Ed.08 - Defina “Amor” (por Victor)

By admin On maio 31st, 2009 in Crônica, Victor /

Há muito tempo já me conformei que o assunto prevalecente de minhas conversas seria “o amor”.

E é isso que está a acontecer em meus textos, consultas e… vida. Quão intrigante é este grande agente de transformações?

Digo, o amor é tema tão recorrente, pois é parte de uma busca constante, porém não se pode buscar o amor, deve-se esperar ele acontecer.

Acredito que por essas as pessoas fiquem impacientes. E neste meio tempo, o que será que todos estão a esperar?

Para definir o amor existem várias formas, algumas bíblicas e outras poéticas, mas entendê-lo já é grande desafio.

Talvez, ao invés de dizer o que é o amor, devêssemos dizer primeiro o que ele não é.

Uma das principais falhas, ao meu ver, é quando confundimos o sentimento com a situação.

Em primeiro lugar, deve-se separar a idéia de amor das demais, tão facilmente confundidas.

O amor é algo mais, muito além de um relacionamento. Mas devo dizer que um relacionamento não é baseado apenas no amor.

Vou explicar-me melhor:

Um amor vive sem sexo, por exemplo. Um relacionamento, não. Um relacionamento precisa do amor, mais também precisa de desejo, cumplicidade, afinidade…

Relacionar-se, talvez nessa concepção, seja mais difícil que amar. Pois é um conjunto de tantas coisas mais reais e rotineiras, que lhe ofuscam a beleza e exigem tanto, enquanto amar é sempre terno.

O que digo é que, é possível tu amares alguém que não pode estar ao teu lado. É possível amares alguém que ama outra pessoa, ou que já não vive mais entre nós.

Por essas, existem pessoas com quem, por mais que tu ames, não consegue se relacionar.

O relacionamento precisa de amor, sim. Mas não apenas dele.

Não tiro a importância do amor em um relacionamento, digo que, durante este, não se ama uma pessoa da mesma forma e com a mesma intensidade todo o tempo. Existem “marés”, e assim, momentos de maior expressão, e outros onde seu foco muda temporariamente. Vejo que isso é uma grande decepção para muitos casados que sentem-se negligenciados.

Entenda que, claro, a maré não pode secar. Mas o equilíbrio, em meio às oscilações, é fundamental e torna tudo mais divertido. “Viver de amor” é apenas força de expressão, pois várias outras coisas também estão a acontecer na sua vida e na do parceiro. Nem sempre é possível ser prioridade. E não significa que o amor não esteja ali.

Também, não se pode confundir amor com paixão ou atracção.

Eles são bem diferentes, claro. A paixão acontece de uma forma avassaladora. Ela atormenta, confunde, destorce, hipnotiza. Uma força eufórica que depois se vai, a deixar os rastros de sua impetuosidade. Mas, que delícia é apaixonar-se e ainda conseguir apaixonar-se todos os dias por aquela pessoa.

Esta atracção irresistível tem muito a ver com o amor, mas também não é o amor.

Pois ela é muito mais carnal, mais tátil, enquanto o amor seria uma atracção mais sentimental, até espiritual ou filosófica.

Por essas, o amor firma-se com o tempo, diferentemente da paixão. O amor vai a descobrir-se no passar dos dias, nas intimidades e a partir do momento que tu desvendas aquela pessoa.

Eu digo, correndo o risco de ser repreendido, que reconheço mesmo o amor conforme os detalhes. Quantos mais detalhes tu sabes e registras sobre alguém, mais amor existe. Pois existe um interesse genuíno sobre a pessoa.

O que normalmente se explicaria por algo do gênero “Amo porque amo. Amo porque é ela”, lê-se como, “não existe no mundo, nem por encomenda, alguém como ela”.

Um tanto inexplicável a sensação que lhe traz aquele olhar cheio de significados que tu já entendes. A maneira como prende o cabelo. Uma risada específica. Ou aquela mania irritante de cantar (alto e erroneamente) “I want to go”, quando a letra é “I wanna know”. Tudo isso é um conjunto praticamente afrodisíaco de detalhes particulares que constroem uma vida. Cultivados ao longo de um tempo de estudo.

Eu sei, sim, que existem os amores à primeira vista. Mas, será que novamente não estaríamos a definir errado? Não seria uma atracção, uma química à primeira vista?

Aquele primeiro olhar onde uma pessoa lhe impressiona possui uma conexão, mas não necessariamente para uma vida inteira. O relacionamento que vier daí se encarregará disso.

Com tantas interpretações do que é o amor, imagino quantas vezes as palavras “eu te amo” foram utilizadas a possuir o mesmo significado tanto para o emissor quanto para o receptor.

Na verdade, o termo foi popularizado de tal maneira que perdeu o sentido.

De qualquer forma, essa questão um tanto polêmica, que gera expectativas em novos casais, não deve ser levada a ferro e fogo.

Deve fluir naturalmente, ou pode cair em situações difíceis como: não sentir e dizer, ou sentir e não dizer.

Veja bem, é importante deixar claro ao outro o que se sente, a evitar as falhas de comunicação, e assim, podem chegar a um acordo justo sem prejudicar o parceiro ou a si mesmo.

Mas, em conclusão, estou longe de ser um mestre capaz de entender tudo o que concerne ao amor. E das experiências que observo, apenas posso tentar separar o joio do trigo.

Como psicólogo e estudioso, consigo ajudar-te a entender-se e nada mais.

Mas, como marido e pai, posso dizer o que acho do amor, pessoalmente.

O amor que encontro é presente e altruísta.

Basicamente, não busca razões de existir. É um compromisso de estar sempre ali, de um jeito ou de outro, sem calcular ou prever, inconscientemente. É algo que tu não consegues evitar quando ama alguém.

Ele tem a capacidade de confessar coisas que racionalmente tu nunca verias. E dentro destes detalhes puramente instintivos, tu encontras o prazer em estar rendido.

O amor, seja de que forma for, se é direcionado a alguém, ou a si mesmo, sempre envolve-se pela alegria e paz, onde tu verdadeiramente encontra-te.

Mais do que isso, não posso definir.

Ed.08 - Luta pela vida (por Alicia)

By admin On maio 27th, 2009 in Alicia, Poema /

Em águas hostis lutamos para não sermos apenas mais um

Abatido, perdido e morto.

Os caminhos corretos levam-nos ao princípio

Onde seguimos ferozmente o curso de tudo.

É preciso força, coragem e fé

E, talvez, haja uma chance de ressurgir.

A vontade que apresentamos em nos superar, acompanha-nos a vida inteira.

Nada apaga esta tendência

Nada afasta nossa garra

Na necessidade de vencer.

Sobreviver é algo que fazemos desde o primeiro segundo

E que procuramos manter até o último.

Há alguma súplica que não possa ser entendida?

Há alguma inclinação que, de fato, não ilustre a postergação do fim?

De onde provém a obstinação, se não de um impulso que deve ser observado cuidadosamente, na intenção de não ultrapassar outros?

