Ed. 12 - Beleza (por Victor)

By admin On junho 27th, 2009 in Crônica, Victor /

A questão da beleza é constantemente levantada durante as consultas, e digo, com cada vez mais intensidade. Não acredito que estejamos a falar apenas de vaidade ou insegurança, mas sim de uma forma de pensar que está a aborrecer especialmente as mulheres.

Afinal, o peso da beleza sempre foi carregado por elas, isso não é novidade.

Considere tantas histórias onde o homem é a representação da força e a mulher a detentora da beleza. E as mais belas são as mais poderosas.

Portanto, às vezes, é um cargo a ser almejado. Bem, ao menos instigante garanto-lhe que é.

Entendo que, talvez, a ânsia pela beleza mais que perfeita venha desta idéia de ser considerada a melhor apresentação do feminino e a possuidora do domínio acrescido a isso.

Mas o que acontece hoje, com esta enxurrada de tratamentos e cirurgias? A beleza sempre foi atraente, claro, mas antes as mulheres podiam lançar mão de outros atributos para conquistar, como em uma educação doméstica em sociedade patriarcal. A submissão pode ser muito atraente pelo poder que sugere, mas as mulheres encontraram uma forma mais justa de comportamento. E, apesar de oferecerem outras várias qualidades, hoje seus dotes intelectuais ao invés de atrair deixam a maioria dos homens fragilizados. E, então, a beleza feminina, sempre tão sedutora, passa a ter um valor importante (e bem caro!) nesta sociedade.

Mas, defina beleza. O que mais intriga e atordoa é questionar, enfim, o que é belo.

É por essas que as pessoas perdem-se, já que começam a levar em conta a opinião daquele que olha como seu espelho. Mas, não estão a considerar que opiniões são opiniões. E tendem a mudar mais rapidamente do que sua destreza em modificar-se.

Particularmente, considero uma grande besteira tentar definir padrões de algo indefinível.

É desconcertante algo tão variável possuir tanta importância dentro de nossa cultura.

Digo variável, sim. Pois a beleza sempre é relativa, assim como qualquer análise ou interpretação de qualquer observador. Vou explicar-me:

A beleza está nos olhos de quem vê, não é assim? Portanto, varia conforme a quantidade de pessoas aptas a olhar. Ou seja, bastante.

Minha mãe, por exemplo, acha-me maravilhoso! Para tu veres que depende mesmo de quem olha, brinco. O que uns acham lindo, outros não se interessam.

E lhe digo mais uma coisa que sempre me foi razoavelmente clara: Ninguém É bonito.

Uma pessoa pode estar bonita, neste momento. Mas, não significa que será sempre bonita. Ou que estará bonita pela manhã, após os tratamentos, montagens, maquiagens, etc, perderem-se. Quando tu dizes que uma pessoa é inteligente, por exemplo, ela realmente o é independente da hora, do dia, da situação. As pessoas são bonitas arrumadas, bonitas depois de um bronzeado, claro.

Por essas, não te enganes, pois ninguém é bonito o tempo todo, mesmo aquelas pessoas que parecem naturalmente lindas.

Vou dizer-lhe algo, a beleza enche. Isso é um dado curioso que me foi confirmado por alguém acostumado a lidar com os actuais padrões de beleza para desfiles.

Segundo ela, é como quando tu compras um quadro novo. No começo, tu o achas lindo. Até gasta horas de teu dia a admirar sua beleza.

Mas depois de um tempo, tu passas por ele e nem percebe. Tu acostumas com sua beleza e assim, de repente, ele não parece mais tão bonito. Por essas, se só existir a beleza, tão logo não existirá mais nada.

Portanto, te acautele em apegar-te a algo que, sinceramente, não preenche ou satisfaz por muito tempo. Pelo menos não da maneira mecânica e industrial que é estipulada.

Devo confessar que o amor tem, sim, tudo a ver com a beleza. A atracção tem muito a ver com o amor. Mas, não com o ideal que foi imposto onde é necessária uma aceitação dentro de um padrão e, sem isso, a conclusão é que tu não serás querida, admirada ou amada.

Veja bem, não é nada disso. A beleza que falo é a naturalidade e a particularidade, e talvez mais nitidamente, a felicidade. Uma pessoa feliz é linda ao extremo. Ilumina o lugar e atrai os olhares.

Portanto, apenas ao dominar a autoconfiança é possível achar algo simplesmente belo, de uma maneira que não pode ser copiada. A beleza só aparece quando primeiro tu amas a ti.

O artificial geralmente chama a atenção de forma ruim e causa estranhamento.

Então, por favor, parem com essa loucura em fazer parte de um padrão que amanhã poderá mudar.

Entendas que, não há nada de especial em padrões. São muito monótonos.

Sugiro fundar bases em temas mais estáveis que possam trazer a verdade.

A imagem é uma mentira, pois é mutável.

É justo dizer que se tu cultivas superficialidades, é isso que terás em tuas relações. Serão tão duradouras quanto durar a tal imagem submetida. Fará de ti escrava de uma ilusão.

A beleza como é vendida, é passageira, claro. Desculpe a crueldade desta afirmação, mas tu necessitas envelhecer se pretendes continuar viva.

E se todos envelhecemos, qual é a beleza que fica? O que nos torna realmente bonitos e irresistíveis? É essa que se encontra em ti todo o tempo, que conquista, que cativa e não engana.

Mas, veja bem, tudo é uma escolha. Tu podes ser livre ou impecável. Ouso dizer que há sempre algo de muito sensual em uma bela rebeldia.

Ed. 12 - Celebri… o que?! (por Manô)

By admin On junho 24th, 2009 in Crônica, Manô /

Não há nada o que celebrar. Celebridade é o cargo mais inútil e depreciativo já criado. De cara se observa, ele não representa nada. E não tem definição. A não ser uma aparência mentirosa e uma boa divulgação.

É tão fácil qualquer um possuir destaque. E eu acharia essa democratização da comunicação ótima, se essas pessoas tivessem algo a dizer. Mas, na verdade, elas só têm algo a mostrar.

