Olá a todos!!
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Estão bem, colegass?!! Hoje começo com a questão que não quer calar!
“O que fazer quando você tem HIV?”, essa é a pergunta que ecoa em nossa mente, assim que conseguimos assimilar o fatídico “Você tem Aids” e que inspirou toda a construção do portal e o início desse trabalho! (INFOS, INFOS!!)
Mas, quando procuramos informações elas chegam cortadas, muitas vezes errôneas e pouco objetivas. Mais ainda, materiais mais pessoais, que mostrem como é realmente a rotina, os cuidados e, talvez principalmente, questões psicológicas são difíceis de aparecer. Muita gente ainda hoje sente medo ou vergonha de se assumir soropositivo, o que dificulta a propagação de informações verdadeiras e reforça o preconceito. (Démodé!!)
O que ofereço a vocês então, além do desabafo e do ombro amigo, são informações simples e claras sobre a doença. Porque ainda no começo a última coisa que você precisa é ficar zigue-zagueando como barata tonta pela Internet a procura de orientação, e tendo que ver tanta besteira que aparece em alguns resultados. (Internet pode ser uma perdição mesmo, que perigo!
)
Neste meio tempo, consegui coletar algumas informações que me orientaram e me acudiram nos momentos em que não sabia pra onde correr (eu sou uma pessoa mais jogging). Esse é um mundo novo e eu não conhecia as regras. Assim, tudo o que compete a primeiros passos é bem vindo para evitar tropeções.
Vão aqui para vocês alguns esclarecimentos básicos que passo pelo portal.
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Como encarar os primeiros momentos:
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– Em primeiro lugar, acalme-se, amore! (Segura o alarde mais um pouco!) Primeiro é importante perguntar, se já foi refeito o exame. O segundo exame é INDISPENSÁVEL e pode identificar um erro no resultado. Já vi acontecer de tudo, meu bem, não custa nada conferir!! Mesmo dando negativo, dentro de dois meses refaça o teste.
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– Uma questão que todos deveriam saber: O que é Aids e o que é HIV+.
“Existe diferença?”, você me pergunta e eu digo: “Sim, senhor”. Muitas pessoas se confundem, porque, enfim, falta a informação. (Terrible!) Aidético ou Soropositivo?
A Aids é a doença, em si. Quando apresenta os sintomas, pois o vírus se manifestou.
O HIV+ é o vírus presente no seu corpo. É possível você ser soropositivo, mas que ainda não manifestou a doença. Ele está incubado e pode ficar assim durante muitos anos, sem apresentar nenhum sintoma, até que desenvolva. Falam que é um período mais ou menos de oito anos que o vírus pode ficar incubado sem apresentar a Aids.
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– Confirmado o HIV+ ou a Aids, existem as primeiras informações do que você NÃO pode fazer para não propagar o vírus:
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Sexo sem camisinha
Compartilhamento de seringas e agulhas
Reutilização de objetos perfuro-cortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV
Transfusão de sangue
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Tendo isso em mente,
ESQUEÇA TODAS AS NEURAS E TABUS QUE EXISTEM!
Esses são os maiores jargões: A Aids pega, e a Aids mata. (Laisse tomber… deixa a tia explicar melhor…)
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– O HIV é transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno. Apenas isso foi realmente comprovado até hoje.
Então, beijo, abraço e aperto de mão, pode! (E deve, né! Por favor, amados…)
Nada de se isolar do mundo! Nada de ter medo em demonstrar e receber afeto.
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– “A Aids é a morte”. Calma aí, meu bem! Esqueça todas as “propagandas terroristas” como diria Betinho, que nos foram apresentadas até então. Com os avanços da medicina e cuidados recomendados por seus médicos em uma rotina saudável, nada garante a Aids tal poder.
Isso mesmo! Diferente da década de 80, hoje é possível viver muitos anos mesmo com a doença, de maneira saudável. Uma vida normal, social e profissional. (UHUU!)
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Ou seja, se você andar na linha, logicamente considerando que não é uma situação fácil como nenhuma doença é fácil, não é um bicho de sete cabeças ou o fim de tudo!
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Para que essa vida saudável possa se concretizar, o tratamento deve começar:
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– Vá a um infectologista e comece o quanto antes o tratamento com os antiretrovirais. Eles ajudaram a manter sua imunidade em um nível saudável e evitarão a proliferação do vírus.
Feito corretamente, como já foi digitado, pode garantir uma vida sem crises. Voilá!