Nada iguala-nos em tal nível

Quanto a capacidade de compreender tal desespero.

Portanto, acima de desavenças ou vitórias

Solidários surgem pelo amor à vida.

Ed.07 - O que fazer quando você tem ……… HIV (por Alê)

By admin On maio 25th, 2009 in Alê /

** COLUNA ESPECIAL - Guia do Alê

Olá a todos!!

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Estão bem, colegass?!! Hoje começo com a questão que não quer calar!

“O que fazer quando você tem HIV?”, essa é a pergunta que ecoa em nossa mente, assim que conseguimos assimilar o fatídico “Você tem Aids” e que inspirou toda a construção do portal e o início desse trabalho! (INFOS, INFOS!!)

Mas, quando procuramos informações elas chegam cortadas, muitas vezes errôneas e pouco objetivas. Mais ainda, materiais mais pessoais, que mostrem como é realmente a rotina, os cuidados e, talvez principalmente, questões psicológicas são difíceis de aparecer. Muita gente ainda hoje sente medo ou vergonha de se assumir soropositivo, o que dificulta a propagação de informações verdadeiras e reforça o preconceito. (Démodé!!)

O que ofereço a vocês então, além do desabafo e do ombro amigo, são informações simples e claras sobre a doença. Porque ainda no começo a última coisa que você precisa é ficar zigue-zagueando como barata tonta pela Internet a procura de orientação, e tendo que ver tanta besteira que aparece em alguns resultados. (Internet pode ser uma perdição mesmo, que perigo! :D )

Neste meio tempo, consegui coletar algumas informações que me orientaram e me acudiram nos momentos em que não sabia pra onde correr (eu sou uma pessoa mais jogging). Esse é um mundo novo e eu não conhecia as regras. Assim, tudo o que compete a primeiros passos é bem vindo para evitar tropeções. :D

Vão aqui para vocês alguns esclarecimentos básicos que passo pelo portal.

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Como encarar os primeiros momentos:

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– Em primeiro lugar, acalme-se, amore! (Segura o alarde mais um pouco!) Primeiro é importante perguntar, se já foi refeito o exame. O segundo exame é INDISPENSÁVEL e pode identificar um erro no resultado. Já vi acontecer de tudo, meu bem, não custa nada conferir!! Mesmo dando negativo, dentro de dois meses refaça o teste.

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– Uma questão que todos deveriam saber: O que é Aids e o que é HIV+.

“Existe diferença?”, você me pergunta e eu digo: “Sim, senhor”. Muitas pessoas se confundem, porque, enfim, falta a informação. (Terrible!) Aidético ou Soropositivo?

A Aids é a doença, em si. Quando apresenta os sintomas, pois o vírus se manifestou.

O HIV+ é o vírus presente no seu corpo. É possível você ser soropositivo, mas que ainda não manifestou a doença. Ele está incubado e pode ficar assim durante muitos anos, sem apresentar nenhum sintoma, até que desenvolva. Falam que é um período mais ou menos de oito anos que o vírus pode ficar incubado sem apresentar a Aids.

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– Confirmado o HIV+ ou a Aids, existem as primeiras informações do que você NÃO pode fazer para não propagar o vírus:

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Sexo sem camisinha

Compartilhamento de seringas e agulhas

Reutilização de objetos perfuro-cortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV

Transfusão de sangue

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Tendo isso em mente,

ESQUEÇA TODAS AS NEURAS E TABUS QUE EXISTEM!

Esses são os maiores jargões: A Aids pega, e a Aids mata. (Laisse tomber… deixa a tia explicar melhor…)

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– O HIV é transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno. Apenas isso foi realmente comprovado até hoje.

Então, beijo, abraço e aperto de mão, pode! (E deve, né! Por favor, amados…)

Nada de se isolar do mundo! Nada de ter medo em demonstrar e receber afeto.

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– “A Aids é a morte”. Calma aí, meu bem! Esqueça todas as “propagandas terroristas” como diria Betinho, que nos foram apresentadas até então. Com os avanços da medicina e cuidados recomendados por seus médicos em uma rotina saudável, nada garante a Aids tal poder.

Isso mesmo! Diferente da década de 80, hoje é possível viver muitos anos mesmo com a doença, de maneira saudável. Uma vida normal, social e profissional. (UHUU!)

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Ou seja, se você andar na linha, logicamente considerando que não é uma situação fácil como nenhuma doença é fácil, não é um bicho de sete cabeças ou o fim de tudo!

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Para que essa vida saudável possa se concretizar, o tratamento deve começar:

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– Vá a um infectologista e comece o quanto antes o tratamento com os antiretrovirais. Eles ajudaram a manter sua imunidade em um nível saudável e evitarão a proliferação do vírus.

Feito corretamente, como já foi digitado, pode garantir uma vida sem crises. Voilá! :)

Mas, lembre-se de NÃO INTERROMPER O TRATAMENTO e de seguir as orientações médicas.

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– Monitoramento médico freqüente. Isso significa fazer testes regulares com seu médico, onde ele vai ver se o tratamento está funcionando ou se são necessárias alterações. Não adianta nada um tratamento que não seja eficaz para você, ora!

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– Seguir uma vida mais light (acabou o relaxo, hein! Agora é tudo certinho!): boa alimentação e exercícios físicos ajudam na recuperação da resistência. (Além de cultivar o tanquinho, muito importante! Arrasa! ;)

A recomendação é alimentar-se de três em três horas. Além de mantê-lo forte, também ajuda a proteger o estômago das freqüentes ingestões de remédios.

A musculação é recomendada. Durante o uso dos anti-retrovirais, pode acontecer um acúmulo de gordura nas costas e abdômen.

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E por digitar sobre anti-retrovirais: O que você precisa saber e o acesso

O bom resultado aos medicamentos acontecerá se houver uma fidelidade de horários, doses e duração do uso. Sem isso fica difícil o organismo se adaptar! (Então, todo mundo com a tabelinha retrô na mão!!)

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– Pode haver reações adversas aos medicamentos. Fique atento e leve-as ao seu médico. O início do tratamento pode apresentar sintomas incômodos até o período de adaptação. (Eu sei… “Só faltava essa”!)

Mas, não para todas as pessoas! Se o efeito colateral for realmente insuportável, a solução é a troca do anti-retroviral. Por isso é tão importante o contato com seu médico, pois ele indicará o que melhor pode lhe servir e lhe dará orientações sobre o uso. Existem 17 tipos de anti-retrovirais distribuídos pelo Ministério da Saúde. (Sem desespero, bem!)

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– Os medicamentos anti-retrovirais são totalmente gratuitos e disponíveis nos SUS. (Programe-se!)

Agora, você já sabe o que é Aids, sabe dos cuidados e contágios, começou seus tratamentos e está começando a se sentir como em uma manhã de domingo que estava chuvosa e ficou ensolarada. Muito bem! Acho que agora a gente podia sentar pra conversa de verdade!
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O lado psicológico:

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Mesmo sabendo que com os tratamentos e cuidados existe a chance de vida longa, a Aids é, no mínimo, uma doença crônica. Como se não bastasse, é uma doença de grande impacto social, cercada de preconceitos, medos e informações erradas.