Foda-se! Não sou a mãe delas. Apesar de que, as coisas andam em um nível em que essas mães se orgulham em ter a bunda da filha explorada em rede nacional.

O problema não é a bunda. Cada um faz o que quer e o que pode da sua vida. O problema é a mensagem que a bunda passa. Às vezes, eu acho que essas meninas não fazem ideia!

Por tanto tempo as mulheres lutaram para serem respeitadas. Para não serem mais usadas como objeto e propriedade. E aí , essa mulherada aparecem, querendo ser um objeto sexual. Usam o corpo para conseguir sucesso.

Vamos ser sinceras. Alguém já viu algum homem tremendo a bunda na câmera pra ter fama? Fica difícil ser respeitada desse jeito. É fácil voltar a ver as mulheres como “sexo”, porque é só isso que elas demonstram.

Ignorâncias à parte, outra coisa que me deixa atordoada é essa história de nu artístico. Não me venha com nu artístico!! Me parece mais uma desculpa esfarrapada para conseguir dinheiro e não se sentir mal com isso.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Se eu vejo o “Nu observado”, de Duane Michals, eu vejo nu artístico. Eu vejo uma proposta, eu vejo um motivo e eu vejo conteúdo. E isso é artístico.

Se eu abro a revista Sexy, não. Desculpa. Não é o caso. É nudez pela nudez. É exposição pela exposição. Com intenção pornô.

E, tudo bem se assumissem isso. Muita gente compra e gosta, se não nem existia! Mas, ASSUMA o que você faz! Chega de hipocrisia.

Aliás, esse é um meio extremamente hipócrita. A aparência é o que importa. Os sorrisos são armaduras.

Quem é verdadeiramente simples, não é verdadeiramente famoso.

Mas, acima disso, você é quem primeiro se coloca nessa situação. Você quem anseia pelo sucesso. Isso acontece muito antes de saber qual o preço que é necessário pagar. O real preço.

Uma coisa que aprendi é que para você ser famoso, você precisa aceitar as regras do jogo. Quem sai da linha, sai queimado. Por isso, é você quem primeiro deve impor os limites. Se tiver a chance.

Só que, dependendo do nível de sucesso que você quer, são exigidas medidas drásticas. E diretamente proporcionais àquilo que você tem a oferecer.

E hoje em dia, o que não falta é celebridade. Isso por causa dessas merdas de reality shows.

Por isso não entendo quando ouço coisas tipo: Ser um Big Brother é um fardo pra mim. Não, não. É um fardo PRA MIM! Que tenho que aturar mais um mané com trabalho de quinta categoria no lugar de gente que estudou pra isso. Porque uma coisa é aparecer em festa. Para isso, não precisa de faculdade. Agora, ser repórter, etc, é muito desaforo. Não sou obrigada. É fardo pra quem tem talento, pra quem não tem, é a única chance.

E aí alguns se perguntam:

eu trabalho com música há 10 anos. Como essa pessoa, só porque apareceu uma vez na TV, já grava um CD? Não tem preparação nenhuma e não tem conteúdo.E não raro, uma dicção péssima!

Bom, eles foram ensaiados para dar resultados, vulgo dinheiro. E não estou falando que eles tenham aceitado as propostas indecentes que acontecem nesse meio. Mas essas pessoas são uma marca. Podem ser substituídas a qualquer momento. Estão na mídia através de contatos e favores. E quando acabou, acabou. Isso é uma celebridade.

A questão é: Vale a pena? Vale ser usado assim, por dinheiro, por fama, pelo que quer que seja? Existem vários tipos de exploração.

Os valores estão tão às avessas que eu me sinto uma puritana depois de escrever isso! Mas, não é necessário pousar nua pra ser a bad girl. Ao contrário. A escrota aqui sou eu!!

Ed. 11 - Prometa (por Adriano)

By admin On junho 21st, 2009 in Adriano, Poema /

Que é o fim, nós já sabemos

Isso tudo já foi acordado

Não há mais o que lamentar

Todas as súplicas se calaram

Não há mais ecos onde estamos

Agora, ao menos, vem o alívio/medo

Da sensação de liberdade na queda

E estou feliz em ter alcançado a margem

Uma listinha de pedidos no caderninho azul?

Já não quero mais nada

Só quero que me prometa

Que nunca irá voltar

Me prometa

Que nunca mais irá sorrir pra mim

Me prometa

Que você nunca mais vai me olhar

Como você me olhava

Preciso que prometa

Muitas cartas foram seladas

Tudo ficou em pedaços

E depois foi dividido, da forma mais amigável

Discos invertidos mudam a rotação?

Na ordem natural das coisas

Eu posso entender perfeitamente…

Fico feliz que tenha passado

Mas, por favor, me prometa

Que nunca mais irá sussurrar meu nome

Me prometa

Que não me procurará quando olhar para outro

E que não pensará em mim no calor do momento

Me prometa

Que nunca mais irá me abraçar

como você me abraçava

Preciso que prometa

As coisas ficam mais fáceis com o passar dos dias

Parei de jogar carros na contramão

E consigo andar até a rua sem setas

Me perdi nos tijolos amarelos…

Essa é última promessa que te peço

Para acalmar o que pudesse resistir

Para ter certeza do que não posso mais sentir

Me prometa

Que não se arrependerá de suas decisões

Me prometa

Que não causará um sofrimento em vão

Me prometa

Que não lembrará de nosso encaixe especial

Nem daquilo que eu fazia com a língua, e com o dedo, e com a língua…

Me prometa

Que nunca mais você vai me tocar

Como você me tocava

Que suas risadas não significam nada

E que tudo o que eu amava foi embora

Não retornará

Preciso que prometa

E, essas promessas, eu preciso que você cumpra.

Eu prometo que vou esperar. Sentado.

Ed. 11 - A Falsa Revolução Feminina …….. (por Victor)

By admin On junho 17th, 2009 in Crônica, Victor /

Ao observar o movimento do meu consultório percebi que o número de pacientes mulheres era muito superior ao número de homens. Em sua grande parte, estavam ali por uma mesma causa: as mulheres estão estressadas.

