Ed. 31 - Desabafo (por Victor)

By admin On janeiro 3rd, 2010 in Crônica, Victor /

Hoje tive a permissão de relatar um caso de uma querida jovem, apesar de logicamente não revelar sua identidade.

Mas, a relevância de tais acontecimentos fez-me querer dedilhar a vocês algumas linhas sobre desabafo.

Pouco há a meu respeito em minhas colunas, pois eu, que sou psicólogo, possuo mais a misteriosa tendência a ouvir. E muito ouço.

Não devo, portanto, estar a utilizar o espaço erroneamente e mantenho a discrição ao direcionar os desabafos a outros momentos e pessoas. Mas, talvez, esta época de Final de Ano junto a tantas coisas que passei no decorrer deste processo das Colunas Diárias tenham me deixado mais sensível a compartilhar este pequeno fato. E isto ocupou minha cabeça nos últimos meses:

Fiquei muito intrigado com esta encantadora moça que pouco queria falar de si e mais ela queria saber do tempo, dos jornais, de mim.

 

Estava claro que se escondia. E que ao tirar a atenção dela mesma não precisa encarar a profundidade de seus problemas. Não foi o primeiro caso deste tipo que vi.  Sugeri a ela que aquele era um espaço de reflexão, onde estaria segura a desabafar o que quisesse, mesmo que depois seu desabafo mudasse de idéias.

O que aconteceu foi que, nas sessões seguintes ela veio, e nada falava, apenas chorava. Este era seu desabafo. Fiquei confuso no começo. Tentei argumentar, mas nada obtinha êxito.

O que defini foi: fora daquele consultório, ela não chorava. Em sua vida, uma rotina estressante, não havia espaço para respirar.

Estava a chorar de cansaço e de angústia.

 

Esta era uma jovem que não conseguia abrir-se para o todo, nem mostrar sua fragilidade. Tal fragilidade não era aceitável para ela.

Entendam que a pressão vivida era intensa. No trabalho, era não somente chefe, mas dona do negócio. Por necessidade, não podia parar.

Era separada de seu marido, que pouco ajudava. Mãe de dois filhos e responsável pela sua tia, que a criou, e agora estava doente.

Ela precisava ser forte, a base onde todos podiam estar a apoiar-se. E ela só apareceu no consultório, pois sua médica disse que os vermelhões no corpo e os lapsos de memória eram psicológicos. Ela foi porque, desta maneira, não conseguiria trabalhar.

 

Mas, foi então, sozinha naquela sala, em contacto consigo após tanto tempo, que tomou consciência de seu estado. Finalmente, sentia-se em um lugar onde poderia conseguir certo apoio.    

Veja bem, ela precisava enxergar um mundo onde nem tudo dependia dela. Uma vida onde o esforço não funcionasse unilateralmente, como era até então.

Uma vez perguntei a ela porque não havia se casado de novo, e ela disse, realmente, que não precisava de mais trabalho. Quão injusto para esta mulher!

Mas, aos poucos, ela parou de chorar. E quando todos os desabafos foram feitos e repetidos, e as aflições compartilhadas, o mesmo comportamento começou a tomar espaço fora do consultório. Pois, teve consciência de coisas que antes sufocava.

 

Quis que esta história fosse citada, minhas caras, pois muitas vezes na vida nos sentimos a carregar o mundo nas costas.

Constantemente, recebemos tantas responsabilidades que nos impedem sequer de parar para pensar. Quanto mais, desabafar. Confiar a alguém um desabafo e contar com o apoio de um amigo é tão importante quanto ceder o teu. E dividir o fardo faz parte do que nos torna melhores. O que digo é que, é uma necessidade ter alguém que cuide de nós e demonstre carinho e compaixão.

 

Por essas, hoje não falo apenas por esta paciente. Falo por mim. Falo por toda gente.

Às vezes, é difícil expor tuas vulnerabilidades. Principalmente, quando tu não foste criado para tê-las. Mas, te permitir ser humano - errar, precisar de férias, precisar de tempo para entender a vida, soltar o choro engasgado – é a nossa salvação. Já comece este Novo Ano de outra maneira. Desabafa o que tu carregas no peito, faz do teu jeito, mas larga este peso de ti. E, daí, olha pra frente e recomeça a viver.

*Edição Especial de Ano Novo*

By admin On dezembro 31st, 2009 in Sem categoria /

Pedimos aos Colunistas Diários que escrevessem suas mensagens de Ano Novo. Aqui estão seus desejos e esperanças para 2010:

 

MANÔ

Desejo, de coração, que neste próximo ano as pessoas pensem melhor sobre suas escolhas. Votem melhor, comuniquem-se melhor e tomem mais consciência de seus atos. E, principalmente, tenham coragem de responder por eles.

Respeito e dignidade são as coisas que mais faltam de verdade. É o que eu desejo a todos nós.

 

ALICIA

Um ano de paz e união.

Que o amor de Deus ilumine as nossas vidas,

Nos guie no caminho certo

E nos abençoe e proteja sempre.

Que sejamos mais irmão na hora de perdoar,

Mais filhos na hora de aprender

E mais pais na hora de confortar.

Um ano maravilhoso e iluminado! Para cada um de nós!

 

 

KAKÁ

Meus bichinho!!! Fico descompensada de feliz por poder escrever pra vocês hoje!

Então, vamo lá… Desejo uma boa entrada a todos e uma viradinha bem gostosa.

Pra começar! Kkkk!

 

Cuidado na hora de descer da cadeira com uma perna só. Nunca vi isso dar sorte. Ao contrário.

Esqueça a lentilha, o dólar ou o louro… jogue na Mega-Sena, que é a única chance de pobre endinheirar.

A ave cisca pra trás, mas cisca, darling! Quem sabe ajuda?

 

Se for pra praia, mantenha a classe. Pule 7 ondinhas e não um tsunami. Não enterre nada na areia, ou no outro dia aquilo pode encontrar o seu pé. Não jogue nada no mar pra depois não ficar de frente a uma privada sem descarga.

 

Pra fechar, antes do seu cunhado bebum derramar champanhe deixando seu vestido branco bem amarelinho, tome rédea!

Seja você responsável pela rolha e use a danada sem perdão.

ANO NOVO INCRIVEL PRA VOCÊS!

Esses são os votos de K.A.

 

 

 

          ADRIANO

Desejo tantas coisas. Nem sei como começar. Para o mundo, desejo tudo o que os outros desejam, o que é pedido em músicas e poemas, todas as coisas belas e esperançosas. Para mim, não sei o que mereço, mas como neste feriado a exigência não é ser bom menino, imagino que posso pedir o que quiser.

Bem, eu quero felicidade. Quero me recuperar, óbvio, mas quero um sentido para essa vida, uma vida pra qual voltar. Uma luz. Esperança. Amor. Quero apenas…paz. Apenas o que todos querem, o fim do sofrimento e chances de recomeço.

 

     ALÊ

Hi people festeiroo!!

 

Espero que tenham planos maravilhosos para esse dia! Muitos brilhos, swarovskis e Cartier para todos! É o que merecemos! ;) Êeeha!

Mas, o mais importante mesmo é passar com gente que a gente ama. Auto-astral, energias positivas e pensamentos pra lá de felizes e saltitantes!

Porque é esse pensamento, é essa energia e fé que vão nos impulsionar por todas as maravilhas e batalhas que nos esperam.