Mesmo que agora você saiba de tudo isso, a maioria não faz ideia.

A maioria das pessoas tem medo da Aids, e por isso deixam de ser delicadas ou solidárias. (Confesso que nos meus dias de TPM também não sou delicado com elas.. Pardon!).

Essas não consideram que o próprio aidético se enche de cuidados e precauções, não só para ele, mas para todos a sua volta porque ele mais que todos conhece sua condição. A última coisa que deseja é passá-la adiante!

Muitos vêem apenas uma sentença de morte. (BUUU!! Assustou?)

Daí relacionar-se socialmente, pode ser desafiador.

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– Por isso, existem grupos de apoio que esclarecem dúvidas e dão suporte. Em um primeiro momento, eu considero fundamental conversar com pessoas que compartilham de suas impressões e vivências. Abre o seu olhar para a vida, para as pessoas. E como fortalece!

Existem redes de apoio que orientam e possuem serviços públicos. Além de várias organizações e grupos voltados para o apoio ao portador de DST.

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– Se desejar procurar um dos centros próximos a sua região, no site http://www.aids.gov.br, do Ministério da Saúde, tem um link de Índice de organizações da sociedade civil.

Lá você pode procurar por região. Existem várias iniciativas em todo o país. Entre em contato!

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– Não esqueça de procurar o apoio em quem está mais próximo. Não importa qual é a doença, ela nunca afeta apenas você, mas a família toda.

O carinho e apoio entre todos ajudam e confortam. Dá coragem, dá base para enfrentar o mundo lá fora.

Eu sei que muitas pessoas, como no meu caso, nem tem ninguém por perto em uma hora dessas. Às vezes você não pode contar com os pais naquele momento, mas tem irmãos, primos, avós, ou até grandes amigos. Enfim, as pessoas importantes na sua vida são aquelas que lhe ajudam na transição. Não tenha vergonha de pedir um ombro amigo (ou um colo dependendo da intimidade!).

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– Uma das questões que mais atordoam é a “revelar ou não?”. Mentir, esconder. Cada caso é um caso, né? Eu preferi contar. Contei pra quem interessava, e os outros descobriram eventualmente. (Porque eu sou muito discreto e montei um portal!). Eu acho que, não falar sobre Aids só piora a situação. Como se fosse perigoso, ardiloso… como a maioria das coisas que a gente esconde. Me recuso a além de ter que batalhar com uma doença crônica ainda ser recriminado por tê-la.

Mas, novamente, lembramos a questão do preconceito. Tem pessoas que não querem lidar com isso e é direito delas. Não querem enfrentar algumas situações no trabalho, por achar um ambiente hostil.

Se você não está preparado para se assumir mesmo, você não está preparado para o tal ambiente hostil. Realmente.

Daí, essa questão vai de cada um. Mas aconselho que, pelo menos para que VOCÊ mesmo passe a aceitar a doença, converse com um psicólogo ou um amigo do centro. (Queridíssimoss).

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– Agora quando o assunto é namoro… aí tem que contar, né, gente! Não tem jeito porque a pessoa está diretamente relacionada a uma situação que poderá colocá-la em risco. É sacanagem não contar. Se vocês se amam e querem ficar juntos, se dá um jeito! Mas é direito da pessoa tomar tal decisão. Às vezes, é difícil. Vi casos de pessoas que se separaram, e de outras que não conseguiam se relacionar… Mas não desanime, sabe, você precisa de pessoas fortes do seu lado, e você vai encontrar alguém. Espere a minha coluna sobre a questão do namoro ou flertes sem compromisso! Depois entro em detalhes, amados… :D Paciência!

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– Muitos me falam que todos os relacionamentos que tem hoje, sociais e amorosos, estão nos grupos. Pois é mais fácil.

Mas não concordo com a ideia de isolar-se nos Centros. Não deve haver limites em relacionar-se com todos! Por isso eu insisto em dizer que, mesmo com o preconceito e desinformação, também é prejulgamento achar que TODAS as pessoas são assim limitadas. É possível viver normalmente, relacionar-se, trabalhar, amar…(Ulalá!) sem problemas. Mantenha a verdade e a responsabilidade e todos ficam felizes.

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Para finalizar esse guia, deixo para o final aquilo que deixei pro final. (Que eloqüente!) Depois de todas essas fases citadas acima, apenas uma coisa me impedia de seguir em frente:

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Enfrentar meu passado.

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Isso ainda era um problema! E me acompanhou durante todo o processo.

A verdade era a seguinte, não tinha um parceiro fixo e foram anos loucos da minha vida! (La vida loca, infelizmente sem o Rick em suas calças justas..) Não fazia idéia de quando ou de quem peguei. Não sabia se tinha sido de um homem ou de uma mulher, todos transavam livremente. Também usava drogas, achava que vivia em um Pulp Fiction tupiniquim.

Sei que para muitos não foi assim, não é necessária uma comitiva para pegar Aids. Um vacilo inocente já basta. No meu caso foi complicado (eu vivia na vadiagem, bem!) e comecei a pensar: “Para quantas pessoas será que eu passei? Qual delas me passou?”. Não sabia o que fazer. Como contar ou até contatar as pessoas com quem tive relações? Como se dá um telefonema desses?

Era difícil, mas mesmo depois de falar com aqueles ex-amigos (com os quais eu não fazia questão de manter contato) e descobrir de quem peguei, e algumas pessoas que provavelmente eu havia infectado, não conseguia ligar.

Mesmo porque não era nada certo. Foi tudo na dedução. Tomei coragem, e só depois da terapia consegui falar com as pessoas com quem me relacionei.

Me encontrei com elas porque, no telefone, me sentia um indelicado. No “cara a cara” não foi diferente, mas acho que rolou um respeito maior.

Foi pior do que quando tive que contar para os meus pais! Mas, eu senti que era minha obrigação! Melhor que fossem feitos testes agora, do que descobrissem com a doença avançada ou passassem para alguém sem saber. Posso dizer que a sensação de culpa é terrível. Mesmo que você nem tenha culpa.

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Não adianta! A gente sempre paga o preço da irresponsabilidade. C’est la vie!

Mas, pelo menos, conseguimos seguir em frente. Esses são os passos que eu sugiro. Muita força na balaiagemm pra vocês, lindinhos!! Bon courage!

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A todos agradeço a atenção e o interesse! Não esqueçam de passar a palavra!!

Alê.

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Ed.07 - A união dos sentidos: Sinestesia …….. (por Noel)

By admin On maio 20th, 2009 in Conto, Noel /

É uma delícia conversar com a Maiara. Literalmente. Maiara foi a primeira mulher que fez esse pobre mancebo aqui suar de nervoso, tremer de desespero e sorrir sem motivo, e isso tudo bem antes de conhecer a moça de verdade.

