Ed. 30 - Exposição (por Alê)

By admin On dezembro 23rd, 2009 in Alê, Crônica /

Hi people! (Quanto tempo, né? Que horror! )

 

Saudades de teclar com vocês sobre essa vida desvairada! Hahaha Mas vocês devem saber que eu ando ocupadaço! Tiveram nessas semanas várias campanhas sobre a conscientização da Aids que eu apoio de corpo e alma, como a Campanha “A Cara da Vida”, que ocorreu no point da phina flor paulista, e a #red ! (Altamente incrible!!) Daí, conversando com um professor na Universidade que dou palestra ele também falou dessa tal pílula, ainda em estudo, que promete reduzir o contagio do HIV. Fiquei MA-RA-VI-LHA-DO! (o/ Uhuu) Espero que todo esse trabalho e descobertas ajudem a mudar o cenário atual. Informe e solidarize. Afinal, essa é a época do ano para falar de amor e paz!!! Aliás, já compraram meu presente de Natal??? Eu quero um coment natalinooo com fitas douradas flamejantes!! Ahhahaha (o primeiro que declarar Jingle Bells eu dedico o próximo post, ok classe??) Fofo! (Eu me empolgo ao falar de veludos vermelhos e cristais contrastando com a madeira escura e trabalhada em relevo, estilo espanhol!).

 

Bom, amados, mas na verdade o tema de hoje, proposto pela edição é outro. Até agora foi só pra por fofoca em dia, tá? :D   A palavra é: “expor”. Sinceramente, não sei porque me escolheram para digitar sobre isso. Vocês acham que eu me exponho demais, bees? Désolé! Talvez não seja sobre hoje que nós estamos digitando, né? Todo mundo sabe do meu passado, e isso porque sou um livro todo aberto e cheio de ilustração para quem não entendeu. Sempre gostei desse jeito, tá meu bem!?

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Mas, para isso, tem que ser macho. (Olha que ironia! Hahhahaha) :)

Não é fácil mostrar quem você é ou enfrentar o mundo estilo Bon Corage. Tem uma coisinha chata na nossa sociedade que é assim, as pessoas não estão acostumadas com a verdade. A gente passa tanto tempo vivendo no bonitinho do quadradinho, que tudo mais parece um insulto, um Kanye West ao microfone.

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C’est la vie, quando falamos o que os outros querem ouvir, somos falsos; quando falamos a verdade somos indelicados. Ê ê, essa gente é muito blasé! Esse sentimento uó em relação as outras pessoas, sempre, sempre esperando o pior, se resguardando do mundo, é uma coisa tão pra baixo, tão pequena, gente! Muito difícil conviver assim. (Mas eu sou quase uma Polianna Moça loira belga, então…). :D Só perdôo essa mesquinhez de espírito no Natal, já que qualquer intragável se salva com tortas Godiva que são o meu pecado mais íntimo. Hors concours! Como e falo menos, mas que loucura de arranjo!!! hahahah

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Pena. Eu adoro poder usar e abusar da minha sinceridade, apesar de ser intimado a me explicar a todo o momento. Laisse tomber! Também, eu estou em uma situação segura em relação a isso. Porque eu me assumo e esta é minha postura. As pessoas sabem e não faço parte desse nicho da sociedade. Sorry! De vez em quando circulo para causar furores… ;) (Ô meu bemm!)

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Bom, não sejamos minimalistas. Nem sempre foi tão fácil quanto é agora. Já fiz muitas fuck up things, vocês sabem, pelo medo de me assumir, medo de ser criticado ou de não ser “legal”. Acho que algumas coisas precisam acontecer na sua vida para você reconhecer o que é importante, coisas que te fazem amadurecer. Capicci?

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Se amar e se respeitar é importante.

Ser sincero com você e com quem lhe cerca é importante mega.

Acreditar que você tem todo o direito do mundo em expor o que pensa e ser ouvido com respeito é importante. (Sério! Você tem a força, bem!).

Tanto quanto saber que resguardar o que você escolher não expor é seu direito também.

Respeitar o momento de exposição do outro e saber o quanto esse exercício exige determinação e coragem para enfrentar críticas e maldades é muito importante. Antes de atirar pedra, brigar no trânsito, xingar a mãe do coleguinha, lembre-se que você não sabe como foi o dia dessa pessoa ou como é a vida dela. Maldade! Cada um tem seu tempo e suas razões, né, amores? :)

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Agora, o que os outros falam de você (mesmo porque ESSES outros que falam são sempre tão desimportantes…) não é de tal importância mesmoo, darling.

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Mas digito o seguinte, é libertador pensar que, ao se expor, nada mais está entre você e a verdade. Você é a sua verdade. Joie de vivre!

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Daí, mesmo uma verdade mal interpretada, diz mais sobre quem a interpretou do que sobre quem foi exposto. Certíssimo, gatos??

 

Aos que tem a coragem de se assumir com orgulho, sem deixar que os outros possuam sua identidade, eu sustento como um barítono verdiano (desculpe mais não chego a tenor :( ) o meu: “Braavoooooo”!! 

 

Beijos estridentes para o quarteirão ouvir! Um Natal majestoso e Meilleurs Voex!

Alê.

 

Ed. 20 - A questão do namoro (por Alê)

By admin On agosto 27th, 2009 in Alê, Crônica /

 

Oiê, oiê!!

 

Queria muito agradecer altamente o interesse de vocês por esse assunto delicioso de hoje (uiuiui): Como ficam os namoros com soropositivos. L’amour.

Bem, meus amores, a meu favor tenho a dizer que nenhum namoro é fácil. A gente tem sempre que pesar os prós e contras e decidir se é com essa pessoa que você quer ficar. Isso é igual pra todo mundo.

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Agora, sobre os cuidados que devem ser tomados, nisso posso orientá-los. Lembrando que tudo deve ser feito com muito respeito e responsa. (afinal, somos gente phina e direita!)

Os soropositivos podem sim ter uma vida tranqüila, um relacionamento normal, um casamento feliz.

Acho que a grande preocupação realmente fica para aqueles que têm parceiros “negões” (vulgo, soro negativos). Como é o meu caso.

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Vou te digitar que, assim que me estabeleci e comecei a aceitar melhor a ideia de que era portador (ou seja, meses depois de freqüentar os grupos de apoio!), parei de pensar na morte e comecei a pensar na vida. Finally.