Então, fique firme! Concentre! ACREDITE que nesse ano vamos fazer a diferença. Vamos viver e ser felizes! Vamos Ahazar! :D Esse é o NOSSO ano!! Meilleurs Voex!!

 

Victor

O ano muda e toda gente transforma-se. Mesmo que por alguns segundos, acreditamos que as coisas podem mudar juntamente com o calendário.  

Muitos fazem simpatias, pedidos e promessas na tentativa de firmar algo consigo mesmo, um pacto místico. E isto é bom. Esta auto-análise que viemos a fazer todos os anos dá uma boa consciência de nós, do que devemos deixar para trás.  

O problema é que quando o tempo se passa, e esta magia acaba, esquecemos de todos os esforços. Deixamos empilhar para o próximo ano.  

Claro, é compreensível, afinal, é apenas um dia como todos os outros. E que terminam como todo o resto.  

Veja bem, não quero tirar a graça da festividade ou a leveza das belas ideias que vem com ela, as quais me agradam muito!  

O que digo é que todos os dias são repletos de oportunidades para mudarmos e para tomarmos coragem de querer coisas novas.

Dias são apenas contagens do tempo. Mas, o tempo é algo precioso. Não espere um ano, um dia, não espere a virada.

Viva sua nova vida agora! De preferência, sem boicotar sua promessa a você mesmo.     

 

            Noel

Aqui, vocês sabem que eu nunca que comemorei esse trem de Ano Novo não.

Quer dizer, eu via demais os fogos pela televisão. Bonitos e brilhantes rasgando o céu e eu acho que é assim que toda passagem deve de ser.

Se bem que teve uma vez que o Seu Everaldo, dono das mercearias ali da cidade, deu uma festança tão grande que veio gente de todo lugar pra ver os tais fogos giratório que mudava de cor. Me recordo que nem hoje o barulho que fez! O povo sentiu a terra tremer ainda mesmo quando o foguete já estava lá nas alturas! Quando ele explodiu, a luz podia ser vista até do outro lado do rio. Iluminou a cidade por três dias, o que foi bom, já que até aquela gente toda conseguir pegar uma boa visão do girador que mudava de cor era penoso demais.

Bom, mas eu ficava na minha roça mesmo e de lá eu subia o mais alto que podia para ver as luzes de lá da cidade vizinha. Fazia minhas reza e espiava aquilo que era mais brilhoso no céu, a lua. Daí, eu desejava o mesmo de sempre e guardava para eu mesmo.

Hoje, pela primeira das vezes, vou para uma dessas bagunça de fim de ano. Mas, quando marcar a meia-noite, eu vou olhar mesmo é pra minha companheira, minha confidente lá em cima e trocar mais uma mais dúzia de prosa e uma dezena de obrigado. Vou fazer a minha reza, desejar o mesmo de sempre e, quem sabe, depois, compartilhar com algum ouvido aberto todas as felicidades que eu vivi e quero viver.   

Ed. 31 - Espera (por Alicia)

By admin On dezembro 30th, 2009 in Alicia, Poema /

Havia uma chance na espera.

Milímetros definiriam o fim ou o começo.

 

As regras determinavam quando e com que velocidade.

Estava longe de eleger o meu destino.

 

Hoje, abrigo outro lugar

Ele mora em mim, eu sei onde ele está.

 

Mas, o meu saber de nada vale

É o desconhecido que domina meu pensamento

E a expectativa que comove a sensatez.

 

Sou tola ao buscar sentido no intrevêro?

Ou corajosa ao refazer histórias?

Recriar palestras e interpretar olhares?

 

Por alguém que próximo a mim rodeia

Mas, não o todo que me cerca.

 

Se não sei é uma ilusão.

De certo, é fantasia de quem persiste em imaginar soluções

Para algo que nunca esteve ali.

 

E se esteve,

Quantos metros se opuseram a nossa felicidade?

 

Quem os colocou entre nós?

 

Há muitas milhas de onde vivo

Tu vives a tua glória

Tu brindas tuas vitórias

Com outros, tantos outros estão mais perto.

 

Assim como eu, que me alegro com o que tenho a mão

E sorrio, às vezes, sem querer.

 

De fato, não importa agora o desencontro

Importa a espera de uma chance

Que alguns encontram sem ao menos esperar

Mas nós, não.

 

 

 

 

Ed. 30 - Relacionamentos à distância …….. (por Victor)

By admin On dezembro 27th, 2009 in Crônica, Victor /

Nem preciso dizer o quão complicado é sugerir diagnósticos on line, não é mesmo, minhas caras leitoras?

O que posso conceder a cá são opiniões embasadas em poucas informações, que poderão ajudar ou não. Gostaria de ajudar bem mais!

E quando me é perguntado o que acho sobre namoros à distância, especialmente nestas épocas de festas e viagens em que se conhece (e se apaixona por) gente de toda parte, devo considerar a base que possuo na observação de tais relacionamentos. A lembrar que, o que apresento é um panorama geral e, talvez, tu possas excluir-te deste critério.

Explico ainda que, não estou a falar de relacionamento onde a distância foi colocada em comum acordo, onde as pessoas escolheram a distância para manter seu espaço.

O que digo, de modo geral, sobre relacionamentos reféns da distância é:

 

Se neste relacionamento houver estipulada uma data de retorno, onde em determinado prazo o casal poderá conviver novamente, sim, é possível.

Porém, irá exigir um comprometimento e uma segurança muito grande entre os dois. Casais que estão juntos há alguns anos normalmente têm mais chances de manter o vínculo até o retorno.

Mas, já aviso, não será fácil. As fundações deste relacionamento devem ser sólidas, não há espaço para inseguranças, ataques ou imaturidades.

No período de afastamento, se vocês não podem estar fisicamente presentes, o que se espera ao menos é que estejam presentes mentalmente. Isto significa: ligar, lembrar, importar-se… Tentar participar da vida do outro mesmo à distância.

Ou seja, queridas, uma dedicação e respeito reais. É uma prova de fogo. E, às vezes, em um relacionamento pouco equilibrado, vocês podem facilmente sair queimados.

 

Estar próximo é importante, porque só a proximidade cria a intimidade. E a intimidade cria uma relação. São através dos detalhes do dia-a-dia que tu aprendes sobre aquela pessoa, onde tu descobres o quanto estás a envolver-te, fascinar-te.

Claro, quando há um afastamento e as pessoas começam a crescer separadas, e conseqüentemente mudam, a proximidade acontecerá com outras pessoas mais próximas. E talvez aquilo que antes fazia a intimidade do casal pode não estar mais ali.

Por essas, é importante ter uma data de retorno. Isto mantém o foco na relação e fortifica o elo. E se houver um sentimento intenso, em bases concretas, o teu relacionamento pode prevalecer belamente.

 

Mas, tenhamos a suposição que o retorno seja incerto.

Com duas pessoas a construir suas vidas em pontos distintos. E, nitidamente, nenhum destes disposto a abrir mão de suas conquistas. Nesta situação é tão freqüente a mulher ser aquela que abre mão de tudo pelo amor. Queridas, sempre vocês e seus admiráveis corações, estão a pagar por amar demais! O que faço com vocês? Definam se é isto mesmo que deseja, se ele, outrossim, estará disposto a fazer sacrifícios!

Vejam bem… Um relacionamento sem objetivo de futuro próximo, ou qualquer perspectiva de contato e proximidade, está fadado ao fracasso.