Por sorte ou favor do acaso, ela era uma das espectadoras assíduas das apresentações que eu fazia com meu pai, na adolescência. Ah! Deixa eu contar que nas noites calorentas de fim-de-semana eu ajudava meu pai fazendo apresentações como ventríloquo enquanto ele tocava o acordeão, e isso se deve, primordialmente, porque meu pai já foi chamado o maior acordeonista que esse país já pôde ver, tendo sua música reconhecida e reproduzida até mesmo por Luis Gonzaga!

Bom, por causa disso, aqueles shows sempre muvucavam gente de toda parte e qualquer um podia ver de ponta a ponta do salão pessoas atentas e cordiais a nossa arte, enquanto eu mantinha minha atenção e cordialidade a uma jovem que, sorrateiramente, adentrava o salão e com seu jeitinho meigo e doce conseguia pegar o melhor dos lugares, bem ao alcance dos meus olhos. Nossos encontros viraram de rotina e eu ansiava de ver aquela formosura em seus vestidos de burgaliana, imaginando quem ela seria e donde vinha, e assim profundamente acreditava que ela não havia de ser alguém ordinário, ela era diferente. Certamente. Mas, eu tinha 16 anos e o que eu havia de saber do mundo? Neca! Nada mesmo… a não ser que Maiara era a mulher da minha vida, e que meu maior desejo era que ela compartilhasse do mesmo juízo. Afinal, por que ela iria tanto ao meu encontro? Por que fazia evidência, se só apresentavam mesmo eu e meu pai? Achei de pronto que o mundo não podia ser assim cruel de fazer Maiara apaixonar com seu futuro sogro, porém esse pensamento assombrou um bocado e fui ficando mais e mais impressionado à medida que espiava que ela, realmente, olhava bem mais para o meu pai do que para mim. Que dureza! Então, sem saber direito como fisgar sua atenção, sendo apenas um garoto apaixonado e iniciante na arte dos palcos, comecei a notar que quando eu falava coisa engraçada ou divertida ela tomava uma expressão de prazer e olhava para mim com um sorriso largo, o que estimulou rapidamente esse rapaz aqui a inventar cada hora um texto diferente e a ter coragem de improvisar, com a boa intenção de agradar a moça. Daí, eu apenas dizia uns trem que, na butuca, descobria que ela gostava e passava noites a fio escolhendo as palavras certas, num texto cada vez melhor, cada vez mais tocante.

Após alguns meses, senti que estávamos mais chegados, e, em um lapso besta, decidi fazer uma apresentação mais despojada, pois calculei que tínhamos conquistado uma intimidade onde podia haver um certo atrevimento, não carecia ficar matusquelando aquele tanto de tempo sobre o que eu dizia. Pois, afinal de contas, todos sempre gostaram do “boneco mal-criado” falando asneira para o ventríloquo. Esse foi um erro enorme. Logo que comecei a fazer a tal da brincadeira vi a careta de nojo no rosto de Maiara, estranhamente, e não entendendo nada, acabei por seguir com a apresentação, até que falei o primeiro palavrão, daí ela saiu troada e trancou no banheiro. Parei imediatamente. Não sei se parei por respeito ou choque. Só sei que fiquei sem um pingo de reação e tentei adivinhar se tinha feito alguma ofensa, já que não tinha idéia de que a dona era esse tanto puritana, ainda mais desse ponto de causar mal estar.

Naquele momento, eu estava bastante chocado, e por causa disso, conclui o show ali e meu pai, sendo bom de serviço como é, com sua sabedoria e anos de experiência, deu conta de conduzir a atenção do público para ele, não deixando ninguém notar o vazio do palco. Na hora, ele comandava a atração, enquanto eu, na porta do banheiro, esperava ansiosamente para saber o que havia sucedido com Maiara. Enquanto ela saía, viu que eu estava lá, ficou imediatamente vermelha que nem pimentão e desviou o olhar, porém, o meu olhar estava totalmente nela e não tinha jeito de arredar dali, daí eu matutei sobre a ironia dos acontecimentos, já que, para quem passou aquele tanto de dias flertando sob luzes e músicas, esse primeiro contato foi nada romântico. Só que eu queria saber se ela estava boa, e no nervosismo do momento despejei: “O que eu fiz? Eu fiz algo de errado, isso é certeza…”, e a menina, ainda com uma feição de enjoada, não sei de certo porque mas fez questão de ser simpática, o que me deixou ainda mais doido com ela:“Não foi nada não! Você não tem culpa”. Finalmente, ouvia suas palavras e conhecia sua voz, e durante esses segundos de devaneios um tanto inocentes, ela afastou de mim, bom, mas não havia jeito de remediar, pois estava firme na idéia de que tinha chegado até ali e recusava regredir dessa conquista. Ela, porém, apertava o passo, correndo rapidamente, obviamente fugindo de mim. Depois disso, entristeci: “Acabou”, pensei: “não existe mais o encanto. Ainda por cima, levei taboba”, e fui para casa, não podendo deixar de assumir toda a culpa por aquela noite, por fim conclui:“Eu assustei ela! Não deveria de ter cruzado a linha. Ela há de detestar minha pessoa!”. Nos próximos dias em que ela não apareceu, tive a certeza de que sua ausência era uma repreenda de algum erro que eu nem sabia de certo se havia cometido mesmo. Ô sensação larga e chata que nem iapa! Contudo, aproveitei esse período da punição para mor de refletir sobre o poder das palavras e tudo aquilo que elas são capazes de causar, e o quanto tantas vezes elas são distribuídas sem critério e outras vezes a gente arrepende de não usar elas, que nem quando você diz tudo o que não devia, menos o que gostaria. De qualquer forma, minha grande culpa era… calar, e, talvez, se tivesse a chance de mudar isso, tudo havia de mudar. Mas, Maiara tinha corrido de mim, e eu não sabia para qual direção.

Foi quando dois meses depois, avistei a menina numa quermesse perto do centro, e de pronto tentei seguir, só que perdi ela na multidão, porém, predestinado ao reencontro, fui fuçando cada centímetro daquela feira colorida, passando por barracas e pessoas barulhentas, e balões gigantes e fogos, e mais acima no final da rua, estava ela. Lá repousava a bela jovem que roubou meu coração e saiu avoada, com suas sapatilhas azuis e um vestido branco de flores, e aqueles cabelos meio presos por um frisete que dançavam no ar enquanto ela parada, mas ofegante, observava minha aproximação.Cautelosamente perguntei: “Você está boa?”, a que ela respondeu cansada: “Muito barulho. Não encontro minha tia”, portanto quis ajudar: “Posso ajudar a senhorita…”, e logo recebia a recusa: “Não”, mas, pelo menos, completou delicadamente, “não posso voltar para lá agora não”, e daí eu fiquei curioso por demais com tudo aquilo ali: “Mas o que há com você?”. Naquela hora, Maiara não estava mais cansada, na realidade, estava triste e nervosa, com os olhos cheios de lágrimas, que foram contidas tanto quanto sua explicação: “Tenho algo… sou diferente”, e se essa era sua tentativa de afastar minhas intenções, poucas coisas poderiam ser ditas e me deixar mais arrebatado. Ela era especial e isso eu já sabia e no instante que respondi “Eu sei que é, uai!”, ela ficou tanto surpresa de ser compreendida que resolveu explicar melhor. Por segurança.