Foi aí que senti uma angústia, algo me corroendo o estômago. Eu pensei em como conseguiria conviver em uma sociedade, fora do ambiente acolhedor de casa, amigos e centro. Não queria sentir medo do mundo, ou pensar que, por ser HIV+, agora havia limites de onde eu poderia ir e com quem poderia ficar. Viver em uma prisão social, com grades imaginárias decoradas em ferrugem craquele. Terrible! (Solta a minha rédea, medo próprio)

Revelar ou não revelar? Essa era uma questão…

Para a família, contei.

Para os amigos mais próximos também. Os outros mais distantes, não me dei ao trabalho.

Aliás, das minhas amizades anteriores poucas valiam a pena serem mantidas então, foi até fácil. (opa… to possuído de over sinceridade :D )

O namoro foi então, o mais preocupante para mim! Hahahaha Que necessitado eu sou!!

Mas, poxa, eu queria alguém. Eu queria amar, eu estou vivo! Você também quer a Whitney cantando de fundo, com as Maldivas de cenário e um amor para chamar de seu, errei?

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Ô meu bem! O que acontece é que a maioria das pessoas tem muuuuiiito preconceito em relação a HIV. C’est la vie.

Se você perguntar para uma pessoa, sinceramente, se ela namoraria um soropositivo a grande maioria dirá que não. Principalmente, se ela não namorava você antes de descobrir.

Isso porque as pessoas têm medo. Tem a idéia rústica de que somos como ceifadores, é como se a gente carregasse a sentença de morte! (Buuuuuu) Elas não querem transar com a gente pois tem medo de morrer. Maldaaadeee. Passaada! Isso detona qualquer ego, colega!!

Laisse tomber. Não dá pra culpá-las porque o esclarecimento sobre a Aids é o seguinte: Você pega, você morre. Ponto.

É realmente perigoso. É IMPORTANTE dizer que não tem como culpar as pessoas soronegativas por não tentarem, já que estão se colocando em uma situação de risco, certo?! A doença exige que você tenha muita responsabilidade e uma série de precauções nas relações sexuais. Por isso, é necessário respeitar as decisões de cada um e entender que ela não está errada quando fala que a doença oferece riscos que ela não quer correr.

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Ai, ai… e estava eu lá, tão solteiro! Daí pensei que a solução para minha solteirice fosse me relacionar com outros soropositivos. Só “insiders”. Era isso, então? Essa era a regra?

Sabe que assim, nos grupos de apoio, muitas pessoas acham companheiros!

Verdade! Tenho amigos que até casaram com pessoas que conheceram lá. Isso porque tudo fica mais fácil quando a outra pessoa já sabe e entende sua doença, e esse companheirismo cria laços e sentimentos muito bonitos. (Dates nos grupos são fervidos!!)

Mas, não me apaixonei por ninguém. Não importava a regra.

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Foi aí que conheci o Gael. Pensei que, como todos os outros, ele teria medo de mim.

Mas não teve. Ele já me conhecia de vista e de história. Era amigo da Joana e sempre rolava um flerte sem compromisso entre a gente. (Danado!)

Quando conversamos, ele já sabia tudo de mim, então não me senti pressionado a contar. Só o Gael (ou o amor) pra fazer a Aids parecer um detalhe. Como achava que ele estava sendo simpático, relaxei sem pretensões ou esperanças. Sem preocupações ou complexos.

Ficamos cada vez mais próximos. Mais amigos e conseqüentemente mais atraídos.

Quando Gael pediu pra me beijar, tive muito medo. Disse não, querendo muito dizer sim. (Dá frio na barriga só de lembrar!! Hehe Me segura!)

Não adiantava, já estávamos apaixonados. No outro dia, ele veio conversar comigo com uma pilha de pesquisas que ele tinha feito, falando das formas de contágio.

Daí, eu conversei seriamente com ele. Expus os riscos, as precauções e as situações difíceis que talvez ele pudesse passar. Fui honesto com dor no coração! Aquilo afugentaria qualquer pessoa comum!!

Gael me olhou muito sério e disse: “Isso tudo eu já tinha lido. Essa não é minha pergunta. Eu quero saber se você me ama também”. (Nhonhonho, fofo, meu prêt-à-porter)

Bem… todos já sabemos a resposta.

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Realmente, eu dei a sorte grande e por isso tenho certeza que é possível encontrar grandes companheiros, pessoas especiais, que como todo ser humano se apaixonam e decidem que vale a pena tomar certas precauções para estar do lado de quem ama. :)

Também, eu não julgaria o Gael se ele tivesse pulado fora. Não vou dizer que é impossível ele contrair HIV e que ele não corre nenhum risco. Eu tenho muito medo disso e por isso, em respeito a ele, tomo muitos cuidados desde os menores no nosso dia a dia, até quando temos relações.

No começo foi difícil relaxar. Até o beijo era travado. (Uó! Coisa horrorosa, pavor da síndrome da boca dura! Désolé) Exigiu muita confiança, terapia e companheirismo até termos uma vida a dois tranqüila.

Mas, amoress, hoje nossa rotina é básica. Abaixo vou listar tudo que um namorado/marido negão deve saber:

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- Todo soropositivo que faz o tratamento correto tem uma vida normal e saudável. Os remédios são oferecidos pelo Ministério da Saúde. Eles são ESSENCIAIS e não pode usar errado, nem esquecer! Se não vai perder o efeito!! Portanto, leve os coquetéis a sério! Eles também diminuem a chance de contaminar outra pessoa, porque impedem a reprodução do vírus e diminui a presença deles. (Percebeu a importância, bem?)

Não há cura, mas existe um controle.

A alimentação saudável também é importante. Continuo com minha musculação que dá resistência e mantém o tanquinho! :D (Ah, o importante é se sentir haha)

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- Camisinha é para sempre. Em todos os momentos, posições e contatos sexuais. (Todinhos! Pira no látex, amados!)

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- Uma das coisas que mais me preocupam é ficar atento a feridas, arranhões, fissuras na pele, para evitar o contágio. Tomo cuidado para não me machucar, não tenho objetos cortantes em casa. (Tudo bem, sou over paranóico nesse quesito! Sorry :P ) Gael também toma os mesmos cuidados.

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- Exames freqüentes, para os dois. Isso nos deixa mais seguros, sabe?

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- Para maior segurança, se e quando acontecerem incidentes, tipo a camisinha estourar, o parceiro pode fazer uso dos medicamentos antiretrovirais por precaução, e logo depois e o mais rápido possível procurar um infectologista.  Isso é só para emergência, e deve ser tomado até a consulta médica. Evita que o vírus se espalhe e soropositive. Mas, é sempre um risco… Se informem melhor com o infecto, tá, gatíssimos!