E digo isso porque, naquela sala, não havia casos patológicos ou distúrbios. Eram mulheres exaustas, que estiveram a passar por alguma experiência recente que foi a gota d´água e por essas resolveram vir. Esta gota d´água, na verdade, é um fragmento de água comparado aos motivos reais de sua condição. Vou explicar-me:

O retrato destas mulheres é este: pessoas cansadas, cobradas pelo mundo 24 horas por dia, sobrecarregadas. Como já citei anteriormente em “Sucesso”, o mundo impõe-nos o melhor, constantemente. E as mulheres em suas mil funções adquiridas cobram-se muito mais, claro. São as mulheres multifuncionais, as mulheres da nova geração.

E a ideia de felicidade está associada a ter o pacote completo. Por essas, nossas fantásticas fêmeas querem tudo, e conseqüentemente, querem ser boas em tudo.

Às vezes, esquecem-se que ser perfeito não é humanamente possível. Na tentativa de acertar, processar, agendar e cumprir verdadeiras missões, tornam-se máquinas, e chegam ao consultório, quando conseguem vir, como zumbis.

E isso é o conceito de sucesso?

Estamos a falar a cá da falsa revolução feminina, onde ao invés de igualdade, as mulheres conquistaram mais trabalho e responsabilidade.

Veja bem, a igualdade ainda não existe. Quando tu tens mulheres esgotadas em actividades que deveriam ser compartilhadas, não há igualdade.

E o que se escuta muito é algo do gênero: “Mas não foi por isso que elas lutaram?”. Lutaram, sim, por um espaço. Por uma forma mais respeitosa, pelo reconhecimento. E não por este acúmulo de cargos, ainda impostos, de certa maneira, em nossa sociedade.

Culturalmente, as mulheres ainda são a responsáveis pela casa. E ainda funcionam como secretárias do marido. Quando se tornam mães, o assunto fica ainda mais complicado e entraremos mais especificamente nisso depois.

Talvez, em alguns aspectos, isso seja exigido delas, porque, de forma ancestral, tais ações denotam certa sensibilidade.

Veja bem, não excluo a presença das mulheres nos afazeres domésticos e imagino que algumas, de facto, gostem de cuidar do lar. Mas, a sobrecarga acontece e a pressão da decisão onde elas são obrigadas a escolher uma coisa ou outra (profissão ou família) acontece, pois elas não têm apoio. Nunca é perguntado ao homem se ele irá abrir mão da profissão pela família, ao contrário, é esperado um aumento de produtividade. Isso porque ele entende que, em casa, possui uma base sustentável.

O que digo é que, na actual situação socioeconômica e cultural, esta base precisa ser sólida nos dois lados.

Devo explicar que, na verdade, a ideia não é fazer com que um dos dois abra mão de sua profissão, estudos, etc… Mas, que haja um ajuste justo que permita um pouco a todos.

Se for ele quem trabalha, a mulher pode ponderar um horário onde ele fique com as crianças enquanto ela faz seus cursos. O oposto também é verdadeiro. E depende da disposição em coreografar esta dança. O que não pode ser, querida leitora, é fingir que é mãe solteira.

Tenho a destacar, porém, um dado que considero muito feliz. A postura dos homens está a mudar. A nova geração masculina, vinda de uma educação de mulheres mais liberais e vendo suas mães lutadoras a trabalhar, tem uma visão diferente sobre responsabilidades do lar.

Vejo que, estão aprendendo a arrumar-se. Mesmo porque, alguns estão a passar pela experiência de morar, durante um tempo, sozinhos. E, então, eles dão valor às tarefas domésticas. Eles ganham uma consciência sobre, por exemplo, como é chato lavar louça.

Sabem fazer compras, sabem passar uma camisa… Claro, quando se casam, eles não são meninos perdidos e dependentes. Enquanto aquele que sai mal acostumado da casa de sua mãe, faz imediatamente a transferência de papéis para a esposa.

Por essas, aconselho minhas estimadas pacientes a casarem com homens que já moraram sós, e aos pacientes a largarem a saia de suas mães. Pois as mulheres de hoje não suportam ser babás. Não querem um marido como filho e sim, um homem que as apóia. E estão deliciosamente certas!

Ainda assim, com esta consciência que vem a crescer, talvez as mulheres estejam a comprometer sua sanidade no desequilíbrio destas responsabilidades.

Ao saberem disso, não deveria ser clara a solução? A divisão igualitária de tarefas dentro de uma casa, a possibilitar a todos uma administração de seu tempo e afazeres.

Mas, não é bem assim. Isso porque ainda existem barreiras bastante complexas nesta real evolução. Veja bem:

Em um cenário tradicional, existem ainda muitos homens que, apoiados em conceitos machistas ou simplesmente apoiados confortavelmente, se recusam a executar papéis que consideram femininos.

E há mulheres que definem que nessa divisão de funções irão perder o espaço pelo qual batalharam, e que é de seu direito e dever, e então, não delegam. A divisão, que traria a ideal igualdade, acaba por não acontecer.

Ainda, a tão polêmica questão dos filhos, onde, logicamente, as mães têm a incumbência de amamentá-los, após os primeiros anos da maternidade, não se altera. Elas continuam a responder pelos filhos e por tudo o que os envolve, pois assim têm feito desde o momento em que eles nasceram. Mas, agora que as crianças estão a tornarem-se, não independentes, mas menos “exclusivas” aos cuidados das mães, é a hora de dividir mais responsabilidades. Precisamos quebrar este tabu, pois a participação dos pais é tão importante quanto a das mães. Entenda que, os dois são a representação do homem e da mulher, e do que essas crianças aprenderão por relação entre os dois. Portanto, mães, deleguem aos pais também!

As mulheres precisam aprender a delegar! Precisam ver que, não é possível estar no controlo de tudo e, claro, relaxar. Deixar toda a impetuosidade e espontaneidade, tão sensuais da mulher, fluírem novamente.