Maiara é um caso raro de pessoas que conseguem associar vários sentidos a uma mesma ação, então, ela junta a visão, a audição e o paladar. Por exemplo, ao ouvir uma música, ela não apenas ouve, mas também vê cores e, se bobear até imagens, e quando ouve palavras, sente o gosto delas. Por causa disso, na apresentação ela olhava tanto meu pai, e aí estava explicado porque nas apresentações que eu ofereci palavras bacanas, ela sentiu prazer, e no dia que distribui palavrões, ela sentiu a boca suja, e lá na quermesse não foi diferente, ali a pobre teve de enfrentar sozinha um turbilhão de sensações ao mesmo tempo. É pura intensidade, e se chama sinestesia.

Fiquei interessado por demais, maravilhado por aquilo tudo, e comecei, compulsivamente, a perguntar que gostos as palavras haviam de ter e descobri que meu nome tinha gosto de bolo de frutas, e o dela de peixe fresco, o que, por um minuto, preocupou já que esses dois não combinam nada, em seguida ela contou que a letra A é muito saborosa e a palavra “madeira” é sua preferida, pois tem gosto de chocolate com canela, e também, que a nota SOL é azul, MI é amarelo, DÓREMI é laranja e que a sexta menor é cremosa. Entretanto, nunca bastava minha curiosidade e eu continuava perguntando tudo que vinha na minha cabeça para ela, a que ela respondia meio acanhada, e aos poucos, vi que minha empolgação deixa ela desconfortável. Falta de delicadeza minha, é mesmo. Maiara, afinal, era uma menina muito solitária, pois não era com todos que podia falar, não era tudo que podia ouvir, é, portanto, uma pessoa com a qual você precisa mesmo medir suas palavras. Seus campos de audição um tanto de vezes necessitavam de ser limitados, já que um grito era insuportável, e ela foi crescendo calada demais, distante e diferente. Você há de entender que, ela via e sentia coisas, que todos os outros não podiam, não é não? Isso é o mesmo que descrever precipitadamente alguém louco, e era assim que na maioria das vezes ela era tratada. Então, Maiara não queria ser especial, não queria exibir suas habilidades, porque o que ela queria era assim: contar o que sentia sem medo, e depois, ser apenas uma garota proseando com um rapaz.

Acontece que, eu podia bem oferecer isso para ela, pois amava a moça, de verdade. Ela disse para mim que gostava de ir aos shows, por causa que apesar de ter sensações diferentes, todos ali estavam envolvidos naquelas músicas e palavras e ela sentia que era normal, e que nos momentos que eu espiava ela, apenas a garota da fila da frente, ela sentia que podia ter uma vida comum. Entretanto, existia algo em Maiara que não era comum e que não podia ser esquecido, era algo extraordinário, um show particular, e eu disse para ela: “Todos nós temos algo único e todos temos segredos que os outros nunca entenderão. Nisso você não é nem um pouco diferente”. Eu não podia ser fingido, levando em conta que tinha apaixonado com ela justamente porque ela não era igual às outras, afinal, para mim, ninguém sorria que nem ela sorria, ninguém tinha tamanha sensibilidade. Não senhor!

Foi naquela noite, do primeiro de tantos outros beijos, que eu também, pela primeira vez, senti que era normal. Nunca tive a coragem de perguntar o que ela sentiu ou viu, mas sei que algumas lágrimas escaparam e seu olhar brilhou novamente, e ela cochichou: “Eu queria poder compartilhar com você tudo isso”, mal sabendo que eu também passava por uma experiência sem medida de beleza. Essa foi a mulher que ensinou para mim o poder das palavras, que até hoje carrego comigo com respeito, cuidado e admiração, sabendo que cada uma delas causa uma reação.

Ed.06 - Mudança na língua (por Kaká)

By admin On maio 17th, 2009 in Crônica, Kaká /

Qualé que é esse negócio de
mudança na língua portuguesa?!? Que leseira!! Pensei que tinham esquecido, mas aí ontem meu editor veio cobrar as correções…

Não que eu seja, assim, seguidora de alguma das regras. Sim, muitas delas mudei por conta própria. Mas, as poucas que eu sabia já não servem mais de nada! Sacanagem… haha!!

Porra, se fossem mais rápidos talvez eu não tivesse reprovado tantas vezes em português.

Se tudo o que eu aprendi, ou fui obrigada a aprender na recuperação, não serve mais, quero reembolso, visse! E tem mais, por todas as broncas que eu levei sobre tremas e acentos e hífens, eu quero desculpas. Por escrito! Kkkkk!

O problema é que agora ferrou! Nem se eu quisesse aprender eu não conseguiria agora de jeito maneira. Depois de velha eu não vou reaprender essas merdas! Está tudo gravado na minha memória.

O pior é isso!! Todo mundo vai saber o quanto eu sou velha!

Eu sou da geração que botava acento em ideia. Nooossaa!! É como aquelas pessoas que usam o PH em farmácia, né?! Só coróco faz isso! Tu sabe do que eu tô falando…

Passei a vida escrevendo assim, e agora tá errado? Quem são eles pra falar a pulso assim comigo?!? Os donos de todas as letristicas consonantais do mundo todo… mundialmente falando… blá. Tá certo, eles tem mais é que me mandar calar a boca mesmo! Hahahaha!!

Fiquei toda confusa!

Agora, tem coisas que a gente já fazia sem a permissão deles, né? Tipo, trema deixa de existir. Quando ele existiu?! Quem usa trema?!? Pra mim que nunca botei mesmo, tanto faz.

Tem o negócio do hífen também, né? Tiraram hífen de quase tudo. Dá hora! Acho que eles tavam lendo os meus textos, porque isso tudo é coisa que eu já fazia!

Mas tem um negócio de ter que duplicar letra lá, que eu não vou duplicar não. Acho estranho.

Parece errado! Heheheh… Com ífem or without you, uátch éver!! Falando nisso…

Sabe que por essas novas regras tu também vê os efeitos da globalização. O “w”, o “y” e o “k” finalmente conseguiram entrar no alfabeto. Estão all over the places.

Demorou, mas eles foram se infiltrando. Foi nascendo Washington, e foi nascendo Kimberlie, e foi nascendo Yvone, com ‘ipsilone’ que é mais chique! Tá certo!

Vamos rezar pro mandarim não ser a próxima língua dominante, se não vai pular pra 50 letras do alfabeto, todos aqueles risquinhos estranhos.

Deve ser complicado anotar recado com aquela letra, não?! Sim, porque até fazer uma casinha daquela eu já perdi a mensagem. Tu desconcentra, quando vê já tá desenhando uma cerquinha. Tu se perde no desenho, não é normal pra gente.

Sabe o que também não é normal?

Cara, escrever enjôo, vôo… tudo sem acento. Achava legal se eles tirassem todos os acentos. Mas, não. Eles só tão tirando os que eu sei, que são os mais fáceis.