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- Minha amiga MaFe (merveilleux!) pediu para comunicar esta última que também é dúvida freqüente: Engravidar de maneira natural, logicamente, não é seguro. O que a gente vê é um tratamento, caro, mas aparentemente eficaz de fertilização em vitro, onde o esperma ou o óvulo pode ser purificado. Desejo toda a sorte para essa querida amiga!! Ieeee!! Tenha muitas crianças para derrubar seus vasos étnicos medonhos! :D

Infelizmente para mim e para o Gael a ciência ainda não conseguiu formas de engravidar :( heheh! Também forcei altamente agora, bi!

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 É evidente que tem que ter muita confiança e responsabilidade. Essa situação delicada é uma prova para qualquer relacionamento!! No começo, ficava pensando “Será que ele se machucou jogando bola e não viu? Será que a boca dele está rachada com o calor?”. Sabe? (olha o paranóico atacando de novo, gente!) É uma loucura e acaba com o romantismo, com a impetuosidade!! Parada “osso”!

No início não foi fácil. Já aviso de antemão!

Foi com o tempo que aprendi os limites, a balancear as preocupações, e hoje é parte da nossa rotina, é natural e até carinhoso. Nos obriga a sermos mais criativos, curtir mais o outro.

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Nos adaptamos e o prêmio que conseguimos é uma vida de muito amor e felicidade.

Como diria o gostosão dessa geração: “Yes, we can”!! ;)

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Big kisses, xoxo

Alê.

Ed.19 - Pais e Grupos de Risco (por Alê)

By admin On agosto 17th, 2009 in Alê, Crônica /

 

Olá, queridos companheiros de leituras!

 

Tudo certíssimo?? Ai, deixa eu digitar que ontem foi um dia muito especial. Fui visitar minha família em um almoço na casa dos pais. Adoroo!

Até hoje fico impressionado em ver como as coisas mudaram, para melhor. (Inchalá!!)

Enquanto tinha uma refeição civilizada naquela sala de jantar barroca, não pude deixar de lembrar dos últimos episódios (da minha novela mexicana) que aconteceram lá, há alguns anos atrás.

Daí, me lembrei de quando fui até meus pais para lhes contar que eu sou soropositivo.

Opa! TA BOMM, já sei!! (Sai pra lá, bicha agorenta!) Eu sei que é mórbido, gente! Mas, como eu só vou lá em ocasiões especiais, as lembranças que chegaram foram as mais fortes. 

Muita gente me manda e-mail, cartas, posts, perguntando como foi esse momento pra mim. Eu vou contar agora, meus amores. Foi uma bosta. Uó! Hahahha :D

Imaginaaa!!! Gente, é o tipo de situação que ninguém merece!

Vocês sabem que minha relação com meus pais sempre foi realmente delicada. Ficamos muito distantes por bastante tempo. (Evitando conflitos, que eu sou uma biba nervosa!).

Eu não queria contar para eles. Não via porque contar. Diferente de quando você tem uma relação bacana com seus pais e espera apoio numa hora dessas. (Uhff!)

Como no caso de uma amiga minha, MaFe, os pais dela a acolheram na hora. Injustamente pensei: “Não posso contar para os meus, eles nunca fariam isso. O máximo que vai acontecer é que serei, de novo, uma decepção”. Daí chorava que nem Whitney apanhando de Bob Brown, assistindo ao final de “Em algum lugar no passado”. :D Muito mesmo! Não queria contar. Mas, laisse tomber…

Aí, a Joana veio encher a paciência de novo. Fiquei bravo com ela (que bruto!), falei para ela cuidar da própria vida. Tadinha!

Eu não a mereço, amados! Pardon! Eu estava frustrado e deprimido. Ela vinha todo dia ao apartamento (quitinete estilo rústico minimalista com detalhes em mofo verde musgo) que eu dividia com uma amiga, só para me ver. Perdia aulas e provas na faculdade. Eu pedi para ela parar de vir ou iria se prejudicar. Ela me imprensou na parede e disse que se eu não contasse para os nossos pais, ela contava! (Joana é atitude, bem! :) )

Daí, entrei no carro dela e fomos. Eu fingia para mim mesmo que não estava nem aí. Insistia em pensar que eles não eram pessoas importantes ou presentes em minha vida e, por isso, não fazia diferença. (Até parece, né…)

Mas, quando chegou a hora de falar, comecei a tremer. Senti vontade de chorar.

Para o bem ou para o mal, eles são meus pais e a aprovação deles é tudo. Eu estava realmente arrasado e esperando um olhar de desdém como repreensão. (Preparado para aquele escracho federal! Maldade!). A sala ferveu!

Minha mãe ficou chocada. Mas, logo se recompôs. Fez várias perguntas, ofereceu muitas ajudas e me deu um abraço. Nessa ordem. (Mas afetada como sempre!).

Meu pai ficou imóvel. (Pensei: “Fudeu”) Perguntou se eu tinha certeza. E depois de minha mãe mostrar toda sua iniciativa em relação a causa, ele resmungou olhando para a janela:

“Bem, não podemos estar completamente surpresos. Afinal, você fazia parte do grupo de risco”. (Que antigo isso, que démodé!)

Minha mãe abaixou a cabeça, minha irmã olhou para ele escandalizada. E eu estava me arrependendo de ter ido quando olhei para meu pai e percebi que, discretamente, estava com os olhos cheios d’água. Pela primeira vez tive algo em comum com meu pai. (Que loucura!) Diferente das outras que estavam positivas e inquietas, nós dois estávamos com medo.  

Fui até ele calmamente e falei: “Eu também pensava que fazia parte de um grupo de risco. Mas isso não existe mais. Pai, grupo de risco inclui todas as pessoas que tem atividades sexuais e que acabam não se protegendo”. Viram, colegas!?

O que quero dizer é que, apesar de todo o medo, o apoio dos meus pais foi fundamental. As dúvidas deles eram as minhas dúvidas também e mesmo sendo tão diferentes em todos os sentidos e visões, saber que nesse momento eles aceitaram a oportunidade de estar do meu lado, me alivia vários complexos!! :D Não custa tentar, não custa dar essa chance, queridos. Sei lá… eles me surpreenderam. 

Quanto a história do grupo de risco, me abriu os olhos para algo que precisa ser divulgado!

 

PAY ATTENTION PLEASE!!

Eu preciso que vocês entendam uma coisa: eu sou o maior clichê de todos os clichês.