Mas, lembre-se de NÃO INTERROMPER O TRATAMENTO e de seguir as orientações médicas.
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– Monitoramento médico freqüente. Isso significa fazer testes regulares com seu médico, onde ele vai ver se o tratamento está funcionando ou se são necessárias alterações. Não adianta nada um tratamento que não seja eficaz para você, ora!
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– Seguir uma vida mais light (acabou o relaxo, hein! Agora é tudo certinho!): boa alimentação e exercícios físicos ajudam na recuperação da resistência. (Além de cultivar o tanquinho, muito importante! Arrasa!
A recomendação é alimentar-se de três em três horas. Além de mantê-lo forte, também ajuda a proteger o estômago das freqüentes ingestões de remédios.
A musculação é recomendada. Durante o uso dos anti-retrovirais, pode acontecer um acúmulo de gordura nas costas e abdômen.
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E por digitar sobre anti-retrovirais: O que você precisa saber e o acesso
O bom resultado aos medicamentos acontecerá se houver uma fidelidade de horários, doses e duração do uso. Sem isso fica difícil o organismo se adaptar! (Então, todo mundo com a tabelinha retrô na mão!!)
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– Pode haver reações adversas aos medicamentos. Fique atento e leve-as ao seu médico. O início do tratamento pode apresentar sintomas incômodos até o período de adaptação. (Eu sei… “Só faltava essa”!)
Mas, não para todas as pessoas! Se o efeito colateral for realmente insuportável, a solução é a troca do anti-retroviral. Por isso é tão importante o contato com seu médico, pois ele indicará o que melhor pode lhe servir e lhe dará orientações sobre o uso. Existem 17 tipos de anti-retrovirais distribuídos pelo Ministério da Saúde. (Sem desespero, bem!)
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– Os medicamentos anti-retrovirais são totalmente gratuitos e disponíveis nos SUS. (Programe-se!)
Agora, você já sabe o que é Aids, sabe dos cuidados e contágios, começou seus tratamentos e está começando a se sentir como em uma manhã de domingo que estava chuvosa e ficou ensolarada. Muito bem! Acho que agora a gente podia sentar pra conversa de verdade!
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O lado psicológico:
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Mesmo sabendo que com os tratamentos e cuidados existe a chance de vida longa, a Aids é, no mínimo, uma doença crônica. Como se não bastasse, é uma doença de grande impacto social, cercada de preconceitos, medos e informações erradas.
Mesmo que agora você saiba de tudo isso, a maioria não faz ideia.
A maioria das pessoas tem medo da Aids, e por isso deixam de ser delicadas ou solidárias. (Confesso que nos meus dias de TPM também não sou delicado com elas.. Pardon!).
Essas não consideram que o próprio aidético se enche de cuidados e precauções, não só para ele, mas para todos a sua volta porque ele mais que todos conhece sua condição. A última coisa que deseja é passá-la adiante!
Muitos vêem apenas uma sentença de morte. (BUUU!! Assustou?)
Daí relacionar-se socialmente, pode ser desafiador.
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– Por isso, existem grupos de apoio que esclarecem dúvidas e dão suporte. Em um primeiro momento, eu considero fundamental conversar com pessoas que compartilham de suas impressões e vivências. Abre o seu olhar para a vida, para as pessoas. E como fortalece!
Existem redes de apoio que orientam e possuem serviços públicos. Além de várias organizações e grupos voltados para o apoio ao portador de DST.
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– Se desejar procurar um dos centros próximos a sua região, no site http://www.aids.gov.br, do Ministério da Saúde, tem um link de Índice de organizações da sociedade civil.
Lá você pode procurar por região. Existem várias iniciativas em todo o país. Entre em contato!
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– Não esqueça de procurar o apoio em quem está mais próximo. Não importa qual é a doença, ela nunca afeta apenas você, mas a família toda.
O carinho e apoio entre todos ajudam e confortam. Dá coragem, dá base para enfrentar o mundo lá fora.
Eu sei que muitas pessoas, como no meu caso, nem tem ninguém por perto em uma hora dessas. Às vezes você não pode contar com os pais naquele momento, mas tem irmãos, primos, avós, ou até grandes amigos. Enfim, as pessoas importantes na sua vida são aquelas que lhe ajudam na transição. Não tenha vergonha de pedir um ombro amigo (ou um colo dependendo da intimidade!).