E desnecessários. Droga…hahahha!

Quando eles falam coisas do tipo:

- Não pode usar circunflexo apenas “nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos blabablabla”.

Pra mim é a mesma coisa que falar:

- Então, desencana do circunflexo. Você não vai conseguir de jeito maneira. Kkk! Deixa pra lá, vai!

Mas nada me deixou mais preocupada do que o tal do acento diferencial, gente. O bicho não é mais usado pra diferenciar algumas palavras com a mesma escrita, tipo:

“Pára” e “para”, sabe? Isso vai confundir PARÁ/ A caralho!

Que mundo é esse que nós vivemos hoje?! Como assim é a mesma coisa?!

E tudo isso pros caras me dizerem que essas mudanças alteraram cerca de 0,5% a 2% do vocabulário brasileiro. Acredita?

Cara… então, pra que é que se dá ao trabalho?! Me explica o motivo do fuzuê. Não dava pra deixar juntar pelo menos uns 10 % pra mudar?!? Hehehe!!

Avalie só!! Vontade de complicar as coisas e encher nossa cabeça, né!

Ah, não! Vou deixar tudo como tá. Se nem meu Word consegue mais corrigir os meus erros, quem sou eu pra competir!

Afinal, a minha escolástica é a minha fodástica!

Ed.06 - Tolerância (por Manô)

By admin On maio 13th, 2009 in Crônica, Manô /

Achei engraçado quando abri meus e-mails hoje e vi o tema “Tolerância”. Pensei:

Não, não sou obrigada! Só pode ser pra me zuar!

Pois, bem… É verdade. Vivo um conceito que me permite olhar o mundo com uma certa desobediência.

Sempre fui contestadora e pavio curto. Nunca suportei pessoas que acham que dominam a verdade universal. Para mim, a sabedoria não tem nada a ver com a quantidade de informações que você possui. E sim, com a sua disposição em aprender. Seja de um intelectual, seja de uma criança, seja de mim!

Está foda achar pessoas íntegras, que respeitem sua verdade e também as dos outros. Também falo de ética aqui.

Por isso, fica difícil exercitar o poder de tolerância no nosso dia-a-dia. As pessoas desse país são tolerantes demais! Conclusão, a tolerância é super estimada.

Parece que ainda esperamos, como crianças de bunda suja, alguém cuidar da gente. E quando alguém faz o mínimo, nós achamos que somos queridos. Pena que não, não é o caso. Até que ponto é possível tolerar essa humilhação?

Desculpe se eu sou completamente intolerante à incompetência e falta de respeito que nos são distribuídas todos os dias. Mas aceitem isso como forma de retribuição. É singela, mas é de coração.

Não tem como não ser também intolerante a esse conformismo do caralho que impera no Brasil.

Espero, sinceramente, que a próxima geração seja melhor que a nossa. Essa nasceu tolerante demais e idealizadora de menos.

É intolerante ter tanta força jogada fora!! Mas, talvez vocês tenham razão. Sou uma extremista, uma radical. E, às vezes, poderia usar bem um pouco de equilíbrio na minha vida.

Mas, na verdade, essa intolerância toda vem da longa observação de muitas merdas e desvios inescrupulosos. Não me dou mais ao luxo de ser imparcial. Como todos estou de saco cheio de ver tanta coisa errada! Como poucos tenho tempo para divagá-las e meio para divulgá-las.

O importante é mostrar que estamos pensando, mesmo que sejam pensamentos contraditórios. Na tentativa de chegar a suas próprias conclusões. Estar certo sobre elas é outra história. Faço o seguinte, não passo muito tempo deduzindo se estou certa. Porque sempre me achei no direito de estar errada. Eu falo, afinal, apenas o que acredito.

Eu não meço muito bem o que falo. Ainda vivo aquela estupidez da juventude. Que acha que tem o direito de falar o que quiser porque não deve nada a ninguém.

E talvez seja essa estupidez intolerante que nos falta. Talvez ela seja a coragem daqueles que podem, um dia, levantar a bunda da cadeira e tomar uma decisão. E finalmente fazer uma poeira levantar!

Ed.05 - Impérios (por Alicia)

By admin On maio 10th, 2009 in Alicia, Poema /

Todos sonham com impérios

Mas, estes causam mais intempéries do que prazeres.

Deixa-nos desconfiados

Põem a prova tudo o que somos.

Qualquer poder traz apenas tranqüilidades temporárias.

Ao tempo em que elevam

Também derrubam

Torna-nos tensos

Inquietos

E levemente infelizes.

Sentimos isso porque não são nossos

Assim como todos os bens não são de ninguém.

E, se este domínio nunca esteve a nosso alcance, pelo que continuamos a digladiar?

Qual o propósito real na construção de nosso próprio cárcere?

Quem pertence a que?

Afinal, tais benefícios não são fiéis

Eles migram de mão em mão dos mais ágeis

Permanecem com quem é capaz de fazer mais por eles.

Mas não devemos desanimar quando se trata do que, do fato, importa.

Tudo aquilo que lhe pertence contigo está

E não há motivo para temer.


Tudo o que somos em nós vive

E não pode ser roubado.

As ostentações não nos cabem

Por isso, não precisamos ter a paciência de sustentá-las.


Precisamos de bases sólidas em nossa morada.

Na simplicidade encontramos paz

E nela, encontramos nossa felicidade.

Ed. 05 - Já fiz! Homenagem ao Dia das ……… Mães (por Kaká)

By admin On maio 5th, 2009 in Crônica, Kaká /

Pô, esses dias fui visitar uma antiga amiga, né. Nossa, há muito tempo a gente não se via. Também ela seguiu outro rumo, casou, teve filho. E eu… não quero falar sobre esse assunto agora. Kkk!!

O que eu quero falar é o seguinte, um negócio que eu reparei na visita é o quanto as coisas mudam quando a gente tem filhos. Assim, muito mais do que as outras pessoas sem filhos podem pensar, visse. É incrível visitar gente que tem criança, é onde se desmonta todo o brilho exibido pela posição materna. Aqueles comerciais de dia das mães ou do Hipogloss com o bebê bonzinho que dorme a noite… Gente, com certeza são feitos por quem nunca foi mãe!! Kkkkkk!!

Crianças são sinceras, são folgadas e tem a mão melada. A verdade cruel é que tu acha bonitinho porque é teu. Porque quando não é, tu acha bonitinho só nos primeiros 5 minutos!

Por isso deixei a minha amiga falando sobre sua mega blaster-aventura materna, como se estivesse interessada, porque queria dar um apoio moral. Fiquei deprimida vendo aquela mulher baladeira, linda, viajada, falando de pomada de assadura e dente no telhado, como se essas fossem as melhores histórias de sua vida. Eu sei que não são, eu estava lá naqueles bons tempos, e com certeza ela tem muita coisa pra contar e, agora que é mãe, pra esconder. HEHEHE!