Entendo que, os encontros sejam ardentes e apaixonados. E tu sonhes com um futuro apesar de não tê-lo. Mas, vamos aos fatos. Tu estás tão sozinha quanto antes.

Estou a lembrar a cá de um depoimento uma vez concedido a mim onde a menina dizia algo como: “É óbvio que sinto falta do físico, mas não falo apenas de sexo. Saio com meus amigos e os vejo a andar na rua de mãos dadas, ou simplesmente a trocar olhares, e eu presencio estas cenas e me pego a pensar: ‘Eu não tenho isto’. É muito difícil”.

E, claro, concordo com ela. Tu vês, é injusto não ter aquilo que tu mereces.

 

Acautele para não te envolver em uma história sem solução e deixar-te levar em uma esperança de mudança que, a não ser que exista um planejamento, não vai acontecer. 

Se tu pretendes insistir, avalie quais medidas devem ser tomadas, pois sem atitudes nada se resolverá. E tu continuarás insatisfeita. 

Lembre-te que, enquanto tu manténs tuas forças focadas em algo sem futuro, ou ao menos, sem presença, tu perdes forças para perceber grandes oportunidades.

Já disse uma vez, e volto a dizer: O amor não tem limites, mas relacionamentos têm.

 

Seja um namoro de verão (já estou a preparar vocês para a estação!) ou uma longa viagem de estudo, relacionamentos a distância são difíceis, pois são incompletos. Pois, para quem ama estar longe atormenta. Por essas, as separações devem durar o tempo necessário e nem um minuto a mais.

Para o bem ou para o mal. 

*Edição Especial de Natal*

By admin On dezembro 24th, 2009 in Sem categoria /

Para ler a meia-noite, a letra de “Então é Natal” devidamente analisada:

 

LETRA:

Então é Natal, (Pois é… todo ano… não percebeu?)

e o que você fez? (Tá cobrando o que?)

O ano termina, e nasce outra vez. (Essa é tão filosófica que vou pular)

Então é Natal, a festa Cristã. (Por que? Não é aniversário do Papai Noel?)

Do velho e do novo, do amor como um todo. (Mas pedofilia é crime)

.

Então bom Natal, e um ano novo também. (Pq? Não dá pra esperar uma semana e me dar bom Ano Novo no Ano Novo??)

Que seja feliz quem (E não que seja felichte! Por favor), souber o que é o bem. (Defina bem)

.

Então é Natal, pro enfermo e pro são. (É, não tem como escapar!)

Pro rico e pro pobre, num só coração. (Como pode? Coração tem área VIP? Então, to duvidando…)

Então bom Natal, pro branco e pro negro. (E quem é alvi-negro? Tô ofendida!)

Amarelo e vermelho (Em todos esses anos nesta industria vital, NUNCA conheci um amarelo nem vermelho)

Pra paz afinal. (Desistiu das comparações imbecis)

.

Então bom Natal, e um ano novo também. (É, vamo logo ao que interessa…)

Que seja feliz quem, souber o que é o bem. (To sabendo…)

.

Então é Natal, o que a gente fez? (O que você tá cobrando, CARALHO?)

O ano termina, e começa outra vez. (Igual essa maldita música que não sai do REPEAT!)

.

Informação dispensável (de novo EVERYBODY!): E Então é Natal, a festa Cristã. Do velho e do novo, o amor como um todo.Então bom Natal, e um ano novo também. Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

.

Harehama, Há quem ama. (ß ???? que merda é essa? E essa é a tradução?)

Harehama, ha… (????????? Só conheço Hare baba.)

Então é Natal, e o que você fez? (Puta merda!! Fala logo o que você quer falar!)

O ano termina, e nasce outra vez. (E essa merda continua todo Natal…)
Hiroshima, Nagasaki, Mururoa… (Isso é sério?? Tem isso na música mesmo?? Nunca reparei… NÃO!! NÃO COLOCA DE NOVO NÃO!!!)

 

Ed. 30 - Exposição (por Alê)

By admin On dezembro 23rd, 2009 in Alê, Crônica /

Hi people! (Quanto tempo, né? Que horror! )

 

Saudades de teclar com vocês sobre essa vida desvairada! Hahaha Mas vocês devem saber que eu ando ocupadaço! Tiveram nessas semanas várias campanhas sobre a conscientização da Aids que eu apoio de corpo e alma, como a Campanha “A Cara da Vida”, que ocorreu no point da phina flor paulista, e a #red ! (Altamente incrible!!) Daí, conversando com um professor na Universidade que dou palestra ele também falou dessa tal pílula, ainda em estudo, que promete reduzir o contagio do HIV. Fiquei MA-RA-VI-LHA-DO! (o/ Uhuu) Espero que todo esse trabalho e descobertas ajudem a mudar o cenário atual. Informe e solidarize. Afinal, essa é a época do ano para falar de amor e paz!!! Aliás, já compraram meu presente de Natal??? Eu quero um coment natalinooo com fitas douradas flamejantes!! Ahhahaha (o primeiro que declarar Jingle Bells eu dedico o próximo post, ok classe??) Fofo! (Eu me empolgo ao falar de veludos vermelhos e cristais contrastando com a madeira escura e trabalhada em relevo, estilo espanhol!).

 

Bom, amados, mas na verdade o tema de hoje, proposto pela edição é outro. Até agora foi só pra por fofoca em dia, tá? :D   A palavra é: “expor”. Sinceramente, não sei porque me escolheram para digitar sobre isso. Vocês acham que eu me exponho demais, bees? Désolé! Talvez não seja sobre hoje que nós estamos digitando, né? Todo mundo sabe do meu passado, e isso porque sou um livro todo aberto e cheio de ilustração para quem não entendeu. Sempre gostei desse jeito, tá meu bem!?

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Mas, para isso, tem que ser macho. (Olha que ironia! Hahhahaha) :)

Não é fácil mostrar quem você é ou enfrentar o mundo estilo Bon Corage. Tem uma coisinha chata na nossa sociedade que é assim, as pessoas não estão acostumadas com a verdade. A gente passa tanto tempo vivendo no bonitinho do quadradinho, que tudo mais parece um insulto, um Kanye West ao microfone.

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C’est la vie, quando falamos o que os outros querem ouvir, somos falsos; quando falamos a verdade somos indelicados. Ê ê, essa gente é muito blasé! Esse sentimento uó em relação as outras pessoas, sempre, sempre esperando o pior, se resguardando do mundo, é uma coisa tão pra baixo, tão pequena, gente! Muito difícil conviver assim. (Mas eu sou quase uma Polianna Moça loira belga, então…). :D Só perdôo essa mesquinhez de espírito no Natal, já que qualquer intragável se salva com tortas Godiva que são o meu pecado mais íntimo. Hors concours! Como e falo menos, mas que loucura de arranjo!!! hahahah

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Pena. Eu adoro poder usar e abusar da minha sinceridade, apesar de ser intimado a me explicar a todo o momento. Laisse tomber! Também, eu estou em uma situação segura em relação a isso. Porque eu me assumo e esta é minha postura. As pessoas sabem e não faço parte desse nicho da sociedade. Sorry! De vez em quando circulo para causar furores… ;) (Ô meu bemm!)

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Bom, não sejamos minimalistas. Nem sempre foi tão fácil quanto é agora. Já fiz muitas fuck up things, vocês sabem, pelo medo de me assumir, medo de ser criticado ou de não ser “legal”. Acho que algumas coisas precisam acontecer na sua vida para você reconhecer o que é importante, coisas que te fazem amadurecer. Capicci?