Como muitos sabem, eu fui contaminado com o vírus da Aids por pura negligência e promiscuidade. Sou ex-viciado em drogas. E quando falo para as pessoas que sou homossexual, elas  fazem aquela cara de “Ah, tá! Então é por isso”.

Mas, eu, meus amados, sou a forma menos criativa, a história mais rodada. (Rodada mesmo…  :D fazer o que…) Não represento o que realmente acontece nessa vida, nem sou o modelo do soropositivo!! Capicci? 

Acho importante falar (ou digitar) sobre isso, pois muitas pessoas ainda hoje se enganam, e se acham intocáveis.

Elas estão erradas, porque eu posso ser clichê, mas nenhuma doença é óbvia. 

Se você faz transfusão, se você tem contato com qualquer fluido corpóreo que possa estar contaminado, em qualquer tipo de relação sexual sem proteção, você corre risco.

Não tem sexo, não tem idade, não tem estado civil, meu bem!!

As pesquisas estão aí para provar que o índice de soropositivos em pessoas casadas é altíssimo. O número de portadores maiores de 50 anos dobrou. (Socorrooo!!)

Mesmo que seja mais fácil ser contaminado sendo mulher ou passivo, TODOS estão sujeitos a serem infectados. Não se engana não, bi!! Todo mundo esperto, hein lindinhoss!

Eu li um depoimento da Carmen Lent, coordenadora do Banco de Horas, do Rio, em que ela falava que não existe perfil. Se você é sexualmente ativo, não é porque você é casado, ou flerte sem compromisso, ou hetero, ou avô que é necessariamente soronegativo, mas sim “sorointerrogativo“. Entendeu o perigo, amore??

Independente se você é soropositivo ou não, previna-se. Tenha zelo pela sua vida e a dos outros.

 

Não se esqueça de amar, não se esqueça de aproveitar e de se jogar… mas coloque as coisas no seu devido lugar! ;) Arrasooo!! Até mais, gente!! Joie de vivre!

 

Beijos escandalosos,

Alê.

Ed. 16 - Sensualité (por Alê)

By admin On julho 22nd, 2009 in Alê, Crônica /

Hi darlings!

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Inhaaí?? Felizes aos tubos, assim como este que vos digita?!

Olha que maldade, fui incumbido essas semana do assunto “sensualidade” e estou adorando cada segundo!! :D (Que gostoso, né, amados?)

Porque a sensualidade existe em tudo aquilo que é natural e seguro de si, ela transborda nos momentos de maior sinceridade. Um je ne sais quai.

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Eu não sei se sou sensual. (Désolé!) Na verdade, sou meio desajeitado, bagunceiro e atrapalhado. Nada disso é muito sexy, wathever.

Mas, quem tem que gostar, meu marido, gosta. (Lógico, né!) Vou te contar que uma das coisas mais difíceis é realmente conseguir manter essa sensualidade para uma pessoa que lhe vê todos os dias e nas situações menos sensuais, como quando você acorda com a cara amassada ou usa aquele moletonzão “cinza fim de carreira” pra fazer faxina! Afff!

É difícil se sentir sexy quando você é um dono de casa. Daí, às vezes eu acordo desanimado mesmo, sem pique para me arrumar. :/

Porque o legal de ser sexy é que exige muita disposição, mas tem que parecer casual, bem! (Palhaçada!!)

Ultimamente estou sem vontade, mas acho que é o medicamento que está me deixando meio grogue! (Pareço boneco de pano torcido!) Tem essa também! Ser sexy doente, quando baixa a imunidade, é impossível. Ser sexy quando, antes de transar, é necessário tomar mil precauções, é difícil. Haja sensualité!

MAS, nunca nos impediu de tentar! Ou melhor, de usar a criatividade! Hahahaha

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A sensualidade depende do gosto do freguês, eu acho. Porque nem tudo que é atraente para mim, pode ser para você. Une affaire de gout.

Ela está em detalhes muito particulares e o que chama a atenção de cada um vai depender realmente de cada um. (Ainda bem, né, bem!)

Mas acima de tudo, a sensualidade e o charme estarão sempre no olhar. O olhar é o maior objeto de sedução. É o que lhe prende, porque é sempre ele que revela a intenção.

Daí tudo tem uma certa sensualidade se olhado da forma certa. Até os objetos também tem sensualidade. Imagens, sugestões, roupas e gestos. (Arraaaasoo!!)

Acho que a partir do momento que você se conhece, que você encontra a sensualidade em você, na sua natureza, nos seus gestos, no seu olhar, você se torna alguém sensual.

Lembrando que não estamos nos referindo a objetos sexuais… (melindrosas metralheiras, que não seduzem, apenas se lançam!)

Essa trupe que fica tooodaa se querendo, não tem nada de sensual, gente!

Aliás, uma das coisas mais sensuais é saber se dar valor. Sensualidade trabalha a segurança em si mesmo.

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A única coisa que posso digitar aqui, já que não tenho uma fórmula ou uma explicação melhor de porque (pelo menos!) meu marido me acha sexy, é o seguinte, queridos:

Não deixe pra ser sensual só em dia de festa. A rotina é uma BITCH! (It´s true!) Mas, jogar fora o moletom cinza já ajuda! Eu joguei o meu!!

Me ajudou também dividir meu horário de faxina com o Gael, porque aí eu não me sentia todo desleixado sozinho… :D Estratégia! hahahahha

Ao invés de relaxar na roupa, relaxe no humor, isso também ajuda!

Quando bater o desânimo, sirva-se do melhor charminho para chamegar-se nos braços do seu amado. Pra isso não precisa se arrumar e não exige energia. (A não ser que o chamego fique bom e vocês resolvam se desarrumar ainda mais, meu bemm.) :D

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E, finalmente, quanto mais cedo você encontrar os seus pontos fortes, mais fácil fica dominá-los. Não se preocupe, amore! Afinal, a sensualidade nada mais é do que uma arte e, como toda arte, exige treino para ser dominada. Exige um certo exercício de autoconhecimento para se sentir confortável e em sintonia com você mesma. Para daí deixar aflorar. (Deixa vir a gata garota verão dentro de você!!) Isso é hors concours!

Essa é a arte de seduzir sem ser descoberto, meio sem querer. De aguçar com olhares, gestos e cheiros, os sentidos dos presentes. De estar bem com você mesmo, isso que é importante! (Sem medo de ser feliz!)

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A sutileza e a verdade em naturalmente ser custom made. (UII!) Então, bom treino pra vocês, lindinhoss!! Depois vocês me contam! ;) Atéeeeeee!