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– Uma das questões que mais atordoam é a “revelar ou não?”. Mentir, esconder. Cada caso é um caso, né? Eu preferi contar. Contei pra quem interessava, e os outros descobriram eventualmente. (Porque eu sou muito discreto e montei um portal!). Eu acho que, não falar sobre Aids só piora a situação. Como se fosse perigoso, ardiloso… como a maioria das coisas que a gente esconde. Me recuso a além de ter que batalhar com uma doença crônica ainda ser recriminado por tê-la.
Mas, novamente, lembramos a questão do preconceito. Tem pessoas que não querem lidar com isso e é direito delas. Não querem enfrentar algumas situações no trabalho, por achar um ambiente hostil.
Se você não está preparado para se assumir mesmo, você não está preparado para o tal ambiente hostil. Realmente.
Daí, essa questão vai de cada um. Mas aconselho que, pelo menos para que VOCÊ mesmo passe a aceitar a doença, converse com um psicólogo ou um amigo do centro. (Queridíssimoss).
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– Agora quando o assunto é namoro… aí tem que contar, né, gente! Não tem jeito porque a pessoa está diretamente relacionada a uma situação que poderá colocá-la em risco. É sacanagem não contar. Se vocês se amam e querem ficar juntos, se dá um jeito! Mas é direito da pessoa tomar tal decisão. Às vezes, é difícil. Vi casos de pessoas que se separaram, e de outras que não conseguiam se relacionar… Mas não desanime, sabe, você precisa de pessoas fortes do seu lado, e você vai encontrar alguém. Espere a minha coluna sobre a questão do namoro ou flertes sem compromisso! Depois entro em detalhes, amados…
Paciência!
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– Muitos me falam que todos os relacionamentos que tem hoje, sociais e amorosos, estão nos grupos. Pois é mais fácil.
Mas não concordo com a ideia de isolar-se nos Centros. Não deve haver limites em relacionar-se com todos! Por isso eu insisto em dizer que, mesmo com o preconceito e desinformação, também é prejulgamento achar que TODAS as pessoas são assim limitadas. É possível viver normalmente, relacionar-se, trabalhar, amar…(Ulalá!) sem problemas. Mantenha a verdade e a responsabilidade e todos ficam felizes.
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Para finalizar esse guia, deixo para o final aquilo que deixei pro final. (Que eloqüente!) Depois de todas essas fases citadas acima, apenas uma coisa me impedia de seguir em frente:
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Enfrentar meu passado.
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Isso ainda era um problema! E me acompanhou durante todo o processo.
A verdade era a seguinte, não tinha um parceiro fixo e foram anos loucos da minha vida! (La vida loca, infelizmente sem o Rick em suas calças justas..) Não fazia idéia de quando ou de quem peguei. Não sabia se tinha sido de um homem ou de uma mulher, todos transavam livremente. Também usava drogas, achava que vivia em um Pulp Fiction tupiniquim.
Sei que para muitos não foi assim, não é necessária uma comitiva para pegar Aids. Um vacilo inocente já basta. No meu caso foi complicado (eu vivia na vadiagem, bem!) e comecei a pensar: “Para quantas pessoas será que eu passei? Qual delas me passou?”. Não sabia o que fazer. Como contar ou até contatar as pessoas com quem tive relações? Como se dá um telefonema desses?
Era difícil, mas mesmo depois de falar com aqueles ex-amigos (com os quais eu não fazia questão de manter contato) e descobrir de quem peguei, e algumas pessoas que provavelmente eu havia infectado, não conseguia ligar.
Mesmo porque não era nada certo. Foi tudo na dedução. Tomei coragem, e só depois da terapia consegui falar com as pessoas com quem me relacionei.
Me encontrei com elas porque, no telefone, me sentia um indelicado. No “cara a cara” não foi diferente, mas acho que rolou um respeito maior.
Foi pior do que quando tive que contar para os meus pais! Mas, eu senti que era minha obrigação! Melhor que fossem feitos testes agora, do que descobrissem com a doença avançada ou passassem para alguém sem saber. Posso dizer que a sensação de culpa é terrível. Mesmo que você nem tenha culpa.
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Não adianta! A gente sempre paga o preço da irresponsabilidade. C’est la vie!
Mas, pelo menos, conseguimos seguir em frente. Esses são os passos que eu sugiro. Muita força na balaiagemm pra vocês, lindinhos!! Bon courage!
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A todos agradeço a atenção e o interesse! Não esqueçam de passar a palavra!!
Alê.
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