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Se amar e se respeitar é importante.

Ser sincero com você e com quem lhe cerca é importante mega.

Acreditar que você tem todo o direito do mundo em expor o que pensa e ser ouvido com respeito é importante. (Sério! Você tem a força, bem!).

Tanto quanto saber que resguardar o que você escolher não expor é seu direito também.

Respeitar o momento de exposição do outro e saber o quanto esse exercício exige determinação e coragem para enfrentar críticas e maldades é muito importante. Antes de atirar pedra, brigar no trânsito, xingar a mãe do coleguinha, lembre-se que você não sabe como foi o dia dessa pessoa ou como é a vida dela. Maldade! Cada um tem seu tempo e suas razões, né, amores? :)

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Agora, o que os outros falam de você (mesmo porque ESSES outros que falam são sempre tão desimportantes…) não é de tal importância mesmoo, darling.

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Mas digito o seguinte, é libertador pensar que, ao se expor, nada mais está entre você e a verdade. Você é a sua verdade. Joie de vivre!

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Daí, mesmo uma verdade mal interpretada, diz mais sobre quem a interpretou do que sobre quem foi exposto. Certíssimo, gatos??

 

Aos que tem a coragem de se assumir com orgulho, sem deixar que os outros possuam sua identidade, eu sustento como um barítono verdiano (desculpe mais não chego a tenor :( ) o meu: “Braavoooooo”!! 

 

Beijos estridentes para o quarteirão ouvir! Um Natal majestoso e Meilleurs Voex!

Alê.

 

Ed. 29 - O testamento Renonciere (por …….. Noel)

By admin On dezembro 20th, 2009 in Conto, Noel /

De primeiro, em uma atmosfera particular, Arthur Renonciere, pegou um pedaço de papel e começou a escrever. Lá, ele declarou suas mais finas intenções em relação ao mundo, a vida e as pessoas que cercavam ele. Deixou claro também, tudo o que se havia cumprido ou deixado de lado e tudo aquilo que se havia ganhado ao longo de uma grande andança. Arthur sofria de um dos mais sabidos males da humanidade e, absorto pela dúvida e pelo medo do fim, não pode ser diferente ao relatar apaixonadamente a vida que construiu. Seu desejo de longevidade só não era maior do que seu desejo de ter feito a diferença. Sem saber que fazia isso mesmo em seus minutos finais, Arthur foi arrebatado pela angústia, seguida de uma tristeza, seguida da paz, propriamente dita, que sombra todos nós.

Logo, desta maneira que foi feito o primeiro testamento do mundo. Todavia, ao longo dos tempos essa carta emocionada foi sendo modificada, já que nenhum testamentário dava conta de chegar ao seu fim sem ter grandes reações chorosas de entes queridos. Os testamentários entraram em acordo, frio, porém eficaz, sobre como a tal carta devia de ser lida e, afinal, ela acabou resumindo apenas a parte de “vida que construiu”, ou seja, bens, pulando, definitivamente, a parte de “significado da vida” que só deixava as pessoas mais deprimidas. O fato de nós mesmos não sermos as pessoas mais imparciais para falar de nós mesmo também influiu sobre a firmeza da decisão, dando um ar de redundância a tudo aquilo que gostaria de se auto-explicar.

Portanto, a invenção de Arthur, que nem tantas outras, foi corrompida na sua essência e intenção, porem, enquanto a família Renonciere vivesse, ou, morresse, tal significado não seria esquecido sendo, então, o formato de testamento de Arthur e sua preocupação em ser lembrado mortos em uma cajadada só. Confesso que sabia não de tal história antes do fatídico dia 29, quando Carlos Augusto Figueira Renonciere, amigo meu de longa data, morreu de medo da morte. Falo isso, porque ele teve um ataque cardíaco após a cazumba de ser picado por um mosquito que transmite uma doença infecto contagiosa rara e incurável, que alastra em cerca de uma semana. E aí, para que esperar, não é mesmo?

Assim, ali estava eu, em um velório de um Renonciere. Conforme cheguei, notei uma música estranha que mal se havia de ser reconhecida, pois o barulho das vozes das pessoas era demais. Era um velório animado, colorido, havia um bolo, que nem o de casamento. Fiquei cabreiro de que, a qualquer momento, cantassem parabéns. Entretanto, a família estava isolada e chegar até ela exigia um ritual de apresentação todo diferente que ditaria se você continuaria na festa ou não. Primeiro, você passava por umas correntes de prata, e depois de pegar uma fila agarrada falava seu nome e de onde conhecia o defunto, o que era bestagem demais, já que estamos falando de uma cidade pequena, onde todos já mais que se conhecem. Talvez por isso quisessem a presença apenas dos mais próximos… Quem sou eu para questionar tradições?

Então, apresentei minha pessoa a família, dando minhas condolências. Eles já me conheciam desde a infância, então o teste foi relativamente fácil e daí, podendo circular livremente pela festa, pude finalmente, aproximar do caixão. Quando fui ao caixão despedir, notei o quanto as pessoas ficam diferentes quando estão mortas, quase irreconhecíveis, e isso assustou por um tempo, mas não mais do que o momento em que um parente chegou para mim e falou, “O que achou?”, e eu surpreso falei, “Do que? Do meu amigo morto?”. O sujeito riu e lançou “Foi $75 mil, de primeira qualidade”. Achei estranho o homem, espiando o parente falecido comentar o preço absurdo do caixão, mas, novamente, já tinha percebido que estava em um velório comum não. A comida era farta, a bebida também e toda aquela recepção tinha cara de casório, onde todos esperavam pelo evento maior, sendo que nesse caso, não era a noiva vistosa entrar na Igreja. Era um senhor de aparência duvidosa direcionar ao púlpito para uma leitura.

A certo ponto, percebi que o testamentário, tratado que nem um artista,

 estava sem noção de tenso. O testamento ou carta seria lida ali, para todos, após as palavras dos mais próximos. As palavras dos mais próximos foram emocionadas, naturalmente. Talvez longas até demais. Histórias sem sentido sobre passeios em comum e conversas noturnas compartilhadas, afim de mostrar a intimidade destas pessoas, mas que, na realidade, para a maioria presente era apenas mais uma forma exagerada de falar de alguém que já foi pro beleleu mesmo. Aliás, maximizar impressões sobre uma pessoa quando ela morre é algo muito costumeiro. Se alguém era bacana, vira maravilhoso; se era bom de serviço, vira “o melhor empregado que já tive”; se era um besta, vira “alguém com um humor único” ; e se era inconseqüente “um espírito livre”. Com Carlos, foi diferente não. Todas suas qualidades e defeitos foram devidamente descritos da melhor forma que se havia, seja por carinho ou para não estragar o momento. Existem coisas que realmente ficam melhores olhadas de longe, e enquanto eu imaginava se Monet teria tido tal impressão também em um velório, era a hora do testamentário falar.