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Beijos inescrupulosos,

Alê.

Ed.07 - O que fazer quando você tem ……… HIV (por Alê)

By admin On maio 25th, 2009 in Alê /

** COLUNA ESPECIAL - Guia do Alê

Olá a todos!!

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Estão bem, colegass?!! Hoje começo com a questão que não quer calar!

“O que fazer quando você tem HIV?”, essa é a pergunta que ecoa em nossa mente, assim que conseguimos assimilar o fatídico “Você tem Aids” e que inspirou toda a construção do portal e o início desse trabalho! (INFOS, INFOS!!)

Mas, quando procuramos informações elas chegam cortadas, muitas vezes errôneas e pouco objetivas. Mais ainda, materiais mais pessoais, que mostrem como é realmente a rotina, os cuidados e, talvez principalmente, questões psicológicas são difíceis de aparecer. Muita gente ainda hoje sente medo ou vergonha de se assumir soropositivo, o que dificulta a propagação de informações verdadeiras e reforça o preconceito. (Démodé!!)

O que ofereço a vocês então, além do desabafo e do ombro amigo, são informações simples e claras sobre a doença. Porque ainda no começo a última coisa que você precisa é ficar zigue-zagueando como barata tonta pela Internet a procura de orientação, e tendo que ver tanta besteira que aparece em alguns resultados. (Internet pode ser uma perdição mesmo, que perigo! :D )

Neste meio tempo, consegui coletar algumas informações que me orientaram e me acudiram nos momentos em que não sabia pra onde correr (eu sou uma pessoa mais jogging). Esse é um mundo novo e eu não conhecia as regras. Assim, tudo o que compete a primeiros passos é bem vindo para evitar tropeções. :D

Vão aqui para vocês alguns esclarecimentos básicos que passo pelo portal.

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Como encarar os primeiros momentos:

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– Em primeiro lugar, acalme-se, amore! (Segura o alarde mais um pouco!) Primeiro é importante perguntar, se já foi refeito o exame. O segundo exame é INDISPENSÁVEL e pode identificar um erro no resultado. Já vi acontecer de tudo, meu bem, não custa nada conferir!! Mesmo dando negativo, dentro de dois meses refaça o teste.

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– Uma questão que todos deveriam saber: O que é Aids e o que é HIV+.

“Existe diferença?”, você me pergunta e eu digo: “Sim, senhor”. Muitas pessoas se confundem, porque, enfim, falta a informação. (Terrible!) Aidético ou Soropositivo?

A Aids é a doença, em si. Quando apresenta os sintomas, pois o vírus se manifestou.

O HIV+ é o vírus presente no seu corpo. É possível você ser soropositivo, mas que ainda não manifestou a doença. Ele está incubado e pode ficar assim durante muitos anos, sem apresentar nenhum sintoma, até que desenvolva. Falam que é um período mais ou menos de oito anos que o vírus pode ficar incubado sem apresentar a Aids.

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– Confirmado o HIV+ ou a Aids, existem as primeiras informações do que você NÃO pode fazer para não propagar o vírus:

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Sexo sem camisinha

Compartilhamento de seringas e agulhas

Reutilização de objetos perfuro-cortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV

Transfusão de sangue

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Tendo isso em mente,

ESQUEÇA TODAS AS NEURAS E TABUS QUE EXISTEM!

Esses são os maiores jargões: A Aids pega, e a Aids mata. (Laisse tomber… deixa a tia explicar melhor…)

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– O HIV é transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno. Apenas isso foi realmente comprovado até hoje.

Então, beijo, abraço e aperto de mão, pode! (E deve, né! Por favor, amados…)

Nada de se isolar do mundo! Nada de ter medo em demonstrar e receber afeto.

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– “A Aids é a morte”. Calma aí, meu bem! Esqueça todas as “propagandas terroristas” como diria Betinho, que nos foram apresentadas até então. Com os avanços da medicina e cuidados recomendados por seus médicos em uma rotina saudável, nada garante a Aids tal poder.

Isso mesmo! Diferente da década de 80, hoje é possível viver muitos anos mesmo com a doença, de maneira saudável. Uma vida normal, social e profissional. (UHUU!)

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Ou seja, se você andar na linha, logicamente considerando que não é uma situação fácil como nenhuma doença é fácil, não é um bicho de sete cabeças ou o fim de tudo!

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Para que essa vida saudável possa se concretizar, o tratamento deve começar:

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– Vá a um infectologista e comece o quanto antes o tratamento com os antiretrovirais. Eles ajudaram a manter sua imunidade em um nível saudável e evitarão a proliferação do vírus.

Feito corretamente, como já foi digitado, pode garantir uma vida sem crises. Voilá! :)

Mas, lembre-se de NÃO INTERROMPER O TRATAMENTO e de seguir as orientações médicas.

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– Monitoramento médico freqüente. Isso significa fazer testes regulares com seu médico, onde ele vai ver se o tratamento está funcionando ou se são necessárias alterações. Não adianta nada um tratamento que não seja eficaz para você, ora!

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– Seguir uma vida mais light (acabou o relaxo, hein! Agora é tudo certinho!): boa alimentação e exercícios físicos ajudam na recuperação da resistência. (Além de cultivar o tanquinho, muito importante! Arrasa! ;)

A recomendação é alimentar-se de três em três horas. Além de mantê-lo forte, também ajuda a proteger o estômago das freqüentes ingestões de remédios.

A musculação é recomendada. Durante o uso dos anti-retrovirais, pode acontecer um acúmulo de gordura nas costas e abdômen.

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E por digitar sobre anti-retrovirais: O que você precisa saber e o acesso

O bom resultado aos medicamentos acontecerá se houver uma fidelidade de horários, doses e duração do uso. Sem isso fica difícil o organismo se adaptar! (Então, todo mundo com a tabelinha retrô na mão!!)

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– Pode haver reações adversas aos medicamentos. Fique atento e leve-as ao seu médico. O início do tratamento pode apresentar sintomas incômodos até o período de adaptação. (Eu sei… “Só faltava essa”!)

Mas, não para todas as pessoas! Se o efeito colateral for realmente insuportável, a solução é a troca do anti-retroviral. Por isso é tão importante o contato com seu médico, pois ele indicará o que melhor pode lhe servir e lhe dará orientações sobre o uso. Existem 17 tipos de anti-retrovirais distribuídos pelo Ministério da Saúde. (Sem desespero, bem!)