Aproveito o espaço para afirmar às nossas mulheres atarefadas que, perfeccionismo tem hora e tu só consegues ajuda quando abres espaço para alguém ajudar. Entendas que, não adianta culpar o outro, não!

Nós, homens, sabemos que tu és maravilhosa. E achas que apenas tu és hábil a arrumar a cama perfeitamente. Também sabemos que tua mãe sempre te disse algo como: “Homem é assim mesmo”, cada vez que falhávamos na organização ou arrumação de casa, a fortalecer a máxima de que somos mentalmente incapacitados de realizar tais tarefas.

Mas, a verdade é que a prática leva a perfeição, e se tu desejas uma ajuda para arrumar a cama, deixas seu marido arrumá-la todo dia. Fiques tranqüila. Ele vai acertar.

Menos uma preocupação para tua lista.

Afinal, do que adianta tanto esforço, sem saborear nenhuma vitória? É necessário tempo em teu dia-a-dia para apreciá-la. Nos permitir é algo maravilhoso. É possível e te trará certa paz. Permitas a ti não seres “a melhor” e sim, feliz.

Percebas que, esta definição prevalecente em nossa cultura, em que mulheres são exemplos e devem ser perfeitas e multifuncionais para mostrarem-se modernas, é injusta. E não deve ser aceita. Cabes a ti não vesti-la.

Também, é importante lembrar, que não é admissível uma regressão de valores, abrindo mão das conquistas reais posteriores a revolução feminina, como a abertura nos mercados de trabalho.

Mesmo assim, também neste aspecto, as mulheres ainda são reféns. De certa forma, são consumidoras e mão-de-obra mais barata, bem-vindas aos mercados até a página cinco. E continuam a cumprir, cordialmente, seus papéis sociais.

Por essas que, quando estou a diagnosticar uma paciente, que apresenta sintomas sérios, pois já não come direito, há dificuldades em dormir e sua memória está falha, me pergunto se ela sabe o que quer da sociedade e se sabe o que a sociedade está a fazer com ela. Às vezes, acho que estas mulheres tão encantadoras, inteligentes e cultas, que dominam tão bem a si e as questões psicológicas e mais profundas, não fazem ideia do poder que têm neste mundo. E o quanto ainda devem libertar-se e lutar pela igualdade.

Ed. 10 - Medie e o castelo (por Noel)

By admin On junho 13th, 2009 in Conto, Noel /

Lembrei hoje duma pessoa que há um tanto de tempo não vinha na minha memória: uma amiga das antigas que conheci inesperadamente anos atrás. Antes que pense bobagem, calculando nessa lembrança algo de pretensioso, deixa tirar de você qualquer inclinação a acreditar em um interesse afetivo, ou na construção de um conto romântico porque, na realidade, afeição é algo que Medie poderia explicar bem demais a qualquer um de nós, mas inspirar só um tiquinho mesmo. Ela é uma pessoa que sabe sim despertar carinho, mas sempre de um jeito tão terno, correspondente a seu jeitinho meigo e desconcertado, que raramente alguém ousa desviar um olhar mais malicioso, que nem se fosse sacrilégio. Entretanto, minha doce amiga havia de ser a moça de 20 anos mais solitária do mundo, e decerto, é a pessoa que melhor conheço para descrever solidão. Coitada dela, não é não? Sabe, isso não é natural, quer dizer, alguém assim afastado de tudo, só pode ser próximo demais de si mesmo, e quando foi que isso fez algum bem para alguém?

Bom, Medie tem uma história interessante que eu vou rapidamente dedurar, apenas porque tomando conhecimento da infância é sempre melhor explicado o caráter de um sujeito. Portanto, era uma vez, essa moça que cresceu em um castelo só seu, na realidade mesmo, era um prédio, mas ela gostava de imaginar um castelo e daí, que nem nas histórias, podia haver também um reino, um príncipe, uma fada e formas de resgate. Porém, vivia no centro da cidade, em um.edifício velho e abandonado que pertenceu a todos os seus antepassados, e ela, herdeira de um reino falido, não tinha condições de manter reparos, nem havia ninguém em volta que pudesse resgatar heroicamente seu palácio, ou dinheiro que pagasse seu valor sentimental. Então, Medie morou por toda sua vida em três andares de um prédio escuro e esquecido, donde não podia arredar, porque o centro era perigoso por demais, e como não tinha crianças, vizinhos ou irmão por perto, Medie cresceu aprendendo que seu mundo era grande, porém silencioso e vazio, e o mundo lá fora, era perigoso e cruel. Sabe que agora falando desse causo, notei que Medie sempre pareceu uma moça deprimida mesmo. O quintal dela, diferentemente dos da outra gente, envolvia salas enormes e sem mobílias, janelas que iam do chão ao teto, apesar de darem vista apenas para um muro, e grandes paredes revestidas de tecidos de veludo, e foi fuçando esses territórios que Medie descobriu que antes de ser sua casa, aquele lugar tinha sido um baita palco de espetáculos aonde os maiores artistas desse país iam apresentar regularmente, e na empolgação de uma adivinhação aquele tanto de especial e na tristeza de uma criança, bom, triste, ela fazia seus shows mais memoráveis, onde uma platéia imaginária, humana ou não, aplaudia ela de pé. Como era sempre sozinha, achava que todos também haviam de ser, por isso, não sentia pena dela mesma. Esse sintoma só foi aparecendo na medida que foi crescendo, especialmente na adolescência. Como ela havia de saber? Não existiam outras pessoas junto dela, o que conferia a jovem um caráter espantado que acompanhava seu acanhamento, por isso, não aproximava de ninguém e tinha medo das brincadeiras das outras crianças, não conhecia nenhuma daquelas traquinagens e zombavam dela. E aí, tinha mais sobressalto, pois criança quando quer judiar não há jeito de segurar.