De acordo com a regra, o testamento completo deve ser lido no velório para todos os que participaram da vida do presunto e que estivessem presentes. Por isso, normalmente o povo tem muita cautela mesmo sobre o que escreve em seu testamento. Afinal, quantas vidas se há de serem afetadas com simples revelações? Mas, Carlos tinha outra opinião. Quando alguém tivesse o direito de ler seu testamento, ele estaria morto. Então, que se lasquem. Não valia um tostão furado! Contudo, poucos ali tinham conhecimento suficiente para ter certeza da impetuosidade desse caçador de confusão. O testamentário, conhecendo a declaração pós-morte do cliente, foi vagaroso até o microfone. Como quando alguém lê uma sentença, falou pausadamente e da forma mais firme que dava conta, deixando escapar um tremor de voz, vez ou outra:

“Ao testamentário: Sei os costumes e rituais de minha família e conheço as regras de conduta quanto tal procedimento. Assim, entendo que seja papel do testamentário presidir minhas palavras da forma mais gentil e, por vezes, utilizando de uma entonação afável por demais. Essa não seria a maneira correta de interpretar meus sentimentos e palavras finais. Acredito que, quem deve me representar nessa altura é uma pessoa que me conheça, tanto de maneiras quanto de pensamentos, e que, tenho certeza, irá usar palavra por palavra, sem tentar erroneamente suavizar a questão. Peço, então, para que outra pessoa leia meu testamento: meu amigo, Noel Aragão.”

Ah! Quando falaram meu nome, fiquei em choque mesmo e de orelha em pe, juntamente com todos os presentes que, imediatamente, encararam. O testamentário, nervoso e sem graça, me chamou de canto e sussurrou: “Aqui, sei que foi o pedido dele… então, se não pode passar mel na boca, meu conselho é: leia rápido. Bem ligero, para que não dê tempo de assimilar nada e arreda. Todos odeiam mensageiros”. Nessa hora, questionei meio confuso, meio com dever de justiça, “Mas, não era isso que ele queria…” e então ele acrescentou sabiamente“Ele está morto. Quem vai encarar o povo é você…”. Compreendendo, agora, o grande mantra dos testamentários, fui até o microfone, ainda em choque, só que, eu sou testamentário não, e por mais difícil que tivesse sido a situação que esse amigo gozador me colocou, talvez fosse sua última risada. Não queria ser responsável por uma infelicidade eterna, não mesmo.

“Queridos amigos e familiares, e convidados que eu nunca conheci, acompanhantes, pagos ou não, e aqueles não tão queridos assim…”. Nessa primeira frase, o pessoal imediatamente já ajeitou na cadeira. Todos nós sabíamos, naquele momento, que viria bomba e como todos temos segredos e uns trem para esconder, a inquietude pairava no ar. Silenciosa, mas cortante. Limpei a garganta e continuei “Quero deixar claro que faço esse testamento obrigado e que, apesar de não achar necessário, todos ainda insistem nesta tradição. Pois bem, se o que todos querem lembrar é a intenção de meu tataravô, então falemos de integridade, verdade e valores, coisas que já não vivem aqui há bastante tempo” alguns murmurinhos me lembraram de que eu deveria falar mais rápido“Na realidade, tem muito pouco a ver com ostentação ou tradição. Aliás, qual é a idéia dessas tranqueira dessas corrente de prata, afinal?”, algumas pessoas riram e depois sentiram sem graça mesmo. Logo prossegui: “A parte da integridade, tenho orgulho de dizer que tive uma vida correta por demais, sempre ajudei quem careceu e tudo que tive de mais importante esteve perto de mim, que nem a família e amigos. A parte da verdade, nua e crua, não tenho tanto orgulho de dizer que muitas coisas necessitavam de correção, ajudei quem pedia e não necessariamente quem carecia e tudo de mais importante, que nem família e amigos, estiveram por perto enquanto queriam algo em troca”.

Foi aí que o irmão perdeu a tramontana: “mas, o que é isso?”. Por sorte, o testamentário interveio a meu favor e a irmã mais velha de Carlos fazendo vista grossa mandou prosseguir “Chegando, finalmente aos valores. Ces não mede o quanto valorizei  a vida que tive e fui feliz justamente porque nunca troquei meus valores e aquilo que acreditava por dinheiro nenhum. Por isso, tio Bernardo pode pegar o dinheiro que quis fazer comodo para vender meu voto na companhia e enfiar naquele lugar, seu velho bilontra”. A outra irmã, nervosa demais, falou “Tio Bernardo morreu ano passado. Então, deixe que essa ele fala pessoalmente”. Balancei a cabeça e continuei “Para a currutela de fofoqueiras e santas do pau oco, deixo um teto de madeira bastante maciça para aguentar tanto de rabo preso. Para minha irmã mais velha deixo meu lustra móveis, assim pode polir a cara de pau enquanto passa a perna na família com seu jeito sonso, mas perspicaz, eu confesso. Para meu irmão, deixo meus votos sinceros de mais competência já que todos sabem que será impossível formar em vagabundagem com maior louvor. E para a caçula, deixo um pedido insistente para que entre logo na reabilitação, e aproveite e leve a tia Elaine. Para o primo Julio, que todo ano troca a esposa por uma biscate, sugiro que dê mais atenção à filha enquanto ela ainda quer espiar sua cara. E não menos importante, deixo para o goiabeiro tio Miguel minha coleção de discos que o filho duma porca pelejou comprar por $9 quando eu tinha 12 anos.”.

Bom, nem careço de dizer que foi aquele bololo. Nessa hora, tomaram conta discursos indignados, pessoas choravam e outros ofendiam Carlos. Este, pelo que eu conheço, devia estar em seu plano astral lascando de rir mesmo. Na verdade, sabia que ele era da pa virada, a ovelha negra, mas em um evento tão importante para aquela família quanto o velório, foi golpe baixo mexer com isso. Entretanto, infelizmente, ainda faltava um parágrafo. Por sorte, enquanto todos discutiam, passei o olho naquelas palavras, e aí, fiquei surpreso, pois havia um parágrafo inteiro dedicado a algo que não existia, dava para ver que havia sido escrito depois, talvez com outra idade. Portanto, resolvi erguer minha voz e falar o que finalmente parecia ter vindo do coração de Carlos. Palavras de amor. Todos deram comporta para ouvir, uns por curiosidade, outros porque talvez houvesse ali informações valiosas. “Para minha esposa, peço que tenha calma e fé. Definitivamente, você foi a pessoa mais importante que surgiu em minha vida, e só posso ter essa certeza, pois você foi a única que escolhi como minha. A única que me fez cometer a loucura de ser só seu.”

Nesse momento, todos entreolharam, abismados. Muitos procuravam a tal esposa, mas outros, os mais próximos, entenderam. Carlos nunca achou que iria tão cedo. Quando fez o testamento obrigado, pensou que estaria mais velho em sua morte, teriam uma família, teria construído uma vida. Talvez ate tivesse encontrado alguém, a responsável pelas palavras, mas nada teve tempo de ser feito. Aquilo não era um testamento sobre o que foi sua vida, mas sobre o que ele esperava que fosse. Seus desejos, seus sonhos. Então, de repente, os olhares de raiva e repreensão foram transformando em de tristeza e pena. Por essa Carlos esperava não, isso ele não queria jeito nenhum, mas, segundo as regras e a seus próprios pedidos, tive que prosseguir, eu dei palavra de rei “A minha esposa deixo tudo, pois tudo já é dela. A meus filhos…”, nesse instante, a irmã mais nova teve que sair troada da sala. Estava chorando compulsivamente. “A meus filhos, mais do que meus bens, quero deixar algumas lições. Contudo, mais do que lições quero deixar um abraço apertado de quem amou vocês por demais, mais do que tudo. Por favor, nunca duvidem disso! Se duvidarem do meu amor, saberei que não fui um bom pai. Então, tenham piedade d’eu! Sejam o melhor que puderem, mas não melhores em tudo, pois ganância e egoísmo não é algo que quero em vocês. Sejam felizes e verdadeiros, nunca subestimem as pessoas, elas podem e, se tiverem sorte, irão surpreender. Enfim nunca deixem os outros dizerem o que vocês devem ser, como eu acho que acabei de fazer. Já tenho saudades! Nos encontraremos em um momento feliz. A todos só queria dizer que, apesar de tudo, sempre amei vocês. Só que em alguns momentos mais e outros menos. Mas, sempre amei vocês.Este foi meu testamento, gostem ou não. Carlos Renonciere, 25 de agosto de 2004.”