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– Os medicamentos anti-retrovirais são totalmente gratuitos e disponíveis nos SUS. (Programe-se!)

Agora, você já sabe o que é Aids, sabe dos cuidados e contágios, começou seus tratamentos e está começando a se sentir como em uma manhã de domingo que estava chuvosa e ficou ensolarada. Muito bem! Acho que agora a gente podia sentar pra conversa de verdade!
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O lado psicológico:

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Mesmo sabendo que com os tratamentos e cuidados existe a chance de vida longa, a Aids é, no mínimo, uma doença crônica. Como se não bastasse, é uma doença de grande impacto social, cercada de preconceitos, medos e informações erradas.

Mesmo que agora você saiba de tudo isso, a maioria não faz ideia.

A maioria das pessoas tem medo da Aids, e por isso deixam de ser delicadas ou solidárias. (Confesso que nos meus dias de TPM também não sou delicado com elas.. Pardon!).

Essas não consideram que o próprio aidético se enche de cuidados e precauções, não só para ele, mas para todos a sua volta porque ele mais que todos conhece sua condição. A última coisa que deseja é passá-la adiante!

Muitos vêem apenas uma sentença de morte. (BUUU!! Assustou?)

Daí relacionar-se socialmente, pode ser desafiador.

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– Por isso, existem grupos de apoio que esclarecem dúvidas e dão suporte. Em um primeiro momento, eu considero fundamental conversar com pessoas que compartilham de suas impressões e vivências. Abre o seu olhar para a vida, para as pessoas. E como fortalece!

Existem redes de apoio que orientam e possuem serviços públicos. Além de várias organizações e grupos voltados para o apoio ao portador de DST.

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– Se desejar procurar um dos centros próximos a sua região, no site http://www.aids.gov.br, do Ministério da Saúde, tem um link de Índice de organizações da sociedade civil.

Lá você pode procurar por região. Existem várias iniciativas em todo o país. Entre em contato!

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– Não esqueça de procurar o apoio em quem está mais próximo. Não importa qual é a doença, ela nunca afeta apenas você, mas a família toda.

O carinho e apoio entre todos ajudam e confortam. Dá coragem, dá base para enfrentar o mundo lá fora.

Eu sei que muitas pessoas, como no meu caso, nem tem ninguém por perto em uma hora dessas. Às vezes você não pode contar com os pais naquele momento, mas tem irmãos, primos, avós, ou até grandes amigos. Enfim, as pessoas importantes na sua vida são aquelas que lhe ajudam na transição. Não tenha vergonha de pedir um ombro amigo (ou um colo dependendo da intimidade!).

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– Uma das questões que mais atordoam é a “revelar ou não?”. Mentir, esconder. Cada caso é um caso, né? Eu preferi contar. Contei pra quem interessava, e os outros descobriram eventualmente. (Porque eu sou muito discreto e montei um portal!). Eu acho que, não falar sobre Aids só piora a situação. Como se fosse perigoso, ardiloso… como a maioria das coisas que a gente esconde. Me recuso a além de ter que batalhar com uma doença crônica ainda ser recriminado por tê-la.

Mas, novamente, lembramos a questão do preconceito. Tem pessoas que não querem lidar com isso e é direito delas. Não querem enfrentar algumas situações no trabalho, por achar um ambiente hostil.

Se você não está preparado para se assumir mesmo, você não está preparado para o tal ambiente hostil. Realmente.

Daí, essa questão vai de cada um. Mas aconselho que, pelo menos para que VOCÊ mesmo passe a aceitar a doença, converse com um psicólogo ou um amigo do centro. (Queridíssimoss).

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– Agora quando o assunto é namoro… aí tem que contar, né, gente! Não tem jeito porque a pessoa está diretamente relacionada a uma situação que poderá colocá-la em risco. É sacanagem não contar. Se vocês se amam e querem ficar juntos, se dá um jeito! Mas é direito da pessoa tomar tal decisão. Às vezes, é difícil. Vi casos de pessoas que se separaram, e de outras que não conseguiam se relacionar… Mas não desanime, sabe, você precisa de pessoas fortes do seu lado, e você vai encontrar alguém. Espere a minha coluna sobre a questão do namoro ou flertes sem compromisso! Depois entro em detalhes, amados… :D Paciência!

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– Muitos me falam que todos os relacionamentos que tem hoje, sociais e amorosos, estão nos grupos. Pois é mais fácil.

Mas não concordo com a ideia de isolar-se nos Centros. Não deve haver limites em relacionar-se com todos! Por isso eu insisto em dizer que, mesmo com o preconceito e desinformação, também é prejulgamento achar que TODAS as pessoas são assim limitadas. É possível viver normalmente, relacionar-se, trabalhar, amar…(Ulalá!) sem problemas. Mantenha a verdade e a responsabilidade e todos ficam felizes.

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Para finalizar esse guia, deixo para o final aquilo que deixei pro final. (Que eloqüente!) Depois de todas essas fases citadas acima, apenas uma coisa me impedia de seguir em frente:

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Enfrentar meu passado.

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Isso ainda era um problema! E me acompanhou durante todo o processo.

A verdade era a seguinte, não tinha um parceiro fixo e foram anos loucos da minha vida! (La vida loca, infelizmente sem o Rick em suas calças justas..) Não fazia idéia de quando ou de quem peguei. Não sabia se tinha sido de um homem ou de uma mulher, todos transavam livremente. Também usava drogas, achava que vivia em um Pulp Fiction tupiniquim.

Sei que para muitos não foi assim, não é necessária uma comitiva para pegar Aids. Um vacilo inocente já basta. No meu caso foi complicado (eu vivia na vadiagem, bem!) e comecei a pensar: “Para quantas pessoas será que eu passei? Qual delas me passou?”. Não sabia o que fazer. Como contar ou até contatar as pessoas com quem tive relações? Como se dá um telefonema desses?

Era difícil, mas mesmo depois de falar com aqueles ex-amigos (com os quais eu não fazia questão de manter contato) e descobrir de quem peguei, e algumas pessoas que provavelmente eu havia infectado, não conseguia ligar.

Mesmo porque não era nada certo. Foi tudo na dedução. Tomei coragem, e só depois da terapia consegui falar com as pessoas com quem me relacionei.

Me encontrei com elas porque, no telefone, me sentia um indelicado. No “cara a cara” não foi diferente, mas acho que rolou um respeito maior.

Foi pior do que quando tive que contar para os meus pais! Mas, eu senti que era minha obrigação! Melhor que fossem feitos testes agora, do que descobrissem com a doença avançada ou passassem para alguém sem saber. Posso dizer que a sensação de culpa é terrível. Mesmo que você nem tenha culpa.