Essa exclusão, porém, fez da moça uma observadora de primeira. E mesmo verdade que todas as pessoas muito observadoras são também muito solitárias, seja porque já é espinhoso o suficiente enxergar o ridículo do mundo, quanto mais ter de conviver com ele, ou, pela simples razão de que, para observar o todo, há necessidade de dar um passo para trás, fora do todo. Quando você posiciona para fora do radar, você fica realmente surpreso com o quanto é fácil passar despercebido, ainda mais em uma época onde a grande preocupação está mesmo é em torno de si. Se bem que isso daí é questão de costume. Entretanto, Medie, que sempre olhou por demais o outro na busca de entender quem ela é, chegou à conclusão de que não era igual não, e raciocinou que, no final das contas, ninguém era, mas os outros fingiam melhor. Eventualmente, as pessoas acabavam acertando os desentendidos, mas não entendiam ela. Medie era cheia de confusão desse jeito: ela sempre chorava porque a vida emocionava demais, mas, também sempre ria, pelo mesmo motivo, e é uma daquelas pessoas com hábitos esquisitos e bastante particulares, por exemplo, ela gosta de tomar banho de madrugada, na surdina, enquanto todos dormem, e no silêncio ficar ouvindo as gotas caindo, e no escuro, sentir os pingos rolarem no seu corpo, que nem uma surpresa, mas, ela não gosta do escuro propriamente dito. Todavia, ela anima mesmo é de dançar sozinha, só que fingindo que existe uma platéia e, quando as coisas estão meio agarradas, ela começa andar rapidamente em círculo. Que nem cavalo preso no redondel. Enquanto lê, gosta de explicar as considerações astutas que tem sobre o tema fingindo que está num daqueles programas de entrevistas, ou ganhando algum prêmio, isso tudo sem ninguém espreitando, mas, em ambos, ela primeiramente pede desculpas (ao vento) por ser assim inarticulada em público, e, para completar esse baita bololô de bistontado, ela sempre ama todos no geral, e nunca ninguém em particular. Apenas observando com muita presteza, você dava conta de descobrir quem era ela verdadeiramente, pois Medie não importava de ser rotulada que nem um mistério, e essa era sua desculpa para seu acanhamento. É uma pena as pessoas não terem mais tempo para resolver mistérios hoje em dia.

Enfim, o contexto de Medie estava fora de todos os outros. Por isso que dar conta de comunicar com as pessoas e firmar amizades era algo muito complicado. Você vê, para Medie, que nunca teve ninguém, ter um amigo era algo especial por demais, um voto de confiança, e ela era tanto feliz e tanto solícita para essa nova amizade que por várias vezes esforçava ao máximo na tentativa de fazer agrado, mas parece que esses esforços normalmente são mal compreendidos. As pessoas que são lá de fora, do tal do mundo perigoso e cruel, não estão lá muito acostumadas com bondade gratuita, e a interpretação que tinham dela era, obviamente, de que Medie queria alguma coisa, pois, algum interesse especial deve de ter alguém que doa tamanha atenção pelo próximo. Na certa que era tramóia da braba! Medie conseguia entender isso, mas ficava abatida cada vez que notava que sua atenção e amizade eram, para os outros, coisas assim meio estranhas, bastante fora dos limites. Para piorar, com o passar do tempo, ela foi conhecendo alguns sujeitos que, pelo contrário, aproveitavam, de patifaria, dos sentimentos dela para sair bem, e foi então que Medie decidiu afastar de tudo, já que até então, apenas haviam deixado ela de lado, e agora, ela maquinava uma resolução daquelas ardilosas, porque quando você se fecha, está aí a maior solidão de todas. Começou a amargurar em relação a tudo que rodeava ela e a ter medo de ser julgada ou usada, estava cansada de sentir vergonha de suas idéias e temia que nenhuma de suas fantasias e sonhos, construídos com tanto de apreço durante horas de ilusões em salões de veludo, tornassem realidade. Todas as noites, Medie pedia incessantemente para que alguma mudança sucedesse, mas, sinceramente, ela não fazia idéia se teria firmeza de encarar essa mudança na hora que ela chegasse. Enfim, a moça era covarde por demais, apavorava sobre a imprevisibilidade, sobre tudo aquilo que não mostrava garantia, parecia mesmo filha de pai assombrado. Assim, mesmo que algo incrivelmente novo tenham passado por ela, ela não viu, continuava atravancada em seu castelo, observando apenas um grande muro e imaginando o que haveria por de trás dele.

Então um dia, Alessandro Bordeau, interessado em comprar o prédio, ligou para Medie. Ele era francês e ela não entendeu nem uma palavra do que ele queria, e na hora que descobriu, abateu um desespero, pois, apesar de a venda ser boa para ela, ela havia de arredar de lá. Como podia de ser possível para ela, levando em conta que não sabia viver em outro lugar? Neste momento, por percalços da vida ou por plena conveniência, os dois acabaram apaixonando e vivendo juntos no castelo e Medie continuou a não conhecer neca do outro lado, mas estava satisfeita em ter seu universo compartilhado com alguém. Por um tempo. Afinal, é mais fácil do que parece estar completamente só, mesmo quando não se está, realmente. Não acho possível que a gente toda seja sonhadora o suficiente para escolher a solidão como forma de se esquivar da realidade, às vezes ela acontece sem querer, de acidente mesmo, em escolhas sutis, que nem da vez que o Almir, meu primo, disse de surpresa a Darlene, uma colega, que ela estava linda, e ela imediatamente gargalhou. Quer dizer, sua risada foi humilhante para ele, mas também foi uma resposta com resultado duvidoso, pois estava embaraçada. Porém, essa é outra história. O que é importante falar agora é de pronto o seguinte, a escolha nunca é sobre ficar só, é sobre o que e quem queremos por perto, e a partir do momento que temos tantos medos nós não confiamos e não deixamos ninguém aproximar, e foi isso que aconteceu com Medie. Apesar dos esforços de Alessandro, certamente era um tanto de dificuldade para ela deixar ele habitar sua vida, morando ali dentro, presente todos os dias… isso deixava ela confusa, invadida e ainda desconfiada. Então, aquilo que ela realmente receava criou forma, ele foi embora.