Todos estavam, finalmente, em um silêncio verdadeiramente fúnebre.

Os irmãos, que eram os mais bravos, entenderam que naquele momento eles podiam amar menos Carlos, mas, era mentira dizer que, apesar de tudo, não amavam ele, a sua maneira. Esse clima de amor delicadamente tomava conta. Até, pelo menos, alguém mais rancoroso lembrar de que havia sido insultado e daí começaram a levantar. Nenhuma lição levada, Carlos choveu no molhado, coitado. Alguns foram embora imediatamente, outros ficaram para raspar as sobras da festa, porem eu, ainda observava tudo, pelejando entender o que se havia acontecido. O que eu estava sentindo? O que eles estavam sentindo? Porque parecia que meus sentimentos e os de todo o resto eram tão diferentes? Ah! Tudo bom, eu fui o único que não foi ofendido. Deve ser isso.

No final, notei uma fila para pegar uma espécie de lembrança, eram saquinhos, com terra. Não, era terra não, eram cinzas. Cinzas do falecido! Aí, descobri que os 75 mil não eram do caixão, e sim da réplica do corpo de Carlos no caixão. A idéia é que todos os mais próximos tenham essas cinzas e deixem elas ou despejem em um lugar particular onde lembrem do morto, que nem uma homenagem. Depois do testamento, eu digo que muitos utilizaram a privada como “lugar especial” para depósito de cinzas.

Naquele dia, entretanto, eu estendi a viagem mais um tiquinho e, no caminho, eu e Carlos tivemos uma longa prosa sobre a brincadeira bistontada que ele havia pregado em mim e em todos os outros que nem um adolescente da bola virada, e sobre o quanto era triste ele ter deixado para depois até mesmo falar o que ele queria para sua família, quando seria muito mais corajoso ser dito por ele mesmo. Mas, principalmente, disse que sentia demais por tanto de coisas não terem realizado na vida dele. Pois o tempo havia sido suficiente não, nem mesmo para ele crescer e espiar a vida com mais harmonia ou a morte com mais importância. Infelizmente, ali havia muita gente para quem ele podia entregar suas mágoas e nenhuma para qual ele dava seu carinho, tão bem descrito e terno, vivendo nele e esperando donos. Aí, despejei suas cinzas na lagoa, onde na juventude nós íamos pular, nadar e desfrutar duma vida tão despreocupada porque, quando você é jovem, tudo parece tão possível. Eu deixei ele naquelas águas, naquela época, em que nossos sonhos e felicidades viviam juntos para que, talvez, eles renasçam em outras margens, e em águas mais pacíficas.

Ed. 29 - Manias (por Victor)

By admin On dezembro 17th, 2009 in Crônica, Victor /

 Este é um assunto que sempre rende em terapias de casais.

Irritar-se com manias é fácil, pois elas foram feitas para serem irritantes, minha cara. As manias demarcam territórios e tomam um espaço e energia que ninguém deveria estar disposto a despejar.

 

Porém, toda gente tem as suas manias, esta é bem verdade. Há manias que são como heranças, a passar de pai para filho. Empolgante perceber em um miúdo o reflexo de tuas origens, sem nunca ter ensinado a ele! Estes são traços de personalidade, de sangue.

Por essas, nada tem a ver com manias criadas, tão individuais. E aquelas inofensivas, que pouco interferem na vida do outro, podem muito bem ser aceitas.

Aliás, aos queridos casais explico: grandes ataques a troco de diminutas manias servem muitas vezes como um aviso prévio. Normalmente acontecem a casais que estão a procurar brigas em qualquer detalhe, na intenção de realmente discutir o que lhe incomoda. Algo está errado, algo sério, que não tem nenhuma ligação com as manias. Mas, claro, já que estás chateada com o possuidor da tal mania, qualquer coisa que este fizer, é motivo de irritação. 

 

No início de casados, entendo também que seja difícil adaptar-te às manias alheias. Afinal, estas coisas não foram reveladas anteriormente. E, mesmo que tivessem sido, estão a adquirir diferentes proporções quando passam a ser incorporadas a um dia-a-dia.

O que gostaria de dizer é que, apesar de cansativos, estas referências sobre o outro admitem também uma cumplicidade.

Sei que é difícil de acreditar, mas quando estas ações não estiverem mais lá, tu sentirás falta delas. Verdadeiramente. Porque são representações da presença de uma outra pessoa em tua vida, naquele espaço.

Vejas bem, creio que alguns sacrifícios são feitos por amor e haverá um momento em que tu irás te acostumar com algumas “esquisitices”. A paixão tudo ameniza, os amantes bem sabem. E se talvez não for o caso, converse na tentativa de ilustra a ele a questão. O máximo que poderá acontecer: tu não obteres sucesso e chegares à outra solução.

 

Mas, se acautelem com as manias! Estávamos a definir até agora aquelas que não prejudicam ninguém. As mais simples.

Falo isso, pois muitas manias estão a ser construídas para afastar as pessoas ou para suprir de forma errada algo que lhe falta.

É comum, através de manias, impedir pessoas de participarem de tua vida, a causar um desconforto próprio de quem desejava impor suas condições para manter-se no controlo.

Vou explicar: Por vezes, as manias nos tornam egoístas, isso é o que devemos perceber.

Pois, elas são colocadas de forma categórica, sem acordos. Algo como: “Apenas desta maneira está certo para mim. Apenas deste jeito eu vivo”. Estão a cobrar do outro adaptar-se ao seu bem estar, sem perguntar se corresponde ao dele, outrossim. E muitos com o coração acalorado e repleto de carinho e respeito, estão a aceitar a poda injusta. 

Mas a verdade é que, estas manias depreciativas não são parte do que nós somos. Elas são travas de comportamento que nos fazem pensar que há o direito de afastar ou sobrepujar as necessidades de outros. Sem dialogo, a base da relação é inconstante.

É uma boa desculpa para coisas que realmente importam, por essas, ótimas para encobrir nossos medos ocultos e camuflar nossas verdades.

 

Quando estamos a encontrar situações ou até pessoas que colocam tais manias em julgamento, esta é a hora de dar atenção a algo realmente importante, e porque não dizer, inovador em nossas vidas.

Talvez isto seja o estopim para que desperte a necessidade de mudanças. Novos ritmos de vida, novas rotinas. Claro, velhos hábitos são difíceis de quebrar, mas muitas vezes é preciso quebrá-los para que aja uma evolução, um crescimento e uma convivência.

E mais importante de tudo, diferente da nossa essência, as manias podem mudar quando quisermos mudá-las. O que digo é, livra-te das dependências que só estão a atrapalhar e fazer mal! E deixas esta pessoa especial mostrar-te novas perspectivas.