Fiquei reparando na casa, porque assim que ela casou eu fui lá ver a decoração fodástica que ela fez. Decoradores chiquéerriimos from Europe fizeram a casa dela. Agora tu dá sorte se conseguir ver o chão. É brinquedo em todo o lugar! Ela teve que tirar tudo o que quebrava de perto, tudo o que tinha bico, tudo o que cortava e tampar todas as tomadas. Sobrou o sofá. Acredita? Mesmo assim o sofá estava manchado já. Olha que merda!

Agora vou ser má visse, mas não consegui não reparar na aparência dela. Essa amiga é uma mulher lindíssima. Mas, olhando pra ela tu vê uma mulher cansada, sabe? Free style?? O moletom e o peso extra dizem tudo. Nada de salto, agora só sapatinho. As olheiras denunciam: Essa criança não dorme a noite, ela sacaneia. Hahhaha! A isso eu fiz a seguinte brincadeira:

- É mesmo, né?! Baladeira puxou a mãe!.

Mas o comentário não agradou muito. Não sei se ela queria encobrir o passado ou se fazia tempo que … deixa pra lá!

Mas, o que mais me chocou foi o cabelo… Aquele cabelo lindo que ela tinha o maior ciúme agora estava curto, muito curto. Porque é que toda mãe de primeira viagem bota o cabelo curto? Apesar de já ter dois filhos, ela manteve o corte joãozinho. Mas mudou, pelo que eu percebi, todo o resto.

Agora, mãe é mãe, né?! Ela trouxe o bichinho pra eu ver… o que acho bem bizarro, tu mostrar seu filho, tipo: “Olha o que eu fiz!!”.

Pior é que mostra com uma empolgação que só pode vir de alguém que esqueceu que existem cerca de 6 bilhões de pessoas no mundo… não é novidade. Kkkkk!!

Mas, enfim, ela trouxe a criança e vamos falar a real, todo recém-nascido é feinho e enrugado. Não tem cara de nada. Aí ela me perguntou:

- Com quem você acha que parece?!

Eu ia chutar “um coala albino”. Sorte que ela me interrompeu:

- Você não acha que parece com o meu irmão?!?

Aí eu emendei: - Sim, sim… é verdade!

Cara, de onde as pessoas tiram esses negócios?! Não carece de parecer com nada! Mas, ela acha que parece com o irmão dela. E acha que eu também tenho que achar, apesar de nem lembrar do sujeito. Se eu fosse o irmão dela ficaria arretado por ela dizer isso pras amigas. Eu, pelo menos, perdi o tesão de conhecer o irmão dela naquele minuto. Kkkk!

Toda mãe acha o filho bonito. Mesmo que ele não seja. Isso tá certo! Sim, porque se a sua mãe não te achar bonito, fudeu, né?! Ninguém mais acha! Vai crescer com que auto-estima?! As mães estão certas porque elas mentem por amor, elas se enganam também!

A mãe se cobra, né?! “Eu fiz o melhor que eu pude! Ele é lindo!”. E mentaliza.

Pois é, aquela criança era feia. Mas, o pai também é, então não haverá preconceitos. Heheh!

Eu sei, eu sei!!! Como posso fazer esses comentários sobre a experiência mais incrível de todas mundialmente falando?! Talvez quando eu for mãe eu descubra o amor incondicional e veja só os prazeres dessa saga, e esqueca as birras, os chororos e telecotecos, a canseira, mas vou falar que pra quem tá de fora, é bem assustador! Não acho de jeito maneira que pra quem tá de dentro também não seja, apesar de ninguém dizer!

Tanto que teve uma hora que a minha amiga não sabia o que fazer…

Quando finalmente a conversa mudou de rumo, a criança, agora a menina de 4 anos, vem cochichar no ouvido da mãe. A mãe despacha com um:

-Vai lá, depois me chama.

Sem graça, continua a conversar. De repente, a menina grita pro quarteirão ouvir:

- Mãe, já fiz!

Ela ficou ultra power extremily fitness sem graça, pediu um minutinho. Eu dei, lógico. Ela foi lá socorrer a garota.

Mas fiquei de longe, porque por mais hilário que fosse presenciar a “piriguete da noite” limpando a bunda da criança, eu não podia correr o mesmo risco que passo com a minha sobrinha de jeito maneira!

Não sei porque a muleca gosta de mim né, sou uma tia muito atrapalhada. Hahhaha!! Às vezes acho que ela tá me sacaneando. Mas, toda a vez que eu vou lá e minha irmã está limpando suas nádegas fedidas, a bichinha vira e fala: - Você não, mãe. Eu quero que a tia ‘limpa’.

Puta que pariu. De onde vem essa idéia de pedir pros outros limparem sua bunda, cara. Que negócio chato visse!! Hahahhaha!!

Mas, daí veio uma reflexão. A criança só pede isso pra quem ela gosta e tem grande intimidade. É o privilégio e profundidade íntima do limpar a bunda. HAHAha! É uma entrega e confiança total. Tá certo, maior prova de confiança que essa é difícil de ver!

Sorte que as mães ficam sem graça e daí te salvam com um simples perdido na criança né… Mas é engraçada essa relação direta que elas fazem com intimidade, sabe?

Elas gostam de você, então te mostram todos os brinquedos, falam do colégio, chamam pra brincar, e se for o caso de tu estar lá na hora do banheiro, firmam laços na limpeza da bunda. Heheheh!

Avalie se nossa sociedade tivesse mantido essa tradição. Imagina quantas bundas tu conheceria nessa altura! Talvez reconhecesse as pessoas pela bunda.

De repente um “Eu não lembro da tua cara, mas a tua bunda… conheço de algum lugar..”. Hahahhahhahah!!!

Avalia só?!?

Mas, também esse “mérito” fica com a sua mãe, que foi sem sombra de dúvida a pessoa que mais te ajudou nesse quesito bundiário.

Ai, crianças! E suas pobres mães… É muito amor!

Ed. 04 - Cachecol e outros (por Noel)

By admin On maio 1st, 2009 in Conto, Noel /

Adivinha só! Dia desses, eu estava andando pela Rua dos Sinos, e na Rua dos Sinos eu avistei um senhor que parecia bastante com alguém que eu conheço. Ele usava um chapéu felpudo e vermelho demais, principalmente para um dia quente daqueles, e não parecia importa com a minha pessoa, mas eu também não importava com ele não, apesar de seu chapéu chamar minha atenção, pois já tive, uma vez, um cachecol da mesmíssima cor. Entretanto, o que é importante mesmo não é o cachecol, e sim as lembranças que este proporciona para mim. Você vê, são as pequenas coisas, contudo não são as pequenas coisas, porque as pequenas coisas são sobre as grandes coisas, considerando que tudo isso depende, na realidade, do ponto de vista. Gostaria de ser um tanto mais objetivo, mas não posso. Porém, posso sim, contar a história daquele tal cachecol.