Medei passou a olhar em volta, caçando explicação do que tinha sucedido. Por que não foi capaz de deixar Alessandro entrar na sua vida? Depois de matutar um bocado, conclui que ele incomodava porque ele desarrumava tudo que estava arrumado, abria janelas e derrubava paredes, desrespeitava toda a tradição desse lugar e trazia uma inquietude e insegurança diárias que irritantemente não deixavam sossegar. Na realidade, todo mundo tem muito assombro do que não conhecem, receio de que tudo aquilo que seguiu desde miúdo seja firmemente contestado e que seus alicerces sejam de uma vez estraçalhados. Medie estava infeliz, mas havia uma baita segurança na sua infelicidade. Finalmente, tomando consciência disso, ela decidiu que não seria mais prisioneira dela mesma não, e`as 11:35 de uma quarta-feira, Medie pôs fogo em seu castelo e nunca mais voltou. Alguns dizem que ela ficou biruta e está internada, outros comentam que ela bateu as botas no incêndio, mas eu conheci Medie e prefiro de acreditar que ela foi atrás de sua felicidade e, como achou, ficou por lá mesmo, e toda aquela resistência em viver, transformou em vida. Essa resistência tímida que espiei sutilmente, um tanto de anos atrás, na pobre Medie em uma lanchonete enquanto ela cheirava sua comida, mais uma de suas particularidades. Foi por causa disso que lembrei dela, quando esses dias apareceu um tal de Leonardo cheirando seu sanduíche de queijo antes de dar a primeira mordida. Daí pensei duas coisas: “Como existem pessoas com tanta cautela sobre a vida” e, também, que “afinal Medie talvez não estivesse tão sozinha assim, pois no mundo existem muitas pessoas, de todos os tipos, inclusive o dela. Incrivelmente.”, acho isso porque todos já fomos solitários, pelo menos nos nossos piores dias.

Não sei como ela há de estar agora, mas continuo na firme idéia de que ela está boa e queria por demais notícias dela. Medie, se ler esta coluna, por favor, manda um recado, pois eu gostaria bastante de saber a quantas andam os salões de veludo e as platéias imaginárias.

Ed.10 - Movimento (por Alicia)

By admin On junho 9th, 2009 in Alicia, Poema /

Um sopro de esperança faria transbordar onde não havia mais saída.

Dedilhar paixões não é nada mais do que provocar a sorte.

Levianos e desapegados

Mas, nunca livres de

A qualquer momento

Encontrar-se em movimentos que não dependem de sua direção.

E quem resistiria ao esplendor que apresenta-se despretensiosamente?

Que enlace vive aquele que é agraciado com a incumbência de desvendar uma forma diferente, porém exemplar de deleite?

Que maior surpresa existe, se não a de descobrir a si enquanto procura algo mais?

De fato, há uma sensação majestosa no balanço do mar

Na dança improvisada das folhas

No toque da delicada brisa.

Todas mexem com você sem pedir licença

Sem exibir qualquer formalidade na chegada.

E fazem sentir, a si mesmos, sem limites

Livremente.

A intensidade de cada sentimento deve ser respeitada até seu último segundo.

A sensibilidade de cada pessoa deve ser apreciada até seu último suspiro

Independente de sua motivação.

Ed.09 - BuRRocracia (por Manô)

By admin On junho 6th, 2009 in Crônica, Manô /

Quantos outros milhões são necessários pagar para ser respeitada nessa porra!?

Porque só quem consegue respeito são as pessoas que tem condições de pagar por ele. O resto, senta e espera.

O pior é que todos pagam. E pagam caro. As pessoas pagam e nem sabem o que estão pagando. Pagam, porque são obrigadas. Se não, são presas. Por isso é tão necessário conservar a ignorância.

O mínimo que nós pedimos é que as pessoas façam o seu trabalho. O mínimo que esperamos é algum resultado.

Ouvimos discursos, vulgo ladainhas, em todas as eleições. Conhecemos projetos e propostas que se perdem nesse meio tempo. Perdem-se como a maioria das papeladas que não são de interesse de maiores. Perdem-se na burrocracia de todo dia, com a maior das displicências!

Confiar a sua vida e seu dinheiro a essas pessoas não é suficiente para fazer com que elas se movimentem.

Você é só um número de registro. E número não sente dor, não tem fome e não tem urgência. O número passeia por pilhas e pilhas de outros números. E só sai de lá quando ganha sobrenome!

Que a situação está uma merda, nós já sabemos. Na verdade, o que não dá pra entender é porque cada dia surgem mais papéis. Mais restrições. Mais dados a serem preenchidos. Será que quando uma pessoa está morrendo na sua frente o que importa é o número do convênio dela? Chegamos a esse nível de insensibilidade?

O que foi criado para trazer ordem torna tudo uma grande bagunça. Com requintes de crueldade. Injustiça e desrespeito, sem sequer um pedido de desculpa depois.

E não falo apenas dos serviços públicos. Agora, qualquer serviço de merda que você acione, mesmo pagos, tratam o consumidor com malandragem.

É como a situação dos bancos que só dificultam com a nossa vida. Impõem taxas em cima de mais taxas, em muitos serviços duvidosos que você nunca pediu. E para dispensar os serviços que você nunca pediu, lá vai mais burrocracia. Dá vontade de tirar o dinheiro e guardar debaixo do colchão! Porque, desculpa, não sou obrigada!

Entre os casos mais famosos estão os serviços de telefonia. Todas as pessoas que conheço já tiveram algum problema com telefone, Internet ou tv a cabo. São horas na porra do telefone para preencher um cadastro. Mais horas de espera para consumir o que você pagou. Para que a pressa? Se eles só cobram por minuto…

Pior ainda se for uma reclamação. Se é que ela é passada adiante, você deu sorte se aquele atendente não for cuzão. Porque se não bastasse a precariedade e falta de profissionalismo, o mau atendimento é humilhante! Até parece que estão lhe fazendo um favor.