 

Em conclusão, seja sua mania pequena e comum ou daquelas que destroem um casamento, vejas que a liberdade reina quando tu deixas de viver tuas limitações para simplesmente te permitir. Manias são vícios cultivados por nós que às vezes estão a retirar o equilíbrio e devem ser seriamente encarados e analisados, para que suas conseqüências não tragam uma surpresa. Afinal, por mais intensa e profunda que seja, nenhuma cegueira de paixão dura eternamente. 

Ed. 28 - Palhaço do nariz azul ( por …….. Noel)

By admin On dezembro 13th, 2009 in Conto, Noel /

Aqui na minha cidade é costume amplamente conhecido assistir apresentações ao ar livre e você a de saber que eu tenho sempre coisa boa a dizer sobre os artistas locais e os visitantes que chegam aqui. Geram lembranças por demais esses momentos em família, quando trazem as crianças naquela laquera para correr livremente pelo parque central, porque sempre que vou lá lembro de quando o Circo Imperial parava por essas bandas, é até uma história engraçada.

Outrora, quando eu era pequeno, quem ajudou a cuidar de mim foi minha tia Carmem. Tinha acabado de perder minha mãe, e ela, vendo que eu estava amuado, resolveu me levar ao circo. Na realidade, eu fui mais porque não queria que ela sentisse que não havia o que fazer do que pela vontade de me divertir propriamente dita. Mas quando cheguei lá e vi aquela tenda vermelha gigante e trêmula, todos os balões e cores e ainda risadas, muitas risadas de crianças que nem eu, confesso que me permiti encher o peito de um calor amistoso que poderia ser chamado de felicidade, a qual durou alguns minutos e rendeu um sorriso, para a alegria da minha tia.

Batuta como quando a gente é pequeno tudo parece muito maior, né não? Isso aplica igualmente à cadeira da cozinha, à sala de aula, ao seu pai, e naquele dia, à tenda do Circo Imperial. Entretanto, não acredito que tivesse a altura de uma montanha não, mas para mim era isso que parecia e o picadeiro repleto de luzes e objetos que seriam usados aguçava minha curiosidade por demais. Incessantemente perguntava minha tia o que aconteceria a seguir, que nem um mini-papagaio eufórico. É que tudo aquilo fascinou: as brincadeiras, as gargalhadas, a contagiante sensação de que tudo era possível e trouxeram um conforto sem igual. Sem noção de bom!

Contudo, não vou dizer que me fez esquecer minha mãe, mesmo porque ainda hoje, depois do tanto de tempo, todos os dias eu lembro dela pelo menos alguns segundos quando acordo ou vou dormir. Muito pelo contrário, pensei fortemente nela o tempo todo e no tanto que era possível, mesmo sem ela, viver e ser feliz e transmitir felicidade. Logo, foi isso que o circo me ensinou e por isso eu decidi que queria fazer o mesmo pelas outras pessoas: passar a felicidade àqueles que não tem muitos motivos para rir.

Embora, tenha sido uma apresentação em especial que predominantemente me fez matutar essa conclusão sobre meu futuro, ou melhor, um pequeno incidente proporcionou uma mudança em meu futuro e no futuro de Geraldo, e no de Adailson também.

Bem, lá estava eu por demais de curioso para saber sobre as próximas atrações e decidido a entrar para o mundo do circo. Então, verdadeiramente encasquetado em desvendar toda aquela magia, aproximei dos bastidores e, como tinha uma estatura mirrada, passei com brecha pelas grades. Nesse momento, vi lá dentro uma grande correria e várias pessoas se pintando. O homem bala passou por mim com a roupa chamuscada, mas não me viu e a assistente do mágico procurava desesperadamente por um coelho, o que na época achei maior bestagem, já que era óbvio que ele estava na cartola, e se não estivesse, não é para isso que o mágico serve? Enfim, eu cheguei a um camarim com várias máscaras e em cima da mesinha, um nariz de palhaço! Resisti não! Daí sorrateiramente, coloquei o nariz e quando preparava para colocar o cabelo, o Geraldo, vulgo Palhaço Gegé, entrou, bravo mesmo, nunca vi um palhaço tão bravo, e enquanto ele gritava comigo e com os homens segurança e eu tentava rapidamente tirar os acessórios que tinha colocado, trupiquei e o nariz caiu em uma tinta azul usada para pintar o cenário. Nessa hora, foi um grande bobolo, porque não tinha nariz reserva e o palhaço “estrela” caçador de confusão, que já estava muito mais do que bravo, recusou entrar no picadeiro. Logo o palhaço! Ainda mais agora!

Eu fui expulso dos bastidores antes de saber o que tinha sido resolvido e sentindo culpado mesmo. Contudo quando voltei troado ao lado da minha tia, fiquei bem quietinho. Todos aguardavam ansiosos e eu, aflito demais. O que seria daquelas pessoas se descobrissem que estavam em um circo sem palhaço? Foi quando para o meu alívio, as luzes acenderam suavemente ao centro. Eles acharam uma solução! O palhaço resolveu entrar! Todavia, espiei que não era o palhaço que eu conhecia, pois era mais alto. Aí, neste momento, eu e todos mais conhecemos Adailson, o palhaço substituto. Adentrava bravamente ao picadeiro um palhaço, mas um palhaço de nariz azul. Todos ficaram em silêncio, caídos das nuvens. “Que estranho!”, uma dona ao meu lado falou, e era isso que todos pensavam nesse instante. “Qual o sentido disso?”, e eu me perguntei, “E qual o sentido daquilo que é diferente? A não ser que… ele é.”.

Mas as outras pessoas não compartilharam de minha paciência e culpa. Nem quiseram entender sua condição ou espiar o tanto de coragem que era dar sua cara a tapa apenas para fazer o show continuar. Num rabo de foguete! Todas as crianças irritantemente choraram, porque falaram que ele não era um palhaço de verdade não. Ninguém aceitava ele por ser diferente. Entretanto, era realmente a bola azul na ponta do nariz que fazia dele menos gaiato? Na realidade, não, e à medida que começou a apresentação, todos viram seu talento. Os mais receosos em mudanças demoraram um tiquinho, mas logo começaram a rir e aplaudir incessantemente. Ao fim do número todos estavam de pé. Não só era talentoso, mas era surpreendente, era mesmo, uma surpresa tanto de boa! Então, ele teve a certeza de que não seria esquecido. Ele queria ser diferente, pois ele queria ser lembrado ou, ao menos, reconhecido e teve essa chance. Achei astuto demais da parte dele. Daí, como havia ajudado ele em sua carreira, após o show o moço perguntou curiosamente porque estava no camarim do palhaço e contei pra ele minhas pretensões artísticas. Aí, ele me deu comporta para dizer se eu queria ser assistente e aprendiz. Esse é o Adailson, sempre justo mesmo, mas respondi que não daria conta de acompanhar, afinal era um momento que minha família carecia de mim. Muitas responsabilidades.

A partir desse dia, sua fama foi crescendo rapidamente de região em região,

até parar na televisão. Ele virou uma febre! O povo ficava doido com ele! Ah! Se você tem seus 30 anos deve lembrar do palhaço do nariz azul e ainda mais que vários pelejaram conquistar sua fama, que nem o “palhaço verde” e o “palhaço turquesa”. Mas, ele era imbatível! Por sorte, sempre que eu quisesse tinha acesso exclusivo no programa dele, e foi dali que posteriormente recebi grandes contatos e conheci mentores de minha carreira tão precoce. O palhaço azul foi como um mestre para mim. Foi ele que um dia me disse sabiamente: “Antes de desejar algo, de conquistar algo, conheça a você mesmo. Procure a verdade do seu sonho” e eu senti que esse era um conselho mais para ele do que para mim.