Era inverno, e a cidade não costuma de ser fria, mas naquele ano foi, pegando todo mundo no pulo, daí eu tive de sair num dia daqueles, com um vento cortante, porque havia de fazer uma entrega de meu pai, que era carpinteiro: dois bancos de madeira e um violão. Ah, e isso tudo a pé mesmo. Até que cheguei a um ponto da rua onde a água das chuvas tinha inundado completamente a passagem, deixando paralelepípedos cobertos por um espelho d´água alto e terra enlameada. Parei ali para refletir sobre o que havia de fazer e sentei em um dos bancos. Eu, os dois bancos e um violão. Foi aí que um homem que passava espiou o mesmo estado lastimável que eu, parou, coçou a cabeça e virou meio carrancudo, foi em minha direção e sentou no outro banco, dizendo: “Rapaz, e agora, hein?”, então eu respondi: “Não sei, senhor. Estou pensando”, daí ele olhou novamente a rua, ponderando, e bronqueou decidido: “Bom, acho que não vai dar jeito, não. Não conheço essas banda e não vou ficar preso aqui. Tô com pressa”, depois preparou para seguir de encontro às águas. Bravamente, arregaçou bastante as calças e atravessou firmemente aquela rua. Naquela hora, eu raciocinei: “É…Eu poderia fazer isso”, mas, eu levava comigo dois bancos e um violão, e talvez não fosse a melhor maneira de atravessar, por isso decidi que havia de refletir mais um tiquinho antes de sair troado. Ô sujeito que medita, sou eu mesmo, uai. Logo, uma dona aproximou da rua, ofegante por demais, pois vinha correndo do vento desde a rua de baixo e acabou encontrando descanso no meu banquinho. “Nossa Senhora, que sufoco!”, ela resmungou com a bochecha rosada, e depois de alguns instantes levantou, articulando: “Conheço um atalho, a outra rua é mais alta!”, e seguiu um outro rumo. Matutei, “eu podia fazer isso também”, mas, após um pensamento de causa maior, analisei: “Aquela rua é mais alta, porque tem mais subidas e mais voltas. E eu, com essa tranqueira toda, não vou dar conta…”, portanto achei por bem esperar mais um bocado e pensar melhor sobre isso. Ainda mais que não queria fazer bobagem. Não, senhor. Então, uma senhora apareceu e pareceu mais intrigada comigo do que com a rua: “Ora, menino! Tá esperando um milagre? Essa rua só há de secar amanhã, bobo!”, a que repliquei: “Mas, o que posso fazer?”, e ela fez a tréplica, astuta: “Bom…eu vou cortar caminho pela casa dos vizinhos conhecidos até chegar na minha”, isso porque lá, as casas são divididas apenas por uma mureta. Falei gentilmente, “É uma boa idéia”, e ela foi embora. Mas, para mim não servia de neca. Além de não ter a tal amizade com os vizinhos da região, a minha bagagem era outra e meu destino também.

Bom, quando já estava vazio de idéia, vi um senhor de uma certa idade vindo bem devagar. No mesmo instante, ele identificou a situação e, calmamente, sentou no banco, depois disse: “Realmente, um dilema!”, o que eu achei engraçado, porque, de todos, era dele que eu esperava maior sabedoria. Mas, ele não deu uma resposta rápida ou totalmente irrelevante para mim. Ele foi a pessoa que mais tempo passou ali, do meu lado, simplesmente fazendo companhia até que eu chegasse a uma conclusão, e em um momento, comentei: “O que dificulta mesmo são os bancos…”, e ele observou: “Sim, mas eles são o propósito de você estar aqui, certo?”, e ainda confuso sobre que decisão eu havia de tomar, perguntei a ele, barganhando resposta: “O que acha que devo fazer?”, e ele ironicamente respondeu: “O que lhe é mais importante: os bancos ou os sapatos?”. Como aqueles eram meus únicos sapatos, a resposta não foi difícil. Estrategicamente, o que fizemos foi, por todo o trajeto da rua, colocar um banco na frente do outro, pulando um por um, até o final desta rua, e foi bastante divertido, todavia exigia uma coreografia perfeita que rapidamente dominamos, e nós dois conseguimos encontrar um ritmo tanto sincronizado que o fim da viela chegou e nem ficamos sabendo. Daí, quis retribuir toda a consideração que aquele senhor havia prestado a mim acompanhando ele em seu caminho antes de cumprir o meu. Durante o percurso, não resisti de curiosidade em perguntar porque ele havia dado tanta comporta para mim e ele contou: “De verdade, mesmo, por causa do violão”. Afinal, ele começou a prosear sobre sua juventude, e sobre como naqueles tempos adorava tocar violão, porém seu pai não gostava nada dessa vocação, e por isso não foi um grande músico, mas o primeiro violão que deu conta de arranjar era incrivelmente parecido em cor e tamanho com o violão que eu tinha às costas. Foi isso daí que de primeiro chamou sua atenção, nossa identificação, e apesar do instrumento não ser meu, fiquei lisonjeado demais com a comparação e agradeci pela ajuda com os bancos, a que ele despachou: “Oras, ajudou-me no meu rumo também, não?”. Ao chegarmos na sua casa, eu decidi dar o violão para ele, de presente, e ele, sem palavras ou condições de recusar algo especial daquele jeito e que remetia a suas lembranças afetivas, pensou que o mínimo que havia de fazer era dar seu cachecol para mim, o tal do cachecol vermelho, já que ainda estava frio por demais. Assim, eu usei o meu presente quando depois de lustrar os bancos, na casa do senhor, levei os benditos para os seus donos de direito, e estava com esse mesmo cachecol quando disse para eles que o violão ainda não estava pronto não, e omiti que este, na realidade, tinha ficado com o seu dono de merecimento. Usei o cachecol por todo o inverno e até hoje é o único que eu tenho, apesar de que, nunca mais ter feito tanto frio.

Por fim, o bacana dessa prosa é que, enquanto eu estava lá na rua, largado no assento, e matutando muito do concentrado sobre lama, decisões e bancos de madeira, percebi que cada um faz as escolhas que mais tem a ver consigo e dependendo da bagagem que carrega. Porém, ninguém faz esses percursos tão facilmente e com tanto prazer quanto aquele que encontra alguém no caminho para ter do lado, que nem foi com aquele senhor, o único que sequer deu trela para mim e preocupou em ajudar. Acho que na vida é assim mesmo, vez ou outra essas pessoas aparecem de espanto, e simplesmente, ajudam, porque elas não sabem fazer diferente. Por isso, esse cachecol tem esse tanto de importância para mim e por isso, instantaneamente lembrei dele.

Só queria prosear sobre mais um detalhe que deixou minhas idéias encafifadas, o detalhe do violão. Sempre detalhes. Esses detalhes. Ô mundo cheio deles! Às vezes é difícil ler, identificar ou traduzir esses danados, mas, eles vivem rondando a gente, cobrando que, um dia, sejam entendidos e admirados. Isso daí é porque as respostas não precisam ser criadas, elas vivem aqui, em uma vida mais longa e próspera que a nossa, e sempre insistimos em ignorar. Hesitamos em enxergar além. Tudo o que há para entender está diante e dentro de nós, o tempo todo. Refletindo desse jeito, até que as escolhas deixam de ser assim assustadoras. Não é, não?