Nós temos que adquirir o hábito de reclamar!! Isso não vem da nossa cultura, mas devemos exercitar essa educação. Consuma apenas as marcas e serviços que o respeitam!! Brasileiro tem que deixar de ser “lei do mínimo esforço”! Não pode se dar ao luxo de cruzar os braços. Se você não faz nada, eles não vão se preocupar em fazer. Propaganda negativa é mais eficaz do que você pensa. Foda-se, fale mesmo!

O negócio é que nós até reclamamos quando pagamos algo particular. Mas, quando usamos recurso público, não. Não sei se, no fundo, achamos que isso é dado a nós. Ou se já desistimos de mudar algo que venha do governo, pois nunca somos ouvidos. Apenas mais papéis nossos esquecidos naquela zona. Sem chegar a lugar nenhum. Nós somos assim, por experiência. Falou em política, nós renunciamos.

Por isso, fiquei surpresa com a movimentação do pessoal em relação às eleições americanas, lembram? Desde aquela época, isso não me sai da cabeça! Entendo que a vitória de Obama significa que o povo busca paz. São eleições históricas, é verdade, mas, houve uma empolgação. Uma esperança que não vejo acontecer nas nossas próprias eleições.

Achei uma graça toda a comoção. Mas, por favor, não espere que ele salve o mundo! Todos colocaram uma puta expectativas em torno dele, pois ele é essa representação da multi-cultura. Mas, quem ele é, na verdade? É um presidente americano. Que fará todo o possível para que seu país cresça e se desenvolva. Pra isso ele foi eleito e pra isso ele é pago. E para ele nós estamos, como sempre estivemos, em segundo plano.

O nosso foco, portanto, deve estar aqui! Nossa empolgação deve estar aqui. Em quem nós pagamos e quem nos DEVE resultado. É aqui que está nosso poder em fazer as coisas melhorarem. Não espere isso de mais ninguém.

Seja um cidadão e reclame você também!!

Ed.09 - Os tipos de homens (por Kaká)

By admin On junho 3rd, 2009 in Kaká /

Depois de muito estudo na área, muitas pesquisas e alguma experiência…sim, alguma, eu digo, porque sou moça direita… consegui chegar a essas definições sobre o espécime masculina. Não sei se isso foi bom ou ruim. Mas, foi. Hahahah!!

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Vou listar aqui os tipos variados que tive a oportunidade de conhecer, estudar e ligar no dia seguinte, só pra saber se o telefone estava funcionando. Só os top 10 mega upgrade madafocars! Se alguma pesquisadora amiga, e talvez mais vivida, quiser ajudar a completar a listinha, estamos as ordens!

TIPOS:

Homem Fênix – Aquele que ressurge das cinzas

Vou descrever uma cena que é muito comum no dia-a-dia feminino. Uma mulher em uma sala olhando pro telefone. Ela pega o dito cujo, passa os dedos sobre as teclas e depois larga ele de repente. Daí, volta a fingir desinteresse, respira fundo e concentra em outra coisa. Só volta a olhar pro telefone nos próximos 5 minutos.

Sim, ela está esperando um telefonema e esses minutos são decisivos.

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Vou fazer uma triste comparação, mas é mesmo como esperar uma resposta da entrevista de emprego. Tu sabe que ele carece de você tanto quanto você carece dele, mas se alguém ligar quer dizer que tu mandou bem. Não tá certo?? Kkkkk!

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Mas, ô tempo que não passa, né? Mulher tem um negócio legal com horário também. Se os homens soubessem que a felicidade, ou a diferença entre fazer merda ou não, está em alguns minutos, eles não demoravam tanto pra ligar.

Olha uma coisa que a gente fala:

- Ah, se ele não ligar até… (aí a gente prevê se ele vai ter horário de almoço, qual foi o tempo e horário da última ligação, agenda, se é ano bissexto, faz uma média ponderada e calcula)… até 21:45 e meio, aí eu vou sair com o outro.

Não pode reclamar, a gente ainda dá o “meio” de alívio no horário caso ele seja lerdo!

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A gente faz isso porque é muito cruel o que passa pela nossa cabeça enquanto eles não ligam, sabe? Tá certo, porque nenhuma desculpa é suficiente prum pé na bunda. Tragédias, atropelamentos, assaltos…e por isso perdeu o celular com meu número… Ou então, catástrofes mais comuns, tipo:

- Eu sabia que meu vestido tava muito piranha. Ele assustou porque é moço direito.

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Esse é o tipo de idéia errada que sempre passa na cabeça de menina. Na idéia de um homem não existe COMO estar muito piranha, e não existe como “estar muito piranha” e não agradar um homem que tu acaba de conhecer.

O homem quando vê uma mulher com um vestido sensual, toda tirintintoza, NUNCA vai pensar “nossa, que piranha”, boba! Ele vai pensar “Nossa, que gostosa”.

A mulher do lado pode falar “nossa, que piranha”, e aí o homem vai se ligar e pensar “ah, tá. Então, eu tô entre uma vadia e uma despeitada. Entendi”.

Mas, pode ter certeza que não foi por isso que ele não te ligou. Entre as duas, eles com certeza ligam pra vadia. Seria bom deixar clara a diferença entre “estar” e “ser” vadia, mas agora nós devemos voltar ao assunto. Homem fênix.

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Ele some, parece que foi incinerado da face da Terra!

Então, a gente precisa estipular um horário pro sofrimento acabar, né! Chega!

Aí, quando tu já esqueceu da pessoa, ele aparece. É sempre assim. Tu nem tá mais empolgada e ele ressurge. Esse é o homem fênix. É aquele que gosta de sofrer, só vai atrás quando acha que perdeu. Carece de queimar, passar pela combustão, juntar os farelhinhos, pra ligar de volta. Terrível, gente!! Hahhaha!

Ele também é conhecido como “teu passado te condena” ou “fantasma do Natal passado”. Sabe? Casos pendentes, mal resolvidos. Aquela pessoa que vira e mexe volta pra sua vida, pra atazanar sua cabeça.