Alguns anos depois, ele afastou e a posição que ele ocupou foi ocupada por outros.

Não sei porque decidiu quiabar, mas ele nunca pareceu realizado suficiente, mesmo com todo o sucesso, e sentia falta de viajar com seu circo. Ele se destacava, com seu nariz azul e seu carisma inconfundível, era reconhecido por onde passava e era constantemente lembrado, mas a sua alegria estava cada vez mais nos palcos e menos em sua vida. Queria buscar outras felicidades, dessa vez para si mesmo, algo que havia esquecido pelo hábito da profissão. Hoje, ele nem é lembrado pela maioria. Porem, acredito piamente que não é porque não foi lembrado que também tenha sido esquecido, entende? As crianças crescem e querem uns trem novo, mas as lições que aprendemos na infância nunca são apagadas. Ele fez a alegria de muita gente e ajudou educar uma geração, cê num mede o tanto.

Mesmo que tenha afastado dos holofotes, certamente “um palhaço arreda do picadeiro, mas o picadeiro nunca arreda do palhaço”, que nem o próprio dizia, e fama não é sinônimo de felicidade, pelo menos, não com a liberdade que meu amigo tanto desejava. Mas, de agora queria mandar meu abraço para todos os circenses do Brasil e, em especial, para esse amigo bom de serviço que completa hoje 23 anos de profissão.

Alguém que esconde suas tristezas para gerar alegrias deve ser sempre lembrado.

Ed. 28 - Limites (por Victor)

By admin On dezembro 9th, 2009 in Crônica, Victor /

O tema “individualismo” é muito citado, pois retrata bem uma conduta que vem aparecendo em nossa sociedade e, portanto, em nossas relações.

Eu vejo com alguma freqüência, durante minhas consultas, situações assim: as pessoas que não estão a se importar e se fecham; e aquelas que se envolvem profundamente a ponto de perder sua identidade.

Extremos acontecem quando tu não aprendes os limites, e os limites são necessários para manter um equilíbrio, principalmente quando a dança é a dois.

Vou falar desses dois casos que regularmente chegam a mim e depois falaremos dos limites:

 

Veja bem, a postura do individualismo não é simplesmente egoísmo, mas também um mecanismo de defesa. O lema é “Não confies nas outras pessoas”, o que implica em um jogo cansativo de vigilância constante.

É, então, estipulado que não devemos criticar os outros, mas não precisamos aceitá-los. Confuso, não?

Vou explicar-te: A ideia é manter-se calado e simplesmente estipular uma distância. Algo como: “Não quero ofender-te. Então não fiques muito perto”.

Existe a impressão de que todos estão a respeitar a todos. Mas também existe um consenso geral daquilo que deve ser aceito e como deve ser aceito, e daquilo a que tu podes se opor.

Bem, claro que esta camada de falsas considerações dificulta o diálogo.

E ainda mais quando ela é transportada também para um ambiente familiar. É engano pensar que as atitudes e decisões de um reflectem apenas nele mesmo e que não é complexo viver separadamente, muitas vezes a confundir independência com falta de união.

Entendo que a vida hoje seja uma correria onde nem sempre tu poderás participar de cada momento da vida do outro. É claro que tu possuirás uma vida paralela a dos outros membros de tua família, em escola, trabalhos e amigos.

Mas, todos os aspectos da vida devem trabalhar em harmonia e não de forma a se anularem, afinal, todos eles compõe quem tu és.

 

Muitos pais, por exemplo, acham que dando “espaço” aos seus filhos irão lhes fazer bem. Vamos definir espaço. Não questionar, não participar, apenas fará com que os miúdos cresçam sem apoio, sem base. Demonstra uma falta de interesse da parte dos pais, associada pelo jovem, que ainda terá de sobreviver em um mundo realmente individualista.

Vou aproveitar este momento para dar um pequeno conselho:

Tenho pacientes que reclamam de não conseguir comunicar-se com seu filho, a aumentar esta barreira de vidas separadas dentro de uma família. E, às vezes, quando converso com o jovem vejo que o problema dele não é querer isolar os pais.

Na verdade, ele acaba a isolar a si, pois seus pais não sabem comunicar-se com ele. Veja, os pais são bons em dar ordens, impor situações, brigas e “pegar no pé”. Mas, no momento em que este jovem tenta compartilhar algo que ele considera importante, os pais dão pouca atenção. Estes pais não conhecem seus filhos. Por essas, chegam à conclusão de que, se cada um viver sua vida, ficarão em paz. Uma grande decepção, pois seus filhos precisam que façam o oposto. Sejam presentes na vida do outro, isso fará bem!

Este é um exemplo clássico do que acontece quando as pessoas estão tão distantes, mesmo sendo tão próximas, que perdem o senso de unidade.

 

Já o outro caso, onde o envolvimento na vida do outro é tão profundo que se perde o limite, a questão também tem a ver com anulação.

Acontece, e não raro, quando as pessoas estão em relacionamentos, principalmente amorosos, e elas se entregarem totalmente.

E isso, apesar de tentador, também é muito perigoso.

Fazer do outro o centro da sua vida causa sérias conseqüências. Afinal, aquela história de “tornar-se um só”, não é tão romântica quanto parece. Existe a tendência a perder a identidade. Perder a orientação, deixar seus desejos comandarem. E então, depositar em alguém a responsabilidade da tua felicidade é um risco grande.

Não é justo pensar que ao tornar tua vida dependente de uma outra pessoa, ela te deva algo. A tua vida é tua responsabilidade. E isso é algo maravilhoso!

Como disse anteriormente, não se pode anular todos os outros aspectos que estão a formar quem tu és, deve-se sintonizá-los.

Com alguma freqüência recebo pacientes que, após o fim do relacionamento, estão a acreditar que suas vidas acabaram. Ficam terrivelmente deprimidos. Pois, afastaram-se de todos os amigos, família, etc, para viver a vida do outro, com os amigos do outro e a família do outro.

Por essas, quando encontram-se sós, vêem-se completamente sós. Esta perspectiva tem de ser mudada, e então, a pessoa voltará a observar sua vida de forma mais própria.

 

Sempre aconselho sim, e insisto em dizer, que as pessoas devem aprender a aproveitar o tempo sós. O que digo é que, saber estar sozinho não significa ser solitário, mas sim saber apreciar momentos particulares, que não deixam de ser especiais se tu estás confortável contigo. Pode ser até delicioso, por vezes, teres o controle total do teu tempo, fazer o que quiseres a depender apenas da tua vontade… Decidir o que queres, por si só.

 

O equilíbrio é a palavra a ser seguida. Através dele, os limites que irão guiar-te ajudarão a perceber o valor de tudo sem sobrecarregar ou afastar.

Nem a total independência ou o total apego são medidas certas em uma relação.

O que sugiro ‘aqueles que se identificam com estas historias, é que pegues um tempo para conhecer-te e reflictas sobre aquilo que seria teu limite, o que funcionaria e também, tudo aquilo que tu poderias melhorar para não viveres mais as situações citadas.   

Não aconselho nenhum dos casos, o que considero é o individuo, a manter sua individualidade sem deixar de envolver-se.