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Não adianta! A gente sempre paga o preço da irresponsabilidade. C’est la vie!

Mas, pelo menos, conseguimos seguir em frente. Esses são os passos que eu sugiro. Muita força na balaiagemm pra vocês, lindinhos!! Bon courage!

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A todos agradeço a atenção e o interesse! Não esqueçam de passar a palavra!!

Alê.

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Ed. 04 - A descoberta (por Alê)

By admin On abril 27th, 2009 in Alê, Crônica /

Queridooosss,

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Tudo bem por aí? Eu estou meio pensativo esses dias. Comecei a me lembrar de várias coisas que não pensava há tanto tempo, mas por causa do portal e das perguntas fui levado a pensar de novo… Vocês sabem que qualquer descoberta muda a sua vida. Nem que seja a visão que você tem da vida ou das pessoas… (Eu acho, mas eu sou meio míope então posso estar errado! :D ).

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Tem também aquelas descobertas que mudam apenas o seu mundo, obrigando você a se desfazer de seu mobiliário kitsch horrendo, mas de forma indireta o mundo em si, por isso parecem de menor importância. Só parecem, amados!

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Se eu pudesse dividir minha vida em eras, seria fácil dividi-la em Antes de Elisa / Depois de Elisa.

Mas, Elisa não é uma mulher pela qual me apaixonei (Haha, que piada!). Estou digitando sobre o exame ELISA de anticorpos, que serve para detectar se há contaminação com o vírus da Aids. Le terrible!

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Confesso que estava ingenuamente tranqüilo quando fui fazer o teste. Não me sentia doente e apesar de ter perdido peso, e me sentir cansado, acreditava que se estivesse infectado estaria com sintomas graves, afinal, Aids mata. Mas, eu estava bem.

(Santa Ignorância!!)

Só fui fazer porque colegas meus da reabilitação contaram que, nos momentos de baixa, haviam pego. Lembro que, na hora, pensei: “Imagina. Já sei disso tudo. Sou informado”. Depois, lembrei que a informação apenas não adianta nada, tem que saber usar a cabeça. (Sem trocadilhos infames, tá gente!)

Descobri que era portador de HIV assim, por acaso. Em uma prova dos nove, tirei dez em HIV positivo, meu bemm! (O primeiro dez da minha vida… que irônico!). Não estava consciente, não estava preparado, nem tinha pensado realmente sobre o que faria se desse positivo. Fui lá como alguém que faz um check up.

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Quando o infectologista falou, foi aquele choque. Eu não consegui acreditar, então, não chorei, não gritei. Fiquei lá, olhando para ele com cara de besta naquela salinha de paredes amareladas! Cada um reage ao seu jeito, né! Não tem regra! Meu amigo Dodô, uma mona de 1,80m, desabou no consultório, foi um Deus nos acuda pra arrastar a bicha pra maca do SUS! Hors concours!

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A minha irmã sabia que eu iria ao médico naquele dia e me ligou o dia todo. Eu não retornei uma ligação.

Não quis falar nada antes de fazer o segundo exame. O segundo exame é importantíssimo para tirar qualquer margem de erro.

Eu sabia que para mim as probabilidades eram grandes, mas, sei lá… Me permiti ter fé e esperança. Fiquei quieto pra variar um pouco.

Durante todo o tempo de espera entre um resultado e outro foi uma tortura. Não atendia o telefone, porque não queria falar sobre o assunto. (Pouquinho neurótico, não?) Não saia de casa porque tinha medo, não sabia o que podia ou não fazer sendo soropositivo. Comecei a pirar!

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Quando chegou o dia do segundo resultado, sentia alívio e pavor ao mesmo tempo. Como isso é possível, não sei! Que loucura!!

O médico confirmou o HIV. Daí me passou mil informações, remédios, telefones e suportes. Peguei os panfletos e saí sem ter escutado nada.

Liguei o celular. Liguei pra minha irmã e falei: “Joana, minha vida acabou”.

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Ai, eu sei que não tinha nada a ver, mas sei que muitos de vocês entendem o que eu digo! Os primeiros dias foram terríveis, eu realmente achava que poderia ficar doente a qualquer minuto, por qualquer coisa. Que maldade, eu estava um craquelê!

É difícil se sentir seguro, porque você não tem medo de nada do que possa se proteger. É medo de si, desse boicote interno.

Não vou mentir: Ter Aids é estar vulnerável. É pensar “E se o remédio parar de fazer efeito e eu tiver recaída? E se pegar uma infecção? E se meu fígado não agüentar tanto medicamento?”. Eu tenho qualidade de vida, tenho. Levo minha vida e sou feliz.

Mas, Aids não é uma doença que você luta para combater. Você luta para manter-se vivo com ela. Não tem cura. (E a danada é traiçoeira, viu!)

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Mas então, eu sempre imaginei uma morte glamourosa pra mim, bem! E achava que ia morrer de um resfriado!! Fiquei désolé !!

Também não queria que as pessoas ficassem perto demais, pois tinha muito medo de passar o vírus para alguém em um acidente com faca ou em um beijo, uma ferida… Não sabia nada sobre o assunto, me sentia uma bomba relógio. (Daquelas barulhentas!!).

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Mas daí o tempo passou (pro bem ou pro mal). É um longo caminho até se tornar um insider. Demorei quase um mês para sair dessa depressão, e mais alguns meses para conseguir me adaptar a ideia. Eu acho que cada um tem o seu tempo. Não é fácil encarar uma coisa assim. Então, não se preocupem em enfrentar tudo de uma vez só, amigos! Digere com calma! ;)

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O seu médico lhe dá a orientação para manter a saúde, os remédios ajudam a manter o controle e os grupos e a família dão apoio moral e psicológico.

Mesmo assim, é difícil você realmente descobrir que não está fragilizado e impotente. Que todos correm riscos todos os dias e que uma doença não define quem você é.

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Como todo ser humano, estamos sujeitos a descobrir algo, vivenciar algo, que nos faz mudar nossa vida, bem! C’est la vie! No meu caso, me ensinou muito. Me deu limites, (algo que nunca tive). Ao mesmo tempo, essa doença me libertou de valores falsos. Parei de deixar as coisas para depois, parei de chorar (que nem Madalena arrependida) por bobagem.

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Meu tempo rende mais e minha vida é mais feliz e saudável hoje, pois aprendi a me cuidar, a respeitar meu corpo e minha vida. Momento joie de vivre!

