns sonhos.

Não posso mais ser tantas coisas

Muitas não são mais opções.

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Os 17 são os novos 25

Os 25 são os novos 32

Por que querem obrigar-me a ser mais rápida do que minha própria natureza?

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Veloz, acelerado

Não sei se houve tempo de ser, neste “meio tempo”.

Estou perdida, fora de ritmo.

Para que lado corro?

Já foi dada a largada e não hei de aprender galopes agora.

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Precisar de tempo para entender o tempo

É, de fato, irônico.

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