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Habitat: Tu não encontra, mas ele te acha.

Risco: 8.9

Homem arroz – O complemento, nunca o prato principal.

É sempre o complemento. Sempre a segunda opção. Que nem o arroz, sozinho não é considerado um prato. Mesmo que tu enfeite, bote temperos, sempre vai acabar procurando uma carne ou frango pra te satisfazer.

No geral, são bichinho muito bonzinhos. Talvez os mais bonzinhos da espécie. De repente, porque carecem de ser, pra compensar a falta de outros dotes. Mais tímidos, humildes, meio afosolados, quando conseguem mais confiança são bons materiais pra casamento.

É o que tu despensa com 15 anos e casa com 30 anos. Kkkk!!

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Habitat: Tornam-se contadores, químicos, físicos…

Risco: 1.7

Homem Monet – Só é bom visto de longe

É aquele cara que tu vê numa balada e UAU! Você olhando de longe é lindo, maravilhoso. Todos admiram!

Mas se tu chega perto, é uma merda. Tu não entende nada, confuso, borrado…

Como alguém tão bonito se tornou… aquilo?! Já viu isso?!Um balde de água fria. Em segundos, avalie só, tu percebe que tem bafo, mora com a mãe, tem voz fina… Como diria a minha tia: Sai, que é rabo! Hehe!

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Habitat: Boates, onde se beija muito e fala pouco.

Risco: 7.8

Homem Corrimão – Todo mundo já passou a mão

Como eu posso dizer… ele é uma vadia! HAHAHA! Isso mesmo! Uma bitch rameira! È difícil definir isso pra homem, né? Complicado, porque pra mulher tem vários nomes. É puta, piranha, piriguete… E pra homem?! É homem mesmo, né?! Não tem outra definição…

Enfim, é um tipo muito comum. Tão comum que dispensa apresentações. Normalmente corresponde pelo menos a uma fase de vida masculina chamada “chutando o balde” ou “descobri a breja”. É um tipo que a gente chama lá de alma de gato, esse daí vive aprontando.

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Habitat: Qualquer lugar freqüentado por rapazes de 15 a 28 anos.

Risco: 7.7

Homem vampiro – Que suga suas forças vitais

Espécime perigoso e arretado. Perigoso porque, como muitas espécies animais, acontece primeiro uma anestesia e ele te suga sem você perceber. Um peguento. Nessa relação já aconteceu um processo de acomodação e dependência. Ou seja, o sujeito gosta é de ficar de neco.

Aí, rola uma transferência, e tu passa a ser a mãe dele e/ou hospedeira. O arretadamento começa quando tu tenta fazer ele tirar a bunda do sofá. Kkk!!

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Habitat: Com certeza, muito próximo de você.

Risco: 9.2

Homem Iara – Como a sereia, seduz com a voz e o olhar

Eles envolvem as presas com a arma da sedução. Pra isso, se expressam muito bem e sabem poemas de cor. (obs.: sempre desconfie de uma pessoa que sabe poemas de cor. A não ser que ela trabalhe com isso. Afinal, quantas vezes alguém precisa declamar um poema até decorá-lo?!). A voz aveludada e as frases certeiras vêm de muito estudo e prática. Costumam deixar suas presas sem ar antes do bote.

Mas, CUIDADO! Assim como a Iara, tudo isso faz parte de uma ilusão! Nada do que tu ouviu era verdadeiro! Só que tu descobre isso só no dia seguinte, quando o chamego acabar.

Esse sempre deixa a culpa pra sua vítima, fazendo a seguinte inversão psicológica:

- Você sabia que eu era confuso e sedutor e não era sério. Mesmo assim VOCÊ se deixou seduzir. Então, a culpa é sua se foi seduzida! E não minha, do sedutor barato. Reconhece?!? Humm…hihihi.

Fora do seu círculo e de sua rotina predadorística ele não sobrevive por muito tempo.

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Habitat: Barzinho, sarau, livraria… Normalmente tem empregos interessantes e sexys.

Risco: 9.9

Homem Denorex – Parece mas não é

O tipinho mais asqueroso de todos. A mentira é seu ponto forte, ele mente como profissional. Suas vítimas iludidas juram de pé junto que ele é um santo. Mas, por trás… ele é outra coisa.

Isso porque eles possuem técnicas milenares de auto-piedade, controle do corpo e manipulação. Se fazem de vítima constantemente pra evitar uma conversa reveladora.

Tem o poder de estar em mil lugares ao mesmo tempo: pra a mãe está no amigo, pra namorada está na mãe e pro amigo, que o conhece, está onde ele pediu pra dizer que estava. Essa triangulação é tão bem feita que ele consegue cumprir sem deixar faltar nada pra ninguém.

Parece um amor, dedicado, trabalhador, fiel… Mas não é.

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Habitat: Ronda ambientes com vítimas inocentes e de primeira viagem.

Risco: 9.9

Homem Pacote – É o pacote completo.

Espécie em extinção. É aquele cara que consegue entregar o pacote todo: ele é lindo, simpático, engraçado, interessante, inteligente mas descolado, tem grana mas não é metido, e ainda… é hetero. Avalie só, isso é incrível!! Hahah! Não diria que são perfeitos… afinal, gosto é gosto… mas estão quase lá.

O problema é que a competição é grande e, a não ser que tu também seja um pacote, essa perfeição toda vai te encher o saco. Ou não… se você achar uma espécie dessa, liga pra contar!!

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Habitat: Desculpe, mas se eu soubesse não dizia de jeito maneira

Risco:10.0

A última consideração que eu deixo pras meninas é: fique atenta ao seu nível e predador. Isso aqui é uma prestação de serviços com base em pesquisas avançadas, intensive course!

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Então, encontre-se, abrace a causa e, se tiver coragem, adote uma espécie. Mas, só aquela que tu puder dar conta, visse?

Ou seja, não vai quer pegar um pacote, se tu só quer um arroz. Não sabe, deixa… o telefone dele pras amigas. Kkkkkkkk!!!