Descobri coisas sobre mim que antes não tinha tempo de descobrir.

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E descobri algumas coisas que me deram força durante o comecinho do processo, e que agora eu compartilho com vocês:

As pessoas que te amam ficarão do seu lado.

Novos amigos surgirão, e vão te apoiar nessa estrada.

Nos grupos de apoio você acha não só pessoas capacitadas a lhe dar informações, mas você se sente novamente parte do mundo.

Essa é a chance de uma nova vida, com novas perspectivas. Não desperdice. Uma vida custom made.

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Foi assim que eu me encontrei (tomei rumo e deixe de ser perdido :D ). Nos digitamos em breve!!

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Beijinhos e beijões,

Alê.

Ed. 01 - Existe vida pós-HIV (por Alê)

By admin On abril 11th, 2009 in Alê, Crônica /

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Queridíssimos,

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Como estão?? Espero que tudo bem por aí! :)

Vou lhes contar. Uma das coisas mais tristes e irritantes é a ignorância. (Haja!!)

Por isso, adooooroo esse espacinho aqui! Não só posso contar (ou digitar ;) ) a minha vida e coisas que aprendi, como tenho essa troca com vocês que também me ensinam muito.

Acima de tudo, estou aqui para provar a todos, principalmente aqueles que me olham com pena, que existe vida pós-HIV.

Hoje, mais do que nunca.

Digo isso por dois motivos:

Primeiro, pelo avanço da medicina, que nos permite uma vida basicamente normal e saudável, se houver um acompanhamento fiel, meu bem.

Segundo, porque a vida só começa realmente quando você resolve vivê-la e encará-la. Daí, quando de repente, você se depara com o diagnóstico comprovado de que você não é imortal, é exatamente isso que acontece. (Acooorda na chacoalhada, gatos!!)

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Daí, por que as pessoas me olham com pena ou desviam o olhar com receio?

Vou dizer, porque durante anos e anos e anos o que ouvimos é essa ladainha (blasé) sobre Aids: “Não tem cura. Você vai morrer”.

Opa! Isso é uma conscientização, uma ameaça, um susto ou uma maneira de me animar?

A última coisa que uma pessoa que acaba de saber que é soropositiva precisa é ouvir: “Desiste que chegou a sua hora!”. ( Não é educado, viu… :D ).

Mas que uó!! Tirar a esperança e a força que sustenta as pessoas é maldade! Pior, é mentiroso já que os coquetéis estão cada vez mais eficazes!

Só que essa informação não chega. O que chega a população é a imagem da hora da morte.

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Afff! Laisse tomber! Vou deixar algo bem claro agora. Não estou banalizando a doença. Não é brincadeira! Não estou falando que não é nada e que não há perigo. É uma doença dramática e traiçoeira… A qualidade de vida e disposição caem bastante, exigindo atenção redobrada e impossibilitando algumas atividades. É ÓBVIO que deve haver prevenção e conscientização.

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Mas, essa conscientização deve ser feita corretamente tanto para evitar o preconceito e a desinformação, quanto pra auxiliar soropositivos que depois de uma dessas entram até em depressão! Não caia nisso, colega!

A falta de informação sobre Aids é realmente tão grande que a maioria das pessoas acha que você vai morrer amanhã. Olha que não estou falando de qualquer pessoa, mas pessoas cultas e com acesso a infos. Minha própria família, amigos estudados, todos já vieram chorando, como se fosse a ópera de Carmen e a multidão assistissem minha facada, no meu rústico, porém arejado quitinete. ;)  

Fiz meu primeiro testamento aos 25 anos. (Olha como eu sou drama queen!! Querendo causar com o escrivão! Qualquer dia falo disso! Hauhau!! )

Entre uma gripe e outra eu fui sobrevivendo. (Para a surpresa geral e desgosto encruado de algumas monas…).

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Uma certa inquietude pairava no ar! Eu podia sentir! Toda vez que eu me sentia cansado ou tossia mais forte, recebia olhares apreensivos e expressões marcadas de “Será que é agora?”.

Nem preciso dizer o quanto isso me deixava pior! Não tinha como esquecer, mesmo me sentindo bem, porque as pessoas ao redor não deixavam. Isso, meu bem, é um medo comum, acho que todo mundo passa no começo. Mas, quando me encheu, reuni todo mundo e dei um basta. Excusez-moi!! Se tenho pouco tempo, o que quero é viver. Normal e simples. Se pensar em morte, vou ficar maluco!

(Irônico, mas dei uma de machinho! Hahahha).

Daí juntamente comigo, a família e amigos foram descobrindo que o fim não estava próximo. (INFOs Rules! Finalmente!) A resposta dos coquetéis foi muito boa, me adaptei rápido (mas não vou dizer que foi fácil…) e depois dos quatro primeiros meses estava me sentindo mais disposto. Mais ainda, hoje estou feliz aos tubos! Você vê, que loucura!?!

E estamos aí, bem! Dia 15 de Junho fazem 5 anos que descobri o HIV.

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A gente tem a tendência a achar que não deve fazer planos porque o tempo é curto. Eu decidi apenas fazer tudo o que eu sonhava em fazer. Tudo o que me dá prazer, não porque tenho Aids, mas porque a vida é curta mesmo, pra todo mundo. Bon courage!

Nesse meio tempo que decidi viver, aprendi a ser minimalista também na vida, para maximizar felicidades.

É importante manter-se positivo, principalmente nos dias de recaída, os piores dias, e não se deixar levar… lutar pelos dias bons. É o que eu faço, pelo menos. :)

Estou mais saudável, pois cuido da alimentação, faço exercício regularmente, tomo vitaminas essenciais e tomo medicamentos regrados. Não uso nenhum tipo de droga, não bebo (como bebia! Confesso um otim vez ou outra..), não fumo.

Estou me formando na Faculdade de Design de Interiores.

Abri minha própria empresa.

Casei.

Tenho bons relacionamentos com minha família.

Amigos por todo o país.

E uma rede que distribui informações bacanas, que me permite dar e receber, para que vocês não precisem cair na roubada dos “Dois dias de vida restantes”.

Realmente fiz mais em 5 anos de quase morte do que em minha vida inteirinha! :D

Como pretendo continuar focando nos momentos de vida, e deixar pra pensar na morte quando ela chegar, espero ter mais coisas para contar a partir daqui.

Existe uma vida pós-HIV e você decide o que faz com ela. Então, arrasa!

Até a próxima, amados!


Beijos mais que carinhosos,